quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A poesia faz bailar as letras


A poesia faz bailar as letras

Borboleta ao vento qual bolero,
Esmero, carimbó, saia, veneta,
Careta d’um funk, nem enumero,
Severo balé, passo, silhueta!

Letra que valsa em versos; destempero,
Libero a mente, sambo em etiqueta,
É cagueta entrelinha, em salsa espero,
Lero com frevo, linhas, pirueta.

Sineta pagodeia, em xote impero.
E reintero com verbo ‘break’, baqueta,
Faceta de forró; zumba; eu exagero.

Quero tango em poema violeta,
Greta d’alma dança, não pondero,
É vero: jaz-me jazz, rege a caneta.

Raquel Ordones  #ordonismo
Uberlândia MG 19/10/2017




segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Tanto, tanto que as teclas desbotam...


Tanto, tanto que as teclas desbotam...

Recursivo eu, quando ao digitar-te.
Gostar-te é meu verso intransitivo.
Objetivo maior meu: deleitar-te,
‘Start’ no coração; superlativo.

Adjetivo à ti, nunca me falta,
É pauta; na minha alma substantivo,
Seletivo de mim, minha tez salta,
Assalta-me víscera em coletivo.

Afetivo meu e teu num esbarrão.
É emoção, botão apagado; ativo.
Paliativo não. Nós, profusão.

Ação de corpos. Corpo a corpo: vivos!
Abrasivos: ideia e sensação.
Digitação e sentires, taxativos.

Raquel Ordones  #ordonismo
Uberlândia MG 15/10/2017



sábado, 14 de outubro de 2017

Um palco giratório vive em mim


Um palco giratório vive em mim

É cedo; amarrotada em travesseiro.
Primeiro raio em sol mostra segredo,
Medo não tem; descalça ao banheiro,
Chuveiro me demuda: extrai-me o azedo.

Dedo do dia à cara me aponta,
Pronta? Precisa agir em outra cena,
Pequena sinto, o mundo me faz tonta,
E desmonta-me a cada instante; pena.

E serena me finjo noutra ação.
Portão se abre e eu tablado de jasmim,
Jardim, ora murcha, ora floração.

Então, lá fora tantos eus; sem fim,
Em mim o palco gira: apresentação,
No vão venho e vou, pois sou sempre assim!

Raquel Ordones  #ordonismo
Uberlândia MG 14/10/2017

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Crescemos sem tantas respostas


Crescemos sem tantas respostas

A proposta seria a meia verdade,
Crueldade! Prendiam as respostas!
As costas davam. _Eles não têm idade!
Sinceridade? São regras impostas!

Expostas as perguntas; sem retornos,
Contornos para não cair no exame,
Reclame? Nem em forma de subornos!
Em torno disso, tem sempre um certame.

Enxame de porquês e indagação,
Explicação? _A metade recebemos,
Erguemos assim, nessa construção.

Uma urbanização; conceitos temos,
Adolescemos; dúvidas então.
Educação? Foi assim que nós crescemos.

Raquel Ordones  #ordonismo
Uberlândia MG 13/10/2017



quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Borboleta

Borboleta

É leve, transparência. Da janela,
Bela, de exuberância muito breve,
Atreve-se aos ventos e procela,
Na viela, nas matas, poeta escreve.

Deve cuidado; pois é preciosa,
A rosa agrada e abona com essência,
Em existência célere e garbosa,
Silenciosa em sua permanência.

É urgência em viver, na brisa dança,
E balança no espinho, ora nos galho,
No orvalho sem receio ela se lança.

Trança lufas, nas flores do retalho,
Entalho em lenha; rima à mudança,
Em andança marcante, chão e carvalho.

Raquel Ordones  #ordonismo
Uberlândia MG 12/10/2017


sábado, 7 de outubro de 2017

Devorando livros

Devorando livros

Mas o livro era sobre o que? _Não importa.
Torta, animais; gibis; lutas; didático.
Pragmático ser, seu mundo transporta,
E corta a estupidez; ora lunático.

Prático viver; ler é alimento.
É sustento da mente, bel-prazer,
Crescer em escarcéus de entendimento,
Vento astuto bem antes de morrer.

Saber era vício, uma enciclopédia,
Média? _Não, muito, muito acima dela!
Janela para o mundo, fora acédia.

A comédia com garfo ou colher mela,
Zela à oração se é tragédia,
Em sédia: feijão e livro na panela.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 07/10/2017



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Adormeço...

Adormeço...

Estendo teu carinho; meu lençol.
Caracol, teus cabelos: travesseiro,
Cheiro de sonhos fisga qual anzol,
Bemol na voz, olhar bem feiticeiro.

Primeiro, a blusa ponho num encosto,
Rosto de uma expressão muito feliz,
O nariz empinado bem a gosto,
Exposto corpo; sou uma flor-de-lis.

Miss em desfile, tênue facho em luz,
Nus eus nas mãos do sono, paraíso.
Deslizo na fragrância que seduz.

Capuz da alma eu desato, é preciso,
Improviso-me abrigo; paz conduz,
Reduz abalo, durmo em teu sorriso.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 05/10/2017



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Soneto para o vovô


Soneto para o vovô

Da flor, uma semente, se ergue flor.
Amor dobrado, se isso é possível,
Incrível o botão, quanto calor,
Louvor. Perpetuar é indizível.

Visível alegria; gratidão.
Emoção descabida, um vendaval,
Anormal está, foge a explicação,
Coração fica tolo e colossal.

Portal se abre; de novo se abre, enfim,
A fim de uma porçãozinha do céu,
Carrossel de brinquedo e doces, sim!

O jasmim no varal. Chupeta, mel,
Véu cobre o sono. É seu querubim,
Timtim, vovô! E não fique pinéu!

Raquel Ordones #ordonismo



Uberlândia MG – 28/09/2017

domingo, 24 de setembro de 2017

Cotidiana (mente)

Cotidiana (mente)

Nos cafés das manhãs, nosso carinho,
Desalinho de nós, nossos cabelos,
É novelo de versos, lençóis, ninho,
Selinho em verbos. Ah, é tão bom tê-los.

Pelos eriçam, cheiro de café,
Pé descoberto; sonhos, odes trufas,
Pantufas quentes, chá, nosso chalé.
Cabaré: come e bebe. Nossas lufas.

Bulhufas se o sol abrolhou, ou se chove,
Move em nós alimento; só sabor.
Calor nas gotas; é nós, raios love.

Prove-me. Aprovado está em seu ardor,
Flor que rima nossa mesa. São nove.
Sove seu dia ao meu, o nosso humor.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 23/09/2017



terça-feira, 19 de setembro de 2017

Nas asas da poesia


Nas asas da poesia

Pena? _Não. Só há uma ventania,
É fonia por dentro: quente e amena,
Acena imaginar em demasia,
Histeria de verso; desordena.

E despena minha alma, extrai e copia,
Seria o tal plainar em linha e cena.
Arena em flor, pecado, ave-maria,
Iguaria de anseio, até obscena.

Terrena, célica essa tal sangria?
Periferia ou centro nada apequena,
Plena, absoluta. Late, uiva e pia.

E teoria alguma aclara; epicena.
Morena que avassala; a poesia,
Arrepia. Versar: voo que aliena...

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG



foto: Greg Ordones

arte:  Dequete

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Ninguém pode com esse tal bebê...

Ninguém pode com esse tal bebê...

“Dorme neném que o bicho vem pegar.”
_Azar, pois pode até se arrepender!
E fazer o que? Eu vou lhe amedrontar!
Calar? _Isso não irá acontecer!

Entender a mamãe, nem está dando mais,
Aliás: esse bicho não existiu,
#Partiu realidade.  É demais!
Ademais, meu amiguinho não viu!

Riu! _Também não há boi da cara preta!
E careta melhor não tem quem faça!
É massa essa crendice, tão obsoleta!

Porreta mesmo é a cegonha, passa!
Graça alguma! Mamãe dá a chupeta?!
Na gaveta. Cuidado, olha a pirraça!

Raquel 0rdones #ordonismo
Uberlândia MG





domingo, 17 de setembro de 2017

A cor dar

A cor dar

Então, quero acordar toda manhã,
Com a maça do rosto suculenta,
_Aumenta o som e escute: é Djavan,
Eu sou fã de café, mas não requenta.

E venta pela fresta da  janela,
Ela-me nesse mundo que sorri,
Li e espanca-me o poema de Florbela,
Na estampa do pijama, um colibri.

Vi nos raios do sol lampejo luz,
E seduz-me a inspirar em demasia,
É ventania em mim, ninguém traduz.

Conduz acendimento de magia,
É alergia. Espirra verso, induz,
Capuz da alva, borrifo poesia.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG - 17/09/17




sábado, 16 de setembro de 2017

Xuxu


‘Xuxu’

E seria por ser assim sem gosto?
É um rosto enrugado tal e qual?
Num varal, trepadeira no seu posto?
O desgosto em provar é sem igual?

 É sem o sal, tempero, silhueta?
Nem malagueta traz o paladar?
Degustar para quem é de veneta?
Caneta na receita a rabiscar.

E chamar de ‘xuxu’, o que isso me diz?
Infeliz elogio ou xingamento?
Pensamento maduro ou é aprendiz?

Fiz avaliação; arrebitei nariz,
Eu quis saber mais sobre o tratamento.
E reinvento-me; foi afago: feliz.

Raquel Ordones  #ordonismo


Uberlândia MG  16/09/17



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

" ‘Só lhe dão’ se você aceitar "


" ‘Só lhe dão’ se você aceitar"

E na cabeça existe uma guerrilha,
Uma vasilha farta de restos de ontem,
Apontem-me porque essa enorme pilha,
Trilha abismos; please aí, me contem.

Desmontem esse circo, coisa falha,
Encalha vida, corta como espada,
Nada é pior, imo cospe navalha,
Entalha a alma, feição dilacerada.

Fadada à dor, ser é solidão,
Mas a emoção é uma flor caída,
Tida chorosa numa decepção.

Ademão é inútil, nem vertida,
Ferida sara; a luz visitação,
Oração brota; treva diluída.

ღRaquel Ordonesღ   #Ordonismo
Uberlândia MG 14/09/17


quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Cordão


Cordão

É: então a costureira bate o ilhós
O retrós já se mostra bem vazio,
O fio já se foi; costurou o cós,
Voz de Maria:_ Ê botão arredio!

Desconfio: outro ilhós fora pregado
E é do lado do outro, outro; fez trio,
Enfio linha à agulha: atado,
É dobrado tecido, sem desfio.

Frio assopra na tez; arrepião,
A mão corre a esconder bem o seu dote,
É mote poeta! Ah, imaginação!

Vão entre ilhoses e ilhoses; só anote:
E vote em não encontrar o tal cordão,
Senão acaba a paisagem do decote.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 13/09/17




segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Caixa de papelão

Caixa de papelão

Despejada, jogada ali no chão,
Sem descrição, letreiro. O que continha?
Farinha, doce, manga, macarrão?
Sabão? Quem sabe peixe na latinha?

Não tinha cheiro, nada era manchada.
Jogada no chão, tal qual um entulho.
Sem embrulho nenhum, fita: quadrada,
Só largada, quieta, sem barulho.

Mergulho-me a pensar: de que seria?
Bacia, livros, ovos ou mamão?
Pão? Talvez mortadela de fatia?

Poesia? De quem a inspiração?
Emoção do nada, ninguém copia.
Faz ventania... Vai-se o papelão.

Raquel Ordones #ordonismo
 Uberlândia MG 11/09/17


domingo, 10 de setembro de 2017

Chove você em mim

Chove você em mim

Meus muros se molham, e se encharcam,
Marcam-se nossas cores em mistura,
Estruturas pulsam, e me abarcam,
Atracam; lava toda a minha altura.

É loucura esse seu chover em mim,
Meu jardim brota, é tanto perfume,
Cardume de desejo está afim,
O seu jasmim me inunda, então me assume.

Volumes, escorrências infinitas,
Imita catarata, irrigação,
A atuação dos seus pingos me agita.

Excita-me ao extremo, volição.
Então existe esse vento, e me visita,
Levita a saia da imaginação.

Raquel Ordones - #ordonismo
Uberlândia MG 10/09/17



sábado, 9 de setembro de 2017

Apesar das barbaridades

Apesar das barbaridades

O mundo caindo íntegro lá fora,
É; agora escoamos pro seu fundo,
É profundo e doído, sim senhora!
Embora a gente finja. É tão imundo.

Inundo-me de esperas, melhor, tento,
O momento não ajuda, quase grito,
Acredito ainda. É forte o lamento,
O vento sopra contra, sinto o agito.

Negrito é a guerra com seu sangue,
É bangue-bangue, abuso em demasia,
Demagogia, tráfico, dolangue.

Langue se enrosca a cobra hipocrisia,
Alicia criança; adulto: gangue,
Desse mangue, o eufemismo poesia.

Raquel Ordones #Ordonismo
Uberlândia 09/09/17



quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Escrevi versos doentes


Escrevi versos doentes

Era carente tal vocabulário,
Armário com as traças, decadente,
Presente era passado, vil fadário,
Sem rosário, sem gládio, sem tridente.

Mente desmaia; é contexto vão,
Coração com stent numa clausura,
Sem partitura sai dó da canção,
Emoção pálida, ar era loucura.

Amargura nas letras, pés trincados,
São molhados em fungos e tão anêmicos,
Epidêmicos são saboreados.

Internados à força, tão polêmicos,
Nada eufêmicos, de eus coagulados,
Deitados, com desejos, mas abstêmicos.

Raquel Ordones  #Ordonismo 

Uberlândia MG 07/09/17




sábado, 2 de setembro de 2017

Através dos galhos e flores

Através dos galhos e flores

Abre-se uma janela; via céu,
Um véu quadriculado em janelinha,
Alinha em ar, olor, sabor de mel,
A granel a beleza na entrelinha...

Desalinha-se um cheiro, a folha e flor,
Um rumor com os galhos se roçando,
Dançando não implicando ao calor,
O amor por natureza, assim pulsando.

Olhando fico até meio sem fala,
Abala-me um encanto, uma emoção,
Criação que no meu dentro se estala.

Instala-se no cerne, admiração,
O coração gargalha e despetala,
Da sala, jaz em mim inspiração.

ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG 02/09/17

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Desconstruindo

Tudo é afixado no céu,
Apenas no papel de parede infantil.
Até carneirinhos...

Desconstruindo

A estrela não é uma flor do céu,
Em rapel, que se fez incorporada,
Plantada não foi, pois vive ao léu,
Esse véu azul não é sua morada.

Calada, com fulgor e intermitente,
Ora cadente. Cai ou quer se mudar?
No ar a nuvem também está pendente,
Quente, o sol passa o dia a passear.

É ímpar o reino da musa lua,
Flutua pelo espaço a arrebatar,
A visitar o sol, de longe; e nua.

Evolua, a chuva, o céu não vai aguar,
A ornar, além-arco-íris, da rua,
Exclua a ideia, tudo avulso ao olhar.

Raquel Ordones #Ordonismo
Uberlândia - MG  17/08/2017









quinta-feira, 10 de agosto de 2017

"No SUS piro"


“No SUS piro”

O corpo necessita de reparos
Caros talvez; às vezes descansar,
Cuidar é o melhor, e sinta faros,
Aparos para o bem; funcionar.

Parar não dá, não é da natureza,
E da leveza da alma vem a ajuda,
E se muda o passadio é riqueza,
Com a beleza externa não se iluda.

Arruda atrás da orelha; será? Rola?
Rebola-se no step, tal qual um tiro,
Giro ríspido pode estragar mola.

Bola pra frente, bem estar eu miro,
Expiro, inspiro; agito de cachola,
Vê se cola, eu doente no SUS piro!

ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia - MG  10/08/2017

sábado, 5 de agosto de 2017

Meu “eu” irresponsável


Meu “eu” irresponsável

Então, sair da cama? Nem por decreto!
Discreto pijama, tirar nem pensar!
Escovar os dentes? Ação que eu veto!
O correto, simples: não levantar!

Tomar banho? Fuga arquiteto!
Quieto ali, pra ninguém notar,
Trabalhar? Amanhã. Hoje é exceto.
O projeto agora é só vadiar...

Ligar a TV, programa seleto,
Repleto de preguiça a cochilar,
Falar eu evito, ainda inquieto.

Afeto de todos, sem sair do lugar,
Almoçar eu quero, um prato completo,
Meu teto, meu mundo no celular...


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 05/08/2017

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Escrevendo como poeta


Escrevendo como poeta
(Hediondo)

Ela, loira de ipês em ventania,
A poesia na alma, escrita preta,
Violeta usa, ponto de cruz fia,
Alegria vai, fraca borboleta.

Greta íntima, vê a rachadura,
A loucura talhou com seu punhal,
Fatal solidão, força sepultura,
Há agrura chovendo no varal.

No umbral da frente é a planta morta,
Porta semicerrada vem mau cheiro,
Bueiros, demolição, que o imo transporta.

Exorta dores, folhas no terreiro,
Derradeiro suspiro, não se importa,
Corta o coração, perde amor primeiro.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 04/08/2017

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Moro em provisórios de mim


Moro em provisórios de mim

E, mutantes são todos os meus eus,
Gineceus seduzem a cada instante
Em provocantes cernes androceus,
Adeus; mudei... É um tanto constante.

Avante, lei da vida, outra procura,
A cura pra ferida o tempo traz,
Em cartaz, paixão, amores e loucura,
Apura-se na gente, agito e paz.

Jaz em cada segundo uma mudança,
Herança deixada reconstrói enfim,
O jasmim nasce, cresce e seu olor lança.

Criança que madura, senil, fim...
Assim há um processo, em mim avança,
Dança, moro em provisórios de mim.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 03/08/2017

domingo, 30 de julho de 2017

Laranjeira em flor

Laranjeira em flor

A primeira flor, inda tão pequena,
E serena. Mas venta; espinho mole,
E bole um galho no outro: _Mas, que cena!
Plena em verdura, todo clima a engole.

Há um gole de água na raiz,
Nariz de abelha anseia seu perfume,
Assume poesia, alvo matiz,
Aprendiz da estação que se resume.

E vagalume, estrela que a rodeia,
Uma teia de aranha ali tecida,
Envaidecida a meia noite e meia.

E clareia o dia, ainda com mais vida,
E florescida tem sonho na veia:
Pois creia: ser grinalda se colhida.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 



quarta-feira, 26 de julho de 2017

Excitação poética


Excitação poética

É patética, enfim, é natural,
E no canal da mente, ação mofética,
Dialética de alma com carnal,
Vendaval que bagunça toda estética.

Cética até, porém vem sem aval,
Um oral engolido sem fonética,
Frenética emoção descomunal,
É amoral, profana, santa: eclética.

Hipotética ideia ora real,
Literal, de miragem imagética,
É atlética prática, afinal.

Liberal, ejacula-se a poética.
Sincrética; estimulo manual,
É visceral, de síntese magnética.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 26/07/2017