segunda-feira, 27 de abril de 2026

Das dores verdadeiras

 

 

É, às vezes nem dói tanto os atos em si.

Vi: não temos juiz se levamos a falta.

Pauta: erga, cate seus cacos; saia daí.

Entendi que somos por nós; céu é ribalta.

 

Astronauta em nossas luas, e por aí;

Percebi que é vítima quem nos assalta.

Exalta a não culpa:  sou inocente! Isso ouvi.

Cri, são tantos pênaltis sofridos em lauta.

 

Incauta; tons pontiagudos recebi;

Feri, mas decretei ao casco:  esteja em alta.

Ressalta a minha força; de mim, exigi.

 

Segui; reavaliei a ação; um alívio salta.

e na flauta de mim, o meu som escolhi.

Aprendi meu autoconhecimento me esmalta.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

... “o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas.

A dor dele faz parar o mundo.

Um mundo cheio de dores verdadeiras para perante a dor falsa...”

 

Mia Couto

 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O sabor do seu cheiro


 

O seu olhar me trouxe um aroma de inocência.

Adolescência verte meus poros; inala.

Cala pra sentir a fragrância em escorrência.

a turbulência perfumada em alta escala.

 

Bala, hortelã seu beijo, o melhor da existência.

Preferência minha? Tudo seu em mim resvala;

Abala a estrutura; excita minha carência.

Essência de entrega; aromal que me acasala.

 

Gala, pele em balsâmica desobediência;

ardência; aroma do desejo e a carne fala.

Embala num prazer louco de inconsequência.

 

Potência o seu perfume; tudo me intercala.

Regala o odor, seu tesão doce violência.

Exigência: exale os seus cheiros, me avassala.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Sabores e cheiros

recheios que saem da alma e

temperam a carne.

segunda-feira, 20 de abril de 2026

Vez em quando mergulho em mim


 Ao tomar café hoje, sentei comigo.

O trigo na mistura do pão era apurado.

Purgado como nunca, dizer nem consigo.

Digo; jamais o percebi assim acurado.

 

Ourado um girassol num vaso bem antigo;

Abrigo pro meu olhar ali estacionado.

e pausado num sentir que quase mastigo.

Ligo o rádio; Djavan me adentra ensolarado.

 

Calado, meu ser encontra meus eus; prossigo.

O inimigo está em mim; é sempre encontrado.

Ousado, o paro; não o vejo como castigo.

 

Desligo o rádio, um alívio vem murmurado.

Tocado o coração, precisa desse amigo.

Artigo de luxo: esse tempo ao meu lado.

 

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Hoje me contei uma história.

Há tempos não me fazia rir.

Encontrei comigo no passado.

 

 

sábado, 18 de abril de 2026

Estamos na mesma página


 

Start: pela manhã, virei a página do dia.

Alegria ventando, folha em toda parte.

Encarte de flores; seu sorriso irradia.

Magia em cada escrita da vida; linda arte.

 

Reparte o tempo, sua voz é melodia.

Ousadia em cada passo; do mal, descarte;

Aparte; eu e você em robusta poesia.

Fantasia e fato lia; e sem fechar-te.

 

À parte e juntos, o nosso conto historia;

Cria no espontâneo uma viagem a Marte.

Abraçar-te além da prática e teoria.

 

Epifania do nosso sentir; destarte.

Amar-te é o texto, linha em sintonia.

Lia a gente na mesma página; a pulsar-te.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Um despoema

 

 

Soberba à frente do poder

 

sem tempo, briga por ele; dono do mundo.

No fundo e no raso é um ser bem mimado.

É debochado, vil, um imbecil profundo

Imundo de alma; das trevas alienado.

 

Coroado por si na lei do seu submundo.

Infecundo de bondade; de paz lesado.

Dissimulado; dos quintos é oriundo.

Vagabundo de caráter; faz do outro, gado.

 

Desnaturado, briga pelo do outro afundo.

Corcundo de amor, por poder é obcecado.

Sagrado de primórdios, macula em segundo.

 

Secundo de guerra; um louco todo inspirado,

Carregado do mal, do bento há desbundo;

Confundo-o com um monstro endemoniado.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

rio seca,

flor fenece,

se a fonte é o canal.

 

 

 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Sobre beleza...


 

Ela vem de dentro; no verso aflora.

Ora se mostra em lágrima, que toca.

Reboca de sensação que valora,

Reflora pele a fora; e nela entoca.

 

Foca em leveza que na alma mora;

Amora do amor; doce que não troca.

Estoca a simplicidade que enamora.

Cora de todas as cores; encanto que choca.

 

Aloca, gente gentil, sem demora.

Vigora coração, gostar que evoca.

Coloca semente, sem motivo e hora.

 

Ora, beleza inocente se emboca.

Provoca, é uma coisa: alma afora.

Tutora, e a empatia nunca sufoca.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

“Beleza interior

Não é pra qualquer decorador

Não é vista, é sentida

beleza de dentro sustenta.”