sábado, 23 de abril de 2016

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Não havia música

Não havia música

E o sol refletia ali a minha frente, sem tom,
A borboleta foi levada por um fraco vento,
Não me agradei com a cor daquele batom,
Havia uma confusão tosca no pensamento.

Não vi partituras em quase nada, sem nota,
O meu ouvido sentia no tímpano, ausência,
Estado triste, aos olhos toda a lágrima brota,
Foi passando, em mim não há permanência.

E aprende-se muito com a coisa não tão boa,
Há pétala desbotada se o olho não soube ver,
Há desespero dentro quando se perde o crer.

E perde-se tanto sem música, coração destoa.
 Conheci o silêncio que tanto me incomodou,
O rádio de mim eu liguei, minha alma dançou.


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 14/04/16
Soneto infiel – sem métrica





quarta-feira, 13 de abril de 2016

Polêmico

Polêmico

E tão forte quanto a outra, surge a sociedade virtual,
Oceano que mostra pessoas surfando em ondas raras,
E estranhos seguem estranhos, como se fosse normal,
Frequentam-se, falam-se, moram-se sem ver as caras.

Pessoas próximas se distanciam e o parente bloqueia,
Andarilhos que se somem nas vielas do seu próprio ser,
Em um surreal fotográfico de pingos de água na areia,
Êxodo para um mundo enigmático sem ver o sol nascer.

Sem romper grilhões do cárcere da rotina, sem abraço,
Remando  águas plácidas, de olho no furacão profundo,
Depositando sonho em uma caixa sem chão, falso fundo.

Entes queridos fragmentam-se nesse vício, despedaço,
Em uma rotatividade de sentimentos, tantas incertezas,
Troca-se real pão por críveis pitéus em oscilares mesas.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 09/04/16

Soneto infiel – sem métrica

terça-feira, 12 de abril de 2016

Caminh(a)ndo

Caminh(a)ndo

Cada coração comporta caminhos coloridos,
Cada centímetro contém coisas coniventes,
Com calma cata cesta crisântemos colhidos,
Chuvisco; conversas camponeses contentes.

Cada caminho cruzamento contos calientes,
Cama, carne, carícias, coxas, cabelo, chapéu,
Conta causo cabeludo com caiporas carentes,
Coices, cabeças caídas, cometa correndo céu.

Cada caminho coliga com curva, cachoeira,
Cidades centenárias, contornos, Continente,
Cais, carretas, crepúsculos, café calmamente.

Cada caminho cola cena, cruz companheira,
Cada cidadão cargas correlativas; consome,
Cansado, coitado! Cultivando, colhe, come.


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 07/04/16
Soneto infiel – sem métrica / Tautograma

Metaforicamente árvores

Metaforicamente árvores

E surgimos de uma pequena semente plantada,
Erguemo-nos dia-a-dia, fertilizante, água, sol,
Há dias difíceis, o vento judia com sua rajada,
Sorte a nossa... Para a escuridão existe o farol.

Temos ferramentas para adotar o crescimento,
Família, amigos, religião: apontam para a luz,
Há lamas fétidas nos trilhos a todo o momento,
Somos flores a divisar do barro cerne que seduz.

Suje-se com a terra de sonhos, ou, não germina,
Busque no amor, adubo mor, força para erguer,
E das gotas de chuva de carinho para florescer.

Não cobice a árvore ampla do centro na esquina,
E seja qual árvore for ainda pequena, verdadeira,
Nem forte, nem bela, alcança-se o fruto, a videira.


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 11/04/16
Soneto infiel – sem métrica 

À nossa caça

À nossa caça

E essa constante busca; essa nossa insatisfação,
Esse correr atrás de algo, sempre apetecer mais,
Somos a cada momento um novo ser, a mutação,
Somos teto, somos piso, portas e somos quintais.

Esse nosso navegar em barquinhos balouçantes,
Essa ameaça que corremos a cada vir de mareta,
Emerge das nossas profundezas forças berrantes,
Alguns a chamam: fé;  sai de fino da menor greta.

Nosso coração nos diz: logo ali há um porto seguro,
No real do hoje há braçadas utópicas para o depois,
Às vezes somos ninguém, outras vezes somos dois.

Se não cedemos aos percalços, vai abaixo o muro,
Enquanto houver o respirar, haverá ventos risonhos,
Entram e saem, buscam e levam perfumes e sonhos.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 12/04/16

Soneto infiel – sem métrica

quarta-feira, 6 de abril de 2016

"A vida tem dessas coisas"

“A vida tem dessas coisas”

E nem sempre a vida é feita de retas, apesar de tê-las,
Embora haja vista de flores, mas talvez não se alcance,
Manhã clara, tarde cinza; noite com lua e com estrelas,
A vida vai muito além disso;bastante complexo o lance.

Vida é gramática, são regras usadas com muita atenção,
O travessão é um equilíbrio de quem ouve e quem fala,
E por um acento ou um hífen perde-se ponto na redação,
Nos dois pontos aguarda-se esclarecimento, faz-se sala,

Às vezes usam-se vírgulas demais, esquecem-se crases,
Há horas que se não coloca ponto final, perde o sentido,
E a reticência faz um penhasco e parece algo escondido.

E se indeciso, usa-se interrogação, não se atropela fases,
 Nos momentos felizes a pronúncia correta é exclamação,
Asterisca-se, tira colchetes e aspas das coisas do coração.


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 06/04/2016
Soneto infiel - sem métrica


terça-feira, 5 de abril de 2016

Páginas de mim



Páginas de mim

E quase sempre me pego folheando-as, relendo,
Estou na página do hoje é porque muito escrevi,
Há cada imagem incrível e outras, não entendo,
Amei, fui amada, chorei, e em tantas delas sorri.

Leio-me em dias de dor, uma nuvem de tristeza,
Passageira, no entanto deixou marcas rabiscadas,
Porém me li tão resolvida detentora de firmeza,
Eu fui menina, garota, mulher; de mim derivadas.

Em todos os cabeçalhos e rodapés; minha digital,
Todas as páginas estão lá, nenhuma foi arrancada,
Nada se perdeu, percebo pela ordem enumerada.

Orgulho-me das páginas coladas em mim, espiral,
Talvez pudessem ter sido mais bem escritas, enfim,
Páginas e páginas em capa dura: histórico de mim.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 03/04/16
Soneto infiel – sem métrica

Penetração poética

Penetração poética

E desabotoo as palavras; antes de possuí-las, acaricio,
Letra por letras, curva por curva fazem-se rijos versos,
Alongam-se em tesos haicais com pensamento no cio,
E vou sentindo lá dentro, enflorando todos os reversos.

Bulino cada ponto, massageio vírgulas e até travessões,
Interroga-me em exclamação e dois pontos: um indriso?
As estrofes se contorcem tez na tez em tantas sensações,
Vira rebolado um infiel soneto, e a sua métrica eu analiso.

Resenho o prazer, jogo-o no lençol perfumado da prosa,
Essa expõe sua essência crônica, enrubesce as bochechas,
Aldravia em discurso implora que puxem suas madeixas.

Os poemas lançam de si, se fazem ali em inspirada glosa,
Então penetro meus escritos, bem no cerne do meu leitor,
Que se deleita na escorrência do meu entusiasmo criador.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 04/04/16

Soneto infiel – sem métrica

Quem me dera

Quem me dera

Quem me dera ser um mar, lamberia as tuas areias,
E úmida de meiguice te balançaria em minha onda,
Queria-te correndo pausadamente em minhas veias,
De cima a baixo, de um lado ao outro a fazer ronda.

Quem me dera ser um mar com todo o seu encanto,
Levando-te, trazendo-te com beijo no colo do braço,
E quem me dera caber-te em todo e qualquer canto,
Quisera eu ser tua, da mínima gota ao maior espaço.

Quem me dera ser um mar para comportar teu bote,
Far-te-ia naufrago nos meus quereres, sedes e fome,
Em respiração boca-a-boca que toda  alma consome.

Quem me dera ser um mar, e dele fizesse-me o pote,
Tomasse-me por inteira a canudinho, querer negrito,
Quem me dera se no teu viver eu fosse o teu infinito.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 05/04/16
Soneto infiel – sem métrica


domingo, 3 de abril de 2016

Pô. ema!

Pô, ema!

Possui grandes asas, não obstante não voa,
Usadas para equilíbrio, mudança de direção,
Um metro e setenta; altura de uma pessoa,
Urina e fezes na cloaca existem a separação.

Onívora: fruta, semente, folhas até moscas,
Lagartos, cobras, moluscos e peixe também,
Na reprodução o macho faz celeumas toscas,
Poliginia: três a seis fêmeas compõe o harém,

E a fêmea com outros machos em poliandria,
Machos fazem os ninhos e forram com capim,
Choca e vira os ovos; eclodem no mesmo dia.

 Filhote assovia: fica com o pai sem problema,
Aos dois anos atinge maturidade sexual enfim,
Possui dedos e pênis? É diferentona, pô ema!
                                                                                                                                                            
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 02/04/2016


Soneto infiel - sem métrica

A liberdade é o que prende

A liberdade é o que prende

E a borboleta voeja não se apega a nenhuma flor,
Pousa e esvoaça, vai e volta e tem todo um jardim,
Da mesma forma a abelha em busca de um sabor,
Afronta aragem, tão forte pela essência do jasmim.

No arco-íris, pingos de chuva veem, sem o corrimão,
Raio do sol os beija, em nossos olhos: o espetáculo,
Vivem ao natural, como deve ser, com toda a razão,
E não se traem,  imutáveis, bem além de obstáculo.

E faz do zelo diário um compromisso sem cobrança,
Tal qual o vento que oscula todo e qualquer cabelo,
Inda com outro cheiro é bem vindo; tão bom ‘vê-lo’.

Sem assinaturas, sem combinação fazem-se aliança,
Harmoniosamente viável, verdadeiramente correta,
Feito a circulação de sentimentos na mente do poeta.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 02/04/16

Soneto infiel – sem métrica

Páginas de mim

Páginas de mim

E quase sempre me pego folheando-as, relendo,
Estou na página do hoje é porque muito escrevi,
Há cada imagem incrível e outras, não entendo,
Amei, fui amada, chorei, e em tantas delas sorri.

Leio-me em dias de dor, uma nuvem de tristeza,
Passageira, no entanto deixou marcas rabiscadas,
Porém me li tão resolvida detentora de firmeza,
Eu fui menina, garota, mulher; de mim derivadas.

Em todos os cabeçalhos e rodapés; minha digital,
Todas as páginas estão lá, nenhuma foi arrancada,
Nada se perdeu, percebo pela ordem enumerada.

Orgulho-me das páginas coladas em mim, espiral,
Talvez pudessem ter sido mais bem escritas, enfim,
Páginas e páginas em capa dura: histórico de mim.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 03/04/16

Soneto infiel – sem métrica

quarta-feira, 30 de março de 2016

Escravidão

Escravidão

Do período colonial ao império_ E sofre a pessoa,
Sons presos à garganta, sem liberdade e partitura,
Exploração da mão de obra negra no canto ressoa,
E foi assim chamada essa ocasião: De escravatura.

Os negros trazidos da África e índios aprisionados,
Na agricultura, atividades domésticas e açucareira,
E sem condições humanas dia e noite transpirados,
Vida de maus tratos com essa gente trabalhadeira.

As dores psicológicas e dores físicas: uma constante,
A maldade do senhorio era algo assim descomunal,
Aos índios veio a abolição por Marques de Pombal.

Aos negros, Princesa Isabel expôs sua importância,
Com a Lei Áurea, abolindo-os desse tal purgatório.
Hoje há: trafico de pessoas e trabalho compulsório.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 08/02/16 
Soneto infiel – sem métrica


Pedaço de jornal

Pedaço de jornal

E uma convulsão no pensamento,
A imaginação em loucos ataques,
Eu; isenta de nenhum argumento,
E a minha mente com piripaques.

Olhos num abre e cerra medonho,
E o semblante com a figura pateta,
A boca em meia lua, jeito risonho,
Prepara-se para dar a luz, o poeta.

E palavras se chocam, todas ao léu,
Encostam-se e vão se acomodando,
E o quebra-cabeça vai se formando.

Tão sem estruturas, caneta e papel,
O poema se pare, em parto normal,
Com  carvão num pedaço de jornal.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 27/03/16

Soneto infiel – sem métrica

As meninas dos meus olhos

(imagem do Google)
As meninas dos meus olhos
Rodam, rodam, rodam quando te vê
Vestido cor mel, o fita!

E se não... Chovo!

Raquel Ordones

sábado, 26 de março de 2016

...


Num toque teu, ti fiz casa, E me destes tanta vida
A borboleta tatuada em meu pé, bateu asas.


Raquel Ordones

Trans(pondo) barreiras

Trans(pondo) barreiras

O dia surgiu assim, meio sem cor, ou eu não quis ver,
Preferi conter minha imaginação, então deixei enfim,
Acontece; que algo dentro de mim queria acontecer,
Ficava me cutucando sem sossego e me falava assim:

_Ouça a cantoria do passarinho; parece estar tão feliz,
Talvez esteja cantando por estar de alma apaixonada!
_Veja aquela borboleta amarela pousada no chafariz,
Que leveza, tanta magia no voo, ainda que ali parada!

_Ah, sinta o milagre em cada pingo da chuva que cai,
Veja como é perfeito seu ritmo, na janela a percussão,
Vamos, feche seus olhos e sinta tudo com o coração!

_Você venceu, esse outro eu, aqui em mim sobressai!
Não resisti, eu não poderia perder todo esse espetáculo,
E não me perdoaria se eu fosse meu próprio obstáculo.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 22/03/16

Soneto infiel – sem métrica

Manha no café da manhã

Manha no café da manhã

Em lençóis se faz ali mesa posta,
A chama acesa, fervente em nós,
Os desejos tomados em resposta,
Cheiro instigante; baralha-se após.

Café e beijos, copos de pele macia,
Corpos esfregam; manteiga no pão,
Em deleite, o leite não se arrefecia,
Doce e gostoso, uma talha na mão.

Xícara mexida, da colher ao fundo,
Mexe, mexe e o sabor vem à tona,
Soados, enchidos, nocaute na lona.

Quatro paredes se tornam mundo,
Manha e manhã, termos sem nexo,
A fome se sacia num ato complexo.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 26/03/16
Soneto infiel – sem métrica



segunda-feira, 21 de março de 2016

Sabe por que eu gosto de você?

Sabe por que eu gosto de você?

Então, talvez nem eu saiba, mas há muito em você que me cativa,
Tenho deslumbramento pelo não costumeiro, ainda me maravilho,
Quando penso que não, estou eu surpreendida  em emoção ativa,
Gosto quando diz que eu o provoco, e um lembrar se faz estribilho.

Gosto do seu jeito não convencional, homem pedra, do embaraço.
Gosto da espontaneidade, de uma forma quase segura, não sendo,
Gosto quando fica vulnerável e quase tem saudade do meu abraço,
Gosto quando deixa escapar que meu beijo é memorável, me rendo.

Sabe; gosto quando do nada você tece o tudo, com tanta coerência,
E gosto tanto dos seus nãos quando está na cara que eles são sins,
Eu gosto de tudo, como começou; dos meios e dos impensados fins,

Gosto da criança que pede colo, do masculino com tanta experiência,
Gosto quando me faz palhaça, minha alma sorri com o que sempre lê,
E gosto quando me versa: ‘não há poema melhor do que sentir você’.

ღRaquel Ordonesღ
 Uberlândia MG – 19/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

Ah, imaginação!

Ah, imaginação!

E passa pela gente provocante, e pisca, e insinua,
Bota a perna a mostra, bela silhueta de saudade,
Seios desnudos num perfume que espalha na rua,
Aparenta um ar inocente sem nenhuma maldade.

E volta ao passado, talvez querendo uma resposta,
Rebola de um canto a outro e ampliando as visões,
Dos retalhos às coxas, expõe-se e quem não gosta?
E ela provoca, provoca com gosto, tantas direções.

A imaginação perturba; refuça; faz da gente patetas,
Brincamos de cenas em meio à avalanche de desejo,
Então é esmiuçadora; escavaca até o primeiro beijo.

A imaginação e a inspiração trazem a tona os poetas,
Só eles as desnudam e as jogam com tudo em papel,
Bulinam; tocam entranhas insanas, rasga-lhe o véu.

ღRaquel Ordonesღ
 Uberlândia MG – 16/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

As muitas de mim

As muitas de mim

Eu sou assim, nada nem ninguém me fará mudar!
_Mentira vai; você é variação e difere de outrora!
Não, o meu cerne é inviolável, nada de manipular,
_Ah, boba! Somos mutantes, por favor, não ignora!

Eu sou assim, nada nem ninguém me fará mudar!
_Não se engane, somos instáveis a cada situação!
Não, os meus princípios para sempre irei carregar!
_Fala sério?  Hoje todos eles têm outra definição.

Eu sou assim, nada nem ninguém me fará mudar!
_Cresça cria! Cada minuto se é uma nova pessoa!
Quer queira ou não, até se muda de má para boa!        

Sou assim, não me conteste, máquina a governar.
_Cuidado, trilhos e curvas, somos cônscios vagões!
Sem seus eus, disfarça o obvio, perde suas razões!

ღRaquel Ordonesღ
 Uberlândia MG – 15/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

Triste(mente)

Triste(mente)

Mora em seu passado sem nenhuma perspectiva,
Fez de lá sua morada, fez para si zona de conforto,
E nada faz; sem nenhuma atitude e nada objetiva,
Simples assim, ergueu seu muro, fez seguro porto.

De olhos caídos, esbarra no amor, porém o chuta,
Não consegue avistar nada a sua volta, lamentável,
Reclama, mal diz o mundo como um ‘filho da puta’,
Então, ninguém se achega, tornou-se insuportável,

Não abre nenhuma janela, as portas só faz trancar,
Não move um sentimento de lugar, não tira poeira,
Vive no seu cercado, não conhece jardim nem feira.

É, tristemente, triste mente com mofos no pensar,
Tudo o que somos, depende da nossa chave e voz,
Conselho aponta trilho, o passo inicial parte de nós.

ღRaquel Ordonesღ
 Uberlândia MG – 13/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

Guardados de mim

Guardados de mim

Remexendo em mim deparei-me em guardados,
Mas qualquer coisa neles revirava-me por inteira,
Certa melancolia, mas foquei noutros tão irados,
Tudo me pareceu recente, vivo; nenhuma poeira.

Havia olhares do instante e beijos tão presentes,
Toques tão sentidos que ainda causou-me arrepio,
Continha perfume bom, os abraços ainda quentes,
Tudo muito coevo e toda a ocorrência sem desvio.

E aqueles lugares simples ali se fizeram tão lindos,
As imagens remetidas pelos guardados, tão nossa,
Tanto sentimento sincero escorria-se e fazia poça.

Guardado de mim, guardado nosso, tão infindos,
E reencontrei os nossos instantes de forma cabal,
Surpreendi-me; respiro-te; em mim tu és visceral.

ღRaquel Ordonesღ
 Uberlândia MG – 05/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

Dos meus escritos

Dos meus escritos

Nalguns escritos que compus, eu me joguei,
Noutros tinha muito de mim, com exceções,
Já em outros, nada a ver comigo, nem passei,
E outros foram ideados com tantas emoções.

Já escrevi me acabando de rir, era sem graça,
 Já escrevi em um estado tão triste de dar dó,
Já escrevi me afogando em lágrimas; palhaça,
Pensei em escrever tudo, e na garganta o nó.

Eu já fiz poemas dos mais puros sentimentos,
Já inventei coisas tão bobas, mas deram certo,
E já escrevi para pessoas tão longe e tão perto.

Já escrevi coisas sem nexos, já falei dos ventos,
 Já desenhei palavras e me notei nelas tão nua,
Eu já me declarei, já escrevi da cor flicts da lua.

ღRaquel Ordonesღ
 Uberlândia MG – 03/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

Sopro e sedução

Sopro e sedução

O vento chegou; a palmeira do jardim descabelou,
Transportou todas as folhas ali do chão, já mortas,
Subiu e desceu num constante bailado e rodopiou,
Pintou o céu em poeira, espiou a racha das portas.

Entrou pela minha janela, lençóis e encantamento,
Coreografou as cortinas, em misturas cambiantes,
Sibilou no meu ouvindo causando encrespamento,
Beijou-me tão sonoramente, cabelos esvoaçantes.

Aspirou ao meu perfume, sem nenhum manifesto.
Ficou ali me rondando, rondou, rondou a me tocar,
E vez ou outra atacava de leve meus lábios a beijar.

Provocou-me com arrepios, cobri-me em protesto,
Brincou comigo, de repente se foi, era quase alado,
Tão instável e volvedor, voou para o quarto ao lado.

ღRaquel Ordonesღ
 Uberlândia MG – 01/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

Sutilmente


Sutilmente

Ela: cabelos ao vento; perfume que bulina almas,
Andar elegante, sensualidade em todos os passos,
Ele: olhar adsorvido, e os seus cílios batem palmas,
_Ah, como eu queria dela, todos os seus abraços!

Ela: tecido fino em um vestido solto e esvoaçante,
Um jeito buliçoso e nos seus lábios, meus desejos,
Ele: na pele os frêmitos em um coração saltitante,
_Ah, como eu queria dela, cada um dos seus beijos,

Ela: é colírio de essência, em sua rua diariamente,
Batom em cor de boca, e nada mais com retoques,
Ele:_Ah, como eu queria dela, todos os seus toques.

Ela: cabelos, perfumes, olhares, tez, tão sutilmente,
Passeia nas tardes, tão flutuante enfrente ao portão,
Ele: _Ah, como eu queria dela, o seu meigo coração.

ღRaquel Ordonesღ
 Uberlândia MG – 13/02/16 
 Soneto infiel – sem métrica

Amar(elou)

Amar(elou)

As nuvens amarelecem se o sol se pôs ou despontou,
E o crisântemo na janela fez alguns passos de dança,
O canário fez seu canto costumeiro, bateu asas, voou,
A borboleta dourada de leve pousou em minha trança.

Cortinas amarelas se mostram do lado de fora da porta,
Tocando despercebidamente nas pétalas daquele cravo,
O ipê da entrada é casa dos pássaros, ninguém o corta,
E a preciosidade do ouro tornou o homem seu escravo.

A flor da minha pela é tão intensa, maior que girassol,
A Bandeira Nacional sem ela seria de grande pobreza,
Eu fico com água na boca: bolo de fubá sobre a mesa.

No pote de melado a abelha e o rapaz, latinha de Skol,
E em cada verso desse escrito tem um tom de amarelo,
É meio bobo; se juntarmos as imagens talvez fique belo.


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 15/03/16
Soneto infiel – sem métrica

É salutar...Quando se sabe usar!

(imagem do Google)
É salutar... Quando se sabe usar!

Soma-se ao ser humano, perfeita matemática,
A tecnologia em si; colaboração sensacional,
Está tudo ali não mão, atualizada e tão prática,
Árvores não serão mais impressas, isso é vital.

Se tempo é dinheiro, faz-se uma multiplicação,
Da agilidade das pesquisas, adianta resultados,
Quase em momento real, do atraso a subtração,
Melhoria na análise e ao imperativo, somados.

E a saúde agradece com a presteza da resposta,
Diminui-se risco; se a alimentação é adequada,
E o aplicativo é o conjunto da matéria desejada.

Matematicamente falando é basal essa proposta,
A prontidão da técnica torna-se grande potência,
Amistoso o meio ambiente é grato a essa ciência.


Raquel Ordones
Uberlândia MG – 21/03/16
Soneto infiel – sem métrica

terça-feira, 1 de março de 2016

Sopro e sedução

Sopro e sedução

O vento chegou; a palmeira do jardim descabelou,
Transportou todas as folhas ali do chão, já mortas,
Subiu e desceu num constante bailado e rodopiou,
Pintou o céu em poeira, espiou a racha das portas.

Entrou pela minha janela, lençóis e encantamento,
Coreografou as cortinas, em misturas cambiantes,
Sibilou no meu ouvindo causando encrespamento,
Beijou-me tão sonoramente, cabelos esvoaçantes.

Aspirou ao meu perfume, sem nenhum manifesto.
Ficou ali me rondando, rondou, rondou a me tocar,
E vez ou outra atacava de leve meus lábios a beijar.

Provocou-me com arrepios, cobri-me em protesto,
Brincou comigo, de repente se foi, era quase alado,
Tão instável e volvedor, voou para o quarto ao lado.

ღRaquel Ordonesღ
 Uberlândia MG – 01/03/16
 Soneto infiel – sem métrica