domingo, 29 de abril de 2018

Livre


Livre

E prendeu-se ao vento; correria.
Alegria, velos, solto vestido,
Colorido perfume em poesia,
Magia; liberdade, tão sentido.

Ruído, as folhas; descalçou chinelo,
Amarelo, verde em tons de vermelho,
Espelho além; de espírito tão belo,
Anelo à graça, orbe de joelho.

o conselho não quer; só ir e vir.
Sentir-se asas no limite e respeito.
Peito amor, sem vigiar o porvir.

Rir, quatro cantos, viver imperfeito,
No leito da vida um leve dormir,
Florir sempre, simples e do seu jeito.


Raquel Ordones #ordonismo

Uberlândia MG – 29/04/2018

sexta-feira, 30 de março de 2018

Injusta mente


Injusta mente

Falo de justiça e só vejo o injusto,
Um custo enxergar na vida o correto,
Direto, de peito aberto e robusto,
_Susto; não ha respeito nem por decreto!

E decerto o conceito foi-se embora,
Outrora restava incerta alegria,
Todavia, injustiça é senhora,
Aflora podridão na poesia.

Demasia; o honesto vai pelo cano,
E o fulano fura fila, e nem corre,
E concorre sozinho; causa um dano.

Plano perfeito, a cortesia escorre,
E morre-se; o egoísmo é insano,
Desengano, coração sofre em porre.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG – 30/03/2018

domingo, 25 de março de 2018

Um soneto para Camões


Um soneto para Camões


Poeta nacional, vindo de Lisboa,
Acolchoa seu saber à literatura,
Figura em moldes clássicos, estro ressoa,
Entoa em boemia, voar pela altura.

Censura-se seu afeto; plebeia e nobreza,
Acesa vida, rodeada turbulência,
Essência aponta seu lápis, delicadeza,
Realeza em versar, motins em evidência.

Vivência conturbada; ferida e prisão,
Coração frustrado em serviço militar,
e seu olhar se apaga na perda da visão.

Pois então, os lusíadas... Veio a publicar,
O seu externar valioso era alto padrão,
Com pensão miserável, ‘no céu’ foi morar.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG – 25/03/2018



domingo, 4 de março de 2018

Esbarrão de nós

Esbarrão de nós

Nos meus caminhos as pegadas tuas,
Luas de  sorriso, olhares de sol,
Arrebol de desejos, peles cruas,
Flutua minha mente em caracol.

Lençol, leveza, perfume marcante,
Instante de uma paz que me esvoaça.
Arruaça, solto balão do barbante,
‘almante’, além-carne, espírito abraça.

Esgaça quereres em fio infindo,
Lindo sonho; nem sei falar; tão nós,
A voz que se reafirma e sentindo.

Sorrindo, frêmito, escorrência, foz,
Cós, pés, pescoço, seios; se bulindo,
Abrindo aos ventos os nossos pós.

Raquel Ordones #ordonismo



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Sem explicação


Sem explicação

É simples assim, algo sem noção,
Sensação de voo, estado de graça,
Sem raça e cor, total sublimação,
Coração buliçoso autoabraça.

Enlaça-me  num sentir singular,
Particular, solto, chega a ser vento.
O pensamento, corpo, alma, ocular,
Um desesperar-se; real e invento.

Arrebatamento; um alargar veia,
Sem teia, limites, só extensão,
Sem padrão, de integridade sem meia.

Ateia em mim o fogo, uma explosão,
Ação e reação, de vida tão cheia,
Pareia de nós, sem explicação.

Raquel Ordones  #Ordonismo
Uberlândia MG 13/02/2018


domingo, 4 de fevereiro de 2018

‘Fluxa-me’ fulgor

‘Fluxa-me’ fulgor

Diga-me: que substância é a tua?
Qual lua presa no topo do céu.
O véu da sombra nem mais se situa,
Atua-te luz em minh’alma: painel.

Nobel conteúdo é esse o teu.
Coliseu de estrela que em mim acende,
Entende-me em bruno, ora meu Romeu!
E teceu sol em meu ser; um duende?

E rende-te a mim. Mas do que é feito?
Deleito-me em teu saber e no mel,
Rapel em carinho, tão sem defeito.

Sujeito que me rima; imo tropel,
Carrossel de tudo, sem preconceito,
E deito-te em mim; até no papel.

ღRaquel Ordonesღ  #Ordonismo
Uberlândia MG 

  

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Geração Pistola


Geração pistola

A cidade dorme, o mau pronuncia,
E guia a arma, até mesmo canivete,
Mete o dedo em gatilho; rebeldia.
Periferia; comanda um pivete.

Chiclete na boca, fala bem mole,
Engole o cuspe, é quase homem vago,
É rasgo de morte que na alma bole,
Sem prole, não pensa; isento de afago.

Trago no cigarro, fumaça de erva.
Inerva-se todo, não consentido.
Sentido ameaça, morte reserva.

Observa; tudo ali é digerido,
O gemido, o sangue e poder preserva,
É ‘Minerva do hediondo’ e temido.

ღRaquel Ordonesღ  #Ordonismo
Uberlândia MG 30/01/2018

domingo, 28 de janeiro de 2018

Somos soneto

Somos soneto

E com uma palavra eu lhe defino:
Um menino: esse ser que só me encanta,
Levanta meu estado, homem e divino,
Felino às vezes; a minh’alma canta.

Espanta-me a elegância; o ser singelo,
Aquarelo-me, cores inexistentes,
Quentes desejos; o santo atropelo,
Caramelo com vinho em aguardentes.

Potentes quereres; sou simples rima,
Imprima-me em entrelinha dueto,
Dialeto nobre, pensar acima.

Intima-me num todo em seu livreto,
E borboleto-me em asa que anima,
No clima, chovemos: somos soneto.

Raquel Ordones  #Ordonismo

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Garotinha

Garotinha

Miúda e suave; abraço de ursinho,
Cabelinho num rabo de cavalo,
Calo-me ao vê-la em seu vestidinho,
Passinho tão miúdo, quase embalo.

Falo por dentro: _Impecável figura!
É candura de ser, anjo na terra,
Sem guerra na alma com tanta lisura,
Desmesura que em pureza se encerra.

E berra o belo num grito singelo,
Chinelo de dedo, rastro alegria,
Poesia, no sonho o seu castelo.

Paralelo mundo, o da fantasia,
Euforia e gosto de caramelo.
E relo o meu olhar em tanta magia.

Raquel Ordones  #ordonismo
Uberlândia MG 16/01/2018


segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Sobre a saudade...

Sobre a saudade...

Tantas vezes descrita: uma vilã
Em sã consciência ela é presente,
É quente no dentro, nenhum afã.
Uma lã que nos cobre de algo ausente.

Resistente, sem aval acomoda,
Roda de cima a baixo, ninguém tira,
E gira-nos de um jeito meio foda,
Moda? _Eterna, pois na gente respira.

Suspira na alma, nosso querer grita,
Agita-nos; é boa companhia,
Sangria de pensares que negrita.

 Palpita só o bom, ruim nem chia.
Magia é impressa em nossa escrita,
Levita: mote fixo em poesia!

 ღRaquel Ordonesღ 
#Ordonismo

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

sobre ela...

Sobre ela...

 Chuva, seu espetáculo favorito,
Bonito é querer, o ignoto a instiga,
Abriga na alma um alento infinito,
Quesito mor: no coração, cantiga.

 Briga não... Sabe que uma estrela a espera,
Primavera sempre está no seu inverno,
Seu interno habita gigantesca fera:
_Era uma vez... Um céu com tanto inferno.

Moderno estilo; idade nem é tanto.
Espanto: a voz era meio demônio-anjo,
Banjo no ouvido e por todo canto

Manto de sensatez; zelo em arranjo,
Esbanjo de sorriso quase encanto,
Meio santo-pecado, puro, marmanjo.


Raquel Ordones #Ordonismo
Uberlândia MG 12/12/2017

domingo, 26 de novembro de 2017

A mulher que roubava canetas

A mulher que roubava canetas

Ela era meio franca e muito forte,
De norte içado ‘prum’ céu brilha lua,
Na rua espinhos, dentro flor e corte,
De porte especial, verdade sua.

De nua alma, sorriso branco, pulso,
Repulso à quem chegar sem moral,
Varal delicadeza, nada impulso,
Avulso viver, modo atemporal.

É canal de amizade, zelos e arte.
Parte pétalas para as borboletas,
Violetas na tez, aqui ou até marte.

Descarte, folhas secas e obsoletas,
Roleta vida em fé, não desaparte,
Faz parte: a mulher roubava canetas.


ღRaquel Ordonesღ  #Ordonismo
Uberlândia MG - 26/11/17

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Amor não faz sofrer o coração


Amor não faz sofrer o coração

Então, se sofre há algo muito errado.
Sagrado é o amor se nele mora,
Embora longe; ás vezes calado,
Separado, ele nunca sai ou vai embora.

Sem hora o sentimento; ele é forte,
Dá norte, traz pra gente uma saudade,
Sem maldade vem; há quem não suporte,
O corte é fingir, foge a verdade.

Lealdade em sentir; e tão absoluto,
Fruto que nasce em gomo de feitiço.
Viço que em nada deve ser poluto.

Indissoluto; causa reboliço.
Postiço; o não afeto é algo bruto,
Fajuto faz sofrer e é mortiço.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 15/11/2017


domingo, 12 de novembro de 2017

Ré feição

Ré feição

Pincel; meu coração te delineia,
Veia, tinta, perfeito o tal painel,
Céu do teu olhar que o meu, só devaneia,
Desnorteia-me em teu rumo sem véu.

Papel pele, sensível esperneia,
Nua teia cobre-te por meu léu
Rapel, contorno; a boca que tateia,
E proseia silêncio, assim pinel.

Anel nos lábios numa paz chuleia,
Entremeia sentires  a granel,
E num tropel de cores que gorjeia.

Cheia lua, alma, pulso é corcel,
Tendel na carne, feito sol na areia,
É ceia de nós; templos e motel.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG – 11/11/2017




domingo, 22 de outubro de 2017

Escre(vi)ver


Escre(vi)ver

No mundo de mim, tanto sentimento.
Vento forte em querer e de ousadia,
A poesia aqui, em assentimento,
Sem lamento, viagem fantasia.

Alegria e tristeza no papel,
O céu desce, o chão sobe; uma loucura,
A ternura borbota feito mel,
O fel da angústia nunca mais tortura.

A soltura de versos e entrelinha
Linha de verdade por tanto amar
Voar em pensamento; desalinha.

Minha saudade, meu eu no meu calar,
A pintar avesso, o lápis se alinha,
Uma palinha aqui pra me acalmar.

ღRaquel Ordonesღ  #ordonismo
Uberlândia MG 22/10/2017


sábado, 21 de outubro de 2017

Lixeiro


Lixeiro

Correndo pelas ruas; trança-trança.
Lança-se seguro ao caminhão,
Desce e sobe cidade inteira avança,
E se cansa. Chão ao alto, alto ao chão.

É ação permanente, noite e dia.
É ousadia em rir cantarolar,
Passar um tanto célere, judia,
Desafia; o seu corpo a difamar.

Ilustrar seus caminhos, assim faz,
É cartaz. Limpa tudo no capricho,
Tem buchicho: é coisa que lhe apraz?

Atrás da condução com ganho micho,
É nicho com mau cheiro, tão mordaz,
Putrefaz valor, coletor de lixo.

ღRaquel Ordonesღ  #ordonismo
Uberlândia MG 21/10/2017

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

A poesia faz bailar as letras


A poesia faz bailar as letras

Borboleta ao vento qual bolero,
Esmero, carimbó, saia, veneta,
Careta d’um funk, nem enumero,
Severo balé, passo, silhueta!

Letra que valsa em versos; destempero,
Libero a mente, sambo em etiqueta,
É cagueta entrelinha, em salsa espero,
Lero com frevo, linhas, pirueta.

Sineta pagodeia, em xote impero.
E reintero com verbo ‘break’, baqueta,
Faceta de forró; zumba; eu exagero.

Quero tango em poema violeta,
Greta d’alma dança, não pondero,
É vero: jaz-me jazz, rege a caneta.

Raquel Ordones  #ordonismo
Uberlândia MG 19/10/2017




segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Tanto, tanto que as teclas desbotam...


Tanto, tanto que as teclas desbotam...

Recursivo eu, quando ao digitar-te.
Gostar-te é meu verso intransitivo.
Objetivo maior meu: deleitar-te,
‘Start’ no coração; superlativo.

Adjetivo à ti, nunca me falta,
É pauta; na minha alma substantivo,
Seletivo de mim, minha tez salta,
Assalta-me víscera em coletivo.

Afetivo meu e teu num esbarrão.
É emoção, botão apagado; ativo.
Paliativo não. Nós, profusão.

Ação de corpos. Corpo a corpo: vivos!
Abrasivos: ideia e sensação.
Digitação e sentires, taxativos.

Raquel Ordones  #ordonismo
Uberlândia MG 15/10/2017



sábado, 14 de outubro de 2017

Um palco giratório vive em mim


Um palco giratório vive em mim

É cedo; amarrotada em travesseiro.
Primeiro raio em sol mostra segredo,
Medo não tem; descalça ao banheiro,
Chuveiro me demuda: extrai-me o azedo.

Dedo do dia à cara me aponta,
Pronta? Precisa agir em outra cena,
Pequena sinto, o mundo me faz tonta,
E desmonta-me a cada instante; pena.

E serena me finjo noutra ação.
Portão se abre e eu tablado de jasmim,
Jardim, ora murcha, ora floração.

Então, lá fora tantos eus; sem fim,
Em mim o palco gira: apresentação,
No vão venho e vou, pois sou sempre assim!

Raquel Ordones  #ordonismo
Uberlândia MG 14/10/2017

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Crescemos sem tantas respostas


Crescemos sem tantas respostas

A proposta seria a meia verdade,
Crueldade! Prendiam as respostas!
As costas davam. _Eles não têm idade!
Sinceridade? São regras impostas!

Expostas as perguntas; sem retornos,
Contornos para não cair no exame,
Reclame? Nem em forma de subornos!
Em torno disso, tem sempre um certame.

Enxame de porquês e indagação,
Explicação? _A metade recebemos,
Erguemos assim, nessa construção.

Uma urbanização; conceitos temos,
Adolescemos; dúvidas então.
Educação? Foi assim que nós crescemos.

Raquel Ordones  #ordonismo
Uberlândia MG 13/10/2017



quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Borboleta

Borboleta

É leve, transparência. Da janela,
Bela, de exuberância muito breve,
Atreve-se aos ventos e procela,
Na viela, nas matas, poeta escreve.

Deve cuidado; pois é preciosa,
A rosa agrada e abona com essência,
Em existência célere e garbosa,
Silenciosa em sua permanência.

É urgência em viver, na brisa dança,
E balança no espinho, ora nos galho,
No orvalho sem receio ela se lança.

Trança lufas, nas flores do retalho,
Entalho em lenha; rima à mudança,
Em andança marcante, chão e carvalho.

Raquel Ordones  #ordonismo
Uberlândia MG 12/10/2017


sábado, 7 de outubro de 2017

Devorando livros

Devorando livros

Mas o livro era sobre o que? _Não importa.
Torta, animais; gibis; lutas; didático.
Pragmático ser, seu mundo transporta,
E corta a estupidez; ora lunático.

Prático viver; ler é alimento.
É sustento da mente, bel-prazer,
Crescer em escarcéus de entendimento,
Vento astuto bem antes de morrer.

Saber era vício, uma enciclopédia,
Média? _Não, muito, muito acima dela!
Janela para o mundo, fora acédia.

A comédia com garfo ou colher mela,
Zela à oração se é tragédia,
Em sédia: feijão e livro na panela.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 07/10/2017



quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Adormeço...

Adormeço...

Estendo teu carinho; meu lençol.
Caracol, teus cabelos: travesseiro,
Cheiro de sonhos fisga qual anzol,
Bemol na voz, olhar bem feiticeiro.

Primeiro, a blusa ponho num encosto,
Rosto de uma expressão muito feliz,
O nariz empinado bem a gosto,
Exposto corpo; sou uma flor-de-lis.

Miss em desfile, tênue facho em luz,
Nus eus nas mãos do sono, paraíso.
Deslizo na fragrância que seduz.

Capuz da alma eu desato, é preciso,
Improviso-me abrigo; paz conduz,
Reduz abalo, durmo em teu sorriso.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 05/10/2017



segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Soneto para o vovô


Soneto para o vovô

Da flor, uma semente, se ergue flor.
Amor dobrado, se isso é possível,
Incrível o botão, quanto calor,
Louvor. Perpetuar é indizível.

Visível alegria; gratidão.
Emoção descabida, um vendaval,
Anormal está, foge a explicação,
Coração fica tolo e colossal.

Portal se abre; de novo se abre, enfim,
A fim de uma porçãozinha do céu,
Carrossel de brinquedo e doces, sim!

O jasmim no varal. Chupeta, mel,
Véu cobre o sono. É seu querubim,
Timtim, vovô! E não fique pinéu!

Raquel Ordones #ordonismo



Uberlândia MG – 28/09/2017

domingo, 24 de setembro de 2017

Cotidiana (mente)

Cotidiana (mente)

Nos cafés das manhãs, nosso carinho,
Desalinho de nós, nossos cabelos,
É novelo de versos, lençóis, ninho,
Selinho em verbos. Ah, é tão bom tê-los.

Pelos eriçam, cheiro de café,
Pé descoberto; sonhos, odes trufas,
Pantufas quentes, chá, nosso chalé.
Cabaré: come e bebe. Nossas lufas.

Bulhufas se o sol abrolhou, ou se chove,
Move em nós alimento; só sabor.
Calor nas gotas; é nós, raios love.

Prove-me. Aprovado está em seu ardor,
Flor que rima nossa mesa. São nove.
Sove seu dia ao meu, o nosso humor.

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG 23/09/2017



terça-feira, 19 de setembro de 2017

Nas asas da poesia


Nas asas da poesia

Pena? _Não. Só há uma ventania,
É fonia por dentro: quente e amena,
Acena imaginar em demasia,
Histeria de verso; desordena.

E despena minha alma, extrai e copia,
Seria o tal plainar em linha e cena.
Arena em flor, pecado, ave-maria,
Iguaria de anseio, até obscena.

Terrena, célica essa tal sangria?
Periferia ou centro nada apequena,
Plena, absoluta. Late, uiva e pia.

E teoria alguma aclara; epicena.
Morena que avassala; a poesia,
Arrepia. Versar: voo que aliena...

Raquel Ordones #ordonismo
Uberlândia MG



foto: Greg Ordones

arte:  Dequete

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Ninguém pode com esse tal bebê...

Ninguém pode com esse tal bebê...

“Dorme neném que o bicho vem pegar.”
_Azar, pois pode até se arrepender!
E fazer o que? Eu vou lhe amedrontar!
Calar? _Isso não irá acontecer!

Entender a mamãe, nem está dando mais,
Aliás: esse bicho não existiu,
#Partiu realidade.  É demais!
Ademais, meu amiguinho não viu!

Riu! _Também não há boi da cara preta!
E careta melhor não tem quem faça!
É massa essa crendice, tão obsoleta!

Porreta mesmo é a cegonha, passa!
Graça alguma! Mamãe dá a chupeta?!
Na gaveta. Cuidado, olha a pirraça!

Raquel 0rdones #ordonismo
Uberlândia MG