quarta-feira, 19 de julho de 2017

Potinho de plástico


Potinho de plástico

E no armário um potinho bem fechado,
Do lado de um vidrinho de pimenta,
É atenta menina, olhar ligado,
Acelerado o peito nem aguenta.

E venta a pretensão de abrir o pote,
Dá pinote, coceiras pela mão,
Numa emoção extremada vinda em lote,
_Anote: é sapeca quanto o irmão!

Atenção: anda pra lá, pra cá a andar,
A matutar: que tem nessa vasilha?
Empilha algumas caixas pra alcançar.

No ar pendurada aparta a tal presilha,
Humilha a altura, gira o destampar,
A vibrar com suspiros de baunilha.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 19/07/2017

sábado, 8 de julho de 2017

Memórias mal-assombradas

Memórias mal-assombradas

No sótão da alma, são tantas as poeiras,
Leiras de espinhos abrem as gavetas,
Nas gretas do assoalho tem ratoeiras,
Nas beiras da vão não tem borboletas.

Caretas do passado não passam,
Pirraçam! _Buuu! São de venetas,
Tão xeretas lembranças nos laçam,
Amordaçam-nos, são quase capetas.

Piruetas e sustos no porão,
No coração arrastam tantas correntes,
Ambientes penumbras de ilusão,

O casarão de nós requer presente,
Em candente sol, ar, renovação,
A solidão e rancor assombram mente.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 08/07/2017

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Maria

Maria

E no salto, na altura, lá vem ela.
Bela, qual uma flor desabrochada,
Ponderada vestindo uma aquarela,
Janela de sorriso e perfumada.

Tocada pelo vento, uma pintura,
Escultura ambulante se negrita,
Agita seu cabelo em partitura,
Candura de mulher; então ele a fita.

É dita a tal batida, é perfeita,
Eleita musa, dona do seu dia,
Em alegria múltipla, a alma aceita.

Respeita, em sua frente, a poesia,
Maria é meiguice, o olhar espreita,
Deleita sonho em toque de magia.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 



( à todas as Marias mulheres)

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Po(rr)esia - poemasculino

Po(rr)esia
(poemasculino)

_Ei garçom, o de sempre, por favor!
O amor em mim está acomodado,
Abrasado! Minha alma sente calor,
Flor, desejo no íntimo plantado.

Sentado na cadeira, um nó debruça,
Refuça pensamentos, ventania,
Sangria de saudade que soluça,
Aguça minha tez que ontem ardia.

Melodia que minha vida encobre,
É tão nobre sentir que me extasia,
Inebria o meu ser, ora bem pobre.

_ Desdobre garçom, faça cortesia!
Água fria, toalha da ara dobre,
Nem cobre!Papel, lápis pra poesia!


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 05/07/2017

domingo, 2 de julho de 2017

Lagartixa

Lagartixa

A parede; seu mundo é tão aberto,
Alerto: a imagem não é lá bonita!
Agita, esbugalhados olhos, perto,
Aperto as minhas mãos, e minh’ alma grita.

Negrita transparência roxeada,
Assustada, perninha aberta; corre!
Morre de medo, assim feito eu e calada.
Desarmada detrás do fogão. Porre!

Percorre esse caminho todo dia,
Euforia que já virou rotina,
_Menina, e ainda lhe faz a poesia?

_Desafia-me. Faz mal à retina,
Da esquina espreito a bicha. _Que fobia!
Mania; lagartixa mais traquina!


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

Cabelos

foto:Greg Ordones.

“_Cabê-los em mim?
Couberam sim!
Despejando-se, enfim
Os cabelos...”

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Desejo

Desejo

E nos monta o desejo. De onde vem?
É além do controle chega e apossa,
Destroça a carne é quase desdém!
Atém-se pela tez, dentro alvoroça.

E remoça a alma, é quase infantil,
Cantil d’água nalgum despovoado
É alado em rasante e tão febril,
Ardil, uma palavra o faz soltado,

E calado ele grita; irrita esperta,
Desconserta a libido, a mesma implora,
E devora a gente, antes disso aperta.

Aberta a vontade que quase chora,
Apavora um querer, qual uma oferta,
Liberta nossos eus sem lugar e hora.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

Das conquistas

Das conquistas

Persisto; sei que é o meu caminho,
Desalinho eu sei que há e não desisto,
Insisto com jeitinho nesse ninho,
Vinho e beijos. Assim melhor invisto.

Revisto algumas chances; se não as tem!
Eu também sou capaz de arquitetar,
Planejar as minúcias, sem desdém,
Amém! Para o meu amor e pro seu amar!

Tentar sempre, a investida é um ganho,
Suponho: vai arriscar e do meu lado,
Alado se em meu plano te reganho.

Apanho aqui, ali lucro aprendizado,
Acordados qual Pink, Cérebro e o sonho,
Tão risonhos: e um mundo conquistado.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

domingo, 18 de junho de 2017

Nó de desejo

Nó de desejo

Em nós, laços, perfumes, borboleta.
A Julieta e Romeu sem venenos.
Pequenos: Vada e Tom, e não te meta.
Na maleta Bonnie e clyde; plenos.

 Son buenos, Juan que o amor não Evita.
 Negrita Jack e Rose, Titanic.
Chique, Sam e Molly em vida infinita.
Lolita é aceita sem chilique.

E salpique-me; adube em sentimento,
Vento uivante me torna tão invadida.
Margarida e Donald em doce alento.

Ostento esse querer, alma sentida,
Vertida de desejo com aumento
Esquento-te, ferve-me, tez sorvida.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG 



quinta-feira, 15 de junho de 2017

Sonh(a)ndo


Sonh(a)ndo

Minha alma hílare, seu pensar libera,
Primavera de anseios, uma fonte,
Há um monte de ideias, sem espera,
Numa mera demência; excede a ponte.

Conte-me caso tenha a explicação,
O coração que tudo gerencia?
A poesia é razão ou emoção?
E a sensação porque ora esquenta e esfria?

Dia é pouco, à noite reponho,
Medonho, pois dormir é uma inércia,
Há controvérsia se esse feito oponho.

Risonho o vi, talvez uma solércia?
Peripécia me faz; cinjo, proponho,
Sonho ser sua; Camões e Natércia.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG 

terça-feira, 13 de junho de 2017

Pintando um soneto


Pintando um soneto

É matiz solar para todo lado,
Vermelhado retrata uma paixão,
No chão papel, sentir alaranjado,
É rajado arco-íris coração.

Coloração da paz de norte a sul,
Azul, céu do poema com negrito,
Cito: verde esperança de Cabul,
‘Wanderfuul’ estrela no infinito.

O rito: tinta, mão, pincel, soneto,
Em preto nem um ponto, claro vento,
Firmamento lilás brilha quarteto...

E no terceto, em rosa o pensamento,
O cinzento não tem ‘tá’ em sueto,
Um dueto entre as cores e meu alento.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG 

A corda no pescoço

A corda no pescoço

Brasil, gigante frouxo e sedentário.
Um armário de ratos, podridão,
A oração é dinheiro e pão diário,
Escapulário é pisado, chão.

A facção é quem dita o cabeçalho,
E se é falho, não adiante fé,
Não dá pé, no sistema me embaralho,
É sem atalho até o rodapé.

Qual é?  Fora essa tal demagogia!
Anarquia em palavra que tapeia,
É teia capciosa. Ludibria.

Desconfia-se que isso está na veia
Areia movediça a fundo enfia,
_Confia não, com cão isso se pareia!

Raquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG 


terça-feira, 6 de junho de 2017

Simultaneamente nós

Simultaneamente nós

Tem um vento que assopra aqui no peito,
Sujeito levanta uma poeira fina,
Adrenalina punge, mas aceito,
É leito de escorrência cristalina.

Menina sou, cabelo desalinha,
Entrelinha ventada se revela,
Amarela o ouro à víscera minha,
Que se aninha à alma ou sentinela.

Anela-me inquebrável a corrente,
É mente; que não mente coração,
Razão que causa, apenas docemente...

Demente até, chega ser incoerente,
Conjuntamente nós em conexão,
Ação original, rara, cabalmente.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

terça-feira, 30 de maio de 2017

Um soneto para você

Um soneto para você

Meus versos são comuns, mas tão sentidos,
Erguidos por querer, força tamanha,
Façanha outonal; tempos florescidos,
Recolhidos do dentro lá da entranha.

Estranha impressão baila e rodopia.
A poesia na alma, disfarçada,
Calada em grito e foge da utopia,
Alia ao conjunto e é selada.

E nada explica, paira sentimento,
Vento a bambolear minha cortina,
Desatina-me em todo cruzamento.

Invento dos céus flameja retina,
Adrenalina, corpo e pensamento,
Momento meu, que para o seu destina.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Tecnologia sonetada


Tecnologia sonetada

On, o mundo já chega a minha mão,
Em fração de segundos sou viagem,
Aterrissagem cá; lá na estação,
Ação, seriedade e vadiagem.

Sem blindagem. É terra de ninguém,
Além-domínio, coisas tão forjadas,
Copiadas, coladas, stress, zen,
Também há santas mulheres peladas.

E cultuadas glórias, trai o padrão,
Fiação de perigo em cada estrofe,
Um cofre de surpresa e de armação.

Coração sofre, pois há quem o mofe,
Afofe nude, tecla uma emoção,
Paixão, amigos, negócios além do off.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG

sábado, 20 de maio de 2017

A noite não vem só


A noite não vem só...

Esperança de um dia melhor; dorme,
É conforme o seu tempo e tão tranquilo,
Aniquilo o mau. Meu sentir tão enorme,
É uniforme o vento e canta o grilo.

O sigilo na mente que voeja.
Viceja uma vontade do teu toque,
Sem retoque, que nada me proteja.
E boceja os meus beijos em estoque.

Enfoque nos teus olhos, tua mão.
Meu vão se lança à tua entrelinha,
Aninha-me no teu corpo, emoção!

É sensação que dança; desalinha,
Sozinha não, comigo a reflexão.
Excitação por dentro que sublinha.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Riso d’alma


Riso d’alma

E quão belo é seu riso?_não sei!
Fitei-o, um sol se acendeu só para mim.
Assim, meio impactada me encontrei,
descansei minha alma, era querubim.


Carmim é um impulso que submete,
É vedete a paixão; e se pôs em dança,
Balança-me absoluto, qual valete.
Confete de corações e criança.

Nuança de sentires e são tantos...
São encantos que nos meus poros retinem,
Definem-se tão bons, que sinto espantos.

E quantos risos pelo seu?_ Imaginem!
E nem eu sei; uns lascivos, outros santos,
Cantos de boca se abrem, imos se unem.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Liberdade que prende

Liberdade que prende

É, tende a ser gostoso o alforriado,
E dado com vontades, integral,
Sem plural, sem composto. Predicado,
Conjugado sem aspas, não verbal.

Aval com reticências, e sem pontos,
É sem pespontos, crase e sem colchete,
Brete de ócio, vírgula se tontos,
Os dois pontos falam tête à tête.

Bilhete do sujeito: coração,
Conjugação do tempo é presente,
A mente não argui. Bravo, interjeição!

Interpretação clara e convincente,
Recorrente e sem interrogação,
Aprovação, de nada dependente.


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Relatos sobre ela


Relatos sobre ela

O sol acorda; tão azul é o céu,
O véu da aurora cai; se descortina,
E na retina anil, mais um pincel,
No hotel estrelas; ela tão menina.

Esquina em flor, n’alma borboletas,
Letras e poesia, imo desnudo,
O veludo da essência brota em gretas,
Com gavetas sem trinco, amor escudo.

O miúdo é grande, afago ostenta,
E lamenta outrem não ver dessa forma,
Transforma numa paz, por dentro venta,

Tenta não se atingir, cria uma norma,
Reforma; vez ou outra ela se reinventa,
Requenta versos, é feliz: informa!


Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 

terça-feira, 9 de maio de 2017

Soneto roceiro

Soneto roceiro

São cinco da manhã, o galo canta.
Levanta bota lenha na fornalha,
Palha, fumo, café, prece à santa, 
Planta o pé na botina; à batalha!

Orvalha ainda, chapéu, força, cabaça.
Abraça seu trabalho, busca o gado,
É cercado e peado, tão sem raça.
Rechaça o bezerrinho arreliado.

É ordenhado o leite. Já afofa a horta,
E corta o mato, varre seu quintal,
É bestial ofício, afã reporta.

Transporta porcos, roupas no varal,
É rural. Pesca e caça; se comporta,
Da porta, o luar, firme no degrau.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo

sábado, 6 de maio de 2017

O amor

O amor...

Sabe-se que não tem como aclarar,
Amar é algo muito além de tudo.
Estudo nenhum pode confirmar,
E verbalizar não beira, contudo.

Escudo de palavras, assim usa,
Abusa o poeta, em sua acepção,
O coração remove da reclusa,
Efusa o sentir e a sensação.

É em vão, o escrito não é o sentido,
Transmitido em folha, letras apenas,
Amenas demais para algo fervido.

Iludido sentir, versos e penas,
Pequenas provas de algo desmedido
Fingido escrito, qual voar de renas.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo

Uberlândia MG



segunda-feira, 1 de maio de 2017

Fogo


Fogo

Destempero; calor que não esquece,
Aquece a alma num corpo tão febril,
Abriu estufa que nunca se arrefece,
Parece chispa em pólvora e barril.

É pueril e insano esse desejo,
Lampejo que acalora em arrepio,
Um desbrio que chega qual despejo,
Um festejo de carne em rodopio.

Se vadio não sei, mas sei que queima,
E teima duelar, em mim combustões,
Sensações com ardência e tanta freima.

Requeima dentro afora em ebulições,
Volições; desafio em tira-teima,
Qual guloseima; além-fogo de Camões.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG 

domingo, 30 de abril de 2017

Laços de nós

Laços de nós

Já temos um passado; é só nosso,
E posso garantir pura magia,
Poesia que todo instante endosso,
Esboço-me de sol e ventania.

Alforria de mim, meu eu desnudado,
Doado ao seu eu, tão livre e descalço,
Realço-me com cerne florejado,
É sonhado presente, num voo alço.

E calço-me de anseios com verdade,
Em singularidade, ora plural,
Carnal e alma total insanidade.

Idade não tem; corre natural,
Surreal; somos dois numa unidade,
Umidade em sintoma visceral.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG 


segunda-feira, 24 de abril de 2017

Anotações

Anotações

... E ela chegou ao mundo, numa madrugada qualquer, era agosto e fazia frio, nua e sem GPS, encarou o desconhecido, cresceu, mais intelectualmente do que fisicamente e nem por isso deixou de ser forte, evolui para caramba, até tirou algumas notas 10. 
Detesta padrões que na verdade são tentativas de domesticações, enxerga com a alma, admitem os medos, a sinceridade nos sentimentos tem peso maior.
Decidiu ser quem é. Os caminhos não foram fáceis, inda assim aprendeu a parar e enxergar as flores que neles existem, e aprendeu mais ainda, a enxergar os besourinhos que nelas passeiam.

Raquel Ordones

domingo, 23 de abril de 2017

Nossa música

Nossa música

Suaves, notas nascem meio lentas,
Atentas no sentir e nada graves,
Chaves de nós acendem tão sedentas,
Barulhentas loucuras em conclaves.

Aves de almas com voos e de ninhos,
Desalinhos na letra, ordem de rimas,
Climas se misturam em burburinhos,
Moinhos de nossas lufas e tão íntimas.

Vítimas de voz, livres em viagens,
Aragens que afrescam afinação,
Confissão musicada, tatuagens.

São miragens de sonho, essa canção,
Composição do Rei em altas voltagens,
Filmagens: eu e você; tanta emoção...

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG 

domingo, 16 de abril de 2017

Fé, dor

Fé, dor

A fé nos move._ Qual é o caminho?
Desalinho no passo da ganância,
Ignorância nos fere qual espinho,
Redemoinho na mesa em abundância.

Importância nenhuma tem o ser,
O ter anda gritando bem mais alto,
É assalto sem almas, a entender,
Prender é impossível, do ato um salto.

Pauto no verso, falta do respeito,
O sujeito faz uma lei e a transgride,
Agride e rasga; pesa todo peito.

Tem jeito? Tudo vem à tona, incide,
Se revide apontado pelo feito,
Leito em vida, fé, dor, o imo divide.

 ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG

sexta-feira, 14 de abril de 2017

...

Existia em mim, velocidade,
Nos carros de tuas anotações
desbarranquei-me em tua grafia...

ღRaquel Ordonesღ

Nosso mundo

Nosso mundo

Criou-se, mas foi assim tão de repente,
É que a gente não sabe: por que flores?
As cores aquarelam bem à frente,
Na lente da tez se corre ardores.

Motores de nós é essa vontade.
Sem igualdade no dentro transborda,
Acorda um sol de raio em liberdade,
A saudade que em tudo concorda.

Recorda um amanhã, não o passado,
Calado de um segredo que é nosso,
Endosso-me, meu ser doa aprovado.

Estrelado céu, sua boca almoço,
Posso até parecer-me um ser alado,
Ao seu lado, nosso mundo; alvoroço.

Raquel Ordones #ordonismo