sábado, 22 de julho de 2017

Pinturas de si


Pinturas de si

E sai por ai com sua melhor cor,
Flor, todos os perfumes e texturas,
Partituras de voz, risos, calor,
Há dor, com apoucadas estruturas.

Loucuras sãs, cambotas, piruetas,
As borboletas ágeis, ventania,
Poesia provando silhuetas,
Em veneta, ora noite e ora ao dia!

Cria-se e sai por ai em seu melhor traje,
Reage em entretons da tal fineza,
Beleza descabida ao céu raje.

Viaje na pintura, tem riqueza,
Leveza, tinta da alma sem ultraje,
Age, então pinta a sua natureza.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 22/07/2017

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Potinho de plástico


Potinho de plástico

E no armário um potinho bem fechado,
Do lado de um vidrinho de pimenta,
É atenta menina, olhar ligado,
Acelerado o peito nem aguenta.

E venta a pretensão de abrir o pote,
Dá pinote, coceiras pela mão,
Numa emoção extremada vinda em lote,
_Anote: é sapeca quanto o irmão!

Atenção: anda pra lá, pra cá a andar,
A matutar: que tem nessa vasilha?
Empilha algumas caixas pra alcançar.

No ar pendurada aparta a tal presilha,
Humilha a altura, gira o destampar,
A vibrar com suspiros de baunilha.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 19/07/2017

sábado, 8 de julho de 2017

Memórias mal-assombradas

Memórias mal-assombradas

No sótão da alma, são tantas as poeiras,
Leiras de espinhos abrem as gavetas,
Nas gretas do assoalho tem ratoeiras,
Nas beiras da vão não tem borboletas.

Caretas do passado não passam,
Pirraçam! _Buuu! São de venetas,
Tão xeretas lembranças nos laçam,
Amordaçam-nos, são quase capetas.

Piruetas e sustos no porão,
No coração arrastam tantas correntes,
Ambientes penumbras de ilusão,

O casarão de nós requer presente,
Em candente sol, ar, renovação,
A solidão e rancor assombram mente.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 08/07/2017

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Maria

Maria

E no salto, na altura, lá vem ela.
Bela, qual uma flor desabrochada,
Ponderada vestindo uma aquarela,
Janela de sorriso e perfumada.

Tocada pelo vento, uma pintura,
Escultura ambulante se negrita,
Agita seu cabelo em partitura,
Candura de mulher; então ele a fita.

É dita a tal batida, é perfeita,
Eleita musa, dona do seu dia,
Em alegria múltipla, a alma aceita.

Respeita, em sua frente, a poesia,
Maria é meiguice, o olhar espreita,
Deleita sonho em toque de magia.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 



( à todas as Marias mulheres)

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Po(rr)esia - poemasculino

Po(rr)esia
(poemasculino)

_Ei garçom, o de sempre, por favor!
O amor em mim está acomodado,
Abrasado! Minha alma sente calor,
Flor, desejo no íntimo plantado.

Sentado na cadeira, um nó debruça,
Refuça pensamentos, ventania,
Sangria de saudade que soluça,
Aguça minha tez que ontem ardia.

Melodia que minha vida encobre,
É tão nobre sentir que me extasia,
Inebria o meu ser, ora bem pobre.

_ Desdobre garçom, faça cortesia!
Água fria, toalha da ara dobre,
Nem cobre!Papel, lápis pra poesia!


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 05/07/2017

domingo, 2 de julho de 2017

Lagartixa

Lagartixa

A parede; seu mundo é tão aberto,
Alerto: a imagem não é lá bonita!
Agita, esbugalhados olhos, perto,
Aperto as minhas mãos, e minh’ alma grita.

Negrita transparência roxeada,
Assustada, perninha aberta; corre!
Morre de medo, assim feito eu e calada.
Desarmada detrás do fogão. Porre!

Percorre esse caminho todo dia,
Euforia que já virou rotina,
_Menina, e ainda lhe faz a poesia?

_Desafia-me. Faz mal à retina,
Da esquina espreito a bicha. _Que fobia!
Mania; lagartixa mais traquina!


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

Cabelos

foto:Greg Ordones.

“_Cabê-los em mim?
Couberam sim!
Despejando-se, enfim
Os cabelos...”