segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Sua capa, pele rara


 

Tateei a sua capa, é de pele tão rara.

Clara a vontade que pela carne floreia.

Teia que prende, no verbo que atiça e sara.

Escancara em mim um querer, e ele esperneia.

 

Cheia de emoção, lhe desfolho; nada para.

Açucara-me seus versos, e pela veia;

Alheia ao mundo, na linha que me encara;

Dispara um sabor; o frisson se serpenteia.

 

Ceia-me em conteúdo adulto; não enfara,

Desmascara-me; sinto o braile que vagueia.

-Releia-me em teor só seu: só me apara.

 

e prepara o seu avesso; nele me chuleia.

Ateia a palavra, o olho sente toda tara.

Enluara-me a sua página, e chaveia.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

na página aberta

o seu escrito me provoca

reage o arrepio

 

da série: Haikel’s

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O sentido dos símbolos escritos

 


 

No vão entre as palavras; há um refúgio santo,

canto que traduz do peito toda a emoção,

então, banhar na clareza d’um encanto.

Acalanto é ver a alma em doce expansão.

 

Loção que o vento derrama, com cheiro tanto

Recanto de sutilezas, inspiração;

Sensação de pertencimento, mas no entanto.

Espanto e calmaria, mesma proporção.

 

Direção pavimento, lonjura quebranto.

Manto do saber vendo com pura visão,

pulmão sem breco, de ares na alma adulto-infanto.

 

Enquanto a mente ergue, ávida e sem noção,

Sensação de viagem, com sorriso e pranto,

Levanto os olhos; leio: em mim a contação.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

e quando te leio

No teu veio dentro afora

verbo sentimento

 

da série: Haikel’s


Sobre o luto

 

 

Nasce a dor: o instante, golpe dentro do peito

Rejeito do estado feliz no coração.

a sensação de baque, de um buraco feito;

Efeito: silêncio grave, alta rotação.

 

Equação: a impotência somada ao estreito.

Desajeito; o triste quer de nós a estação.

Não é justo; mas quem parte tem o direito.

satisfeito, se passageira essa emoção.

 

Oração atenua, tormento rarefeito;

e perfeito é sagrar a recordação.

Relação madura com a morte: o conceito.

 

Respeito a ausência; faz dela iluminação.

Então sinta: a saudade pode ser enfeito.

Leito pro riso, o bom; não a mortificação.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

uma alma que parte

Não quer nos ver lagrimando

Luto não constante

 

Da série: Haikel’s

 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

No violão de mim, seus acordes

  

E num abraço, me abraça e dedilha.

Pilha-me com seu toque, e por inteira.

Verdadeira ‘xtreme’; é melhor trilha.

E Partilha em mim; um Sol e primeira.

 

Maneira gostosa; firma em presilha;

Empilha o corpo vibração certeira;

Maneira canção; de mim Mi desilha;

Redondilha maior; ou como queira.

 

Poeira Dó, querer levanta; e fervilha;

Descarrilha Ré, Si, e Lá pela beira;

e cheira arpejos; surreal a milha.

 

Virilha e silêncio; toque de arteira;

Brincadeira; posições, corda brilha

Estribilha; eu poema; e sem barreira.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

Harmonia e toques

Nota: os versos suspiram

em sons de desejo

 

da série Haikel’s

 

sábado, 1 de agosto de 2026

A expectativa não é leal

 

Manchete:"Ah, expectativa, que coisa mais feia!"

Cheia de falsa espera; infinito promete.

Repete, não cumpre; à ilusão chuleia.

E delineia no vazio, um chão; intromete.

 

Remete pro presente um futuro na veia;

Meia, descalça; cor ouro na vida, mete;

Sete, pinta; ilusão que quase nos tateia.

Creia: a expectativa se passa por vedete.

 

Compete consigo mesma: pra tudo alheia.

Cadeia das almas; na fixação arremete.

Trompete de anjos; e nos olhos joga areia.

 

Anseia por sonho; mas logo despromete.

Confete joga, ainda que com o sal tapeia.

Golpeia a paz; faz da gente marionete.

 

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

é que a expectativa

Não tem palavra, nem sina

o que ensina: engole

 

Da série haikel’s