sábado, 31 de outubro de 2026

É remédio, sabia?

 

 

Via de onde estava sentada, um aceno.

Pequeno livro; o vento, a página abria.

Surtia vontade, de querer tão pleno.

Alieno; imerjo naquela grafia.

 

Abria a página de jeito sereno.

Dreno a voz de tinta e papel; ousadia.

Havia segredos; mágico terreno.

Engreno; era análoga a uma terapia.

 

Entupia a alma de imagens jeito ameno.

Obsceno de beleza; uma poesia.

jazia no silencio e sem veneno.

 

Moreno o conto; alto. De presença esguia.

Perdia; letra e víscera, sem esqueno.

Ibuprofeno nato. Ler, alivia.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

O livro sorria

então gargalhei de volta

estamos felizes

 

da série: Haikel’s

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Do que é feito o amor?


 

Do que é feito o amor?

 

_ De fortes desejos;

Exagerados cuidados;

Demoradas saudades,

Silenciosas orações;

Infinitos quereres;

Espaços de felicidade;

Relâmpagos de ciúmes;

Tantas as loucuras;

Pitadas de paixão;

Porções de pecados;

Volumes de esperanças;

Cachoeiras de sonhos.

Céu, sol, estrelas, beijos;

Trançados de abraços,

Desesperos de distâncias;

Calor, ventos e feitiço.

Colo, asas, casa e sexo,

mas não é só isso...

 

Raquel Ordones

Soneto “cute cute”


 

No galhinho verde, há um minúsculo ninho.

Passarinho bebê, acorda e quer papar,

voar ainda não sabe, é pequenininho;

o carinho da mamãe? Ela só faz amar.

 

Buscar comidinha, sabe bem o caminho.

Bichinho e frutinha: em gostoso almoçar.

e cantar? Ele tenta; já canta um pouquinho.

Canarinho, tem linda voz a engatinhar.

 

Papar? Quer a todo instante; é gulosinho

Filhotinho sonha com a mãe passear.

Cuidar? Faz isso muito bem; e direitinho.

 

Pulinho aqui, outro acolá; sempre a saltitar;

Vamos jantar? É biquinho com o biquinho;

Que soninho! Mamãe o coloca pra nanar.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Que coisa pequena!

já nascendo tantas penas.

E depois vai embora.

 

Da série: Haikel’s

 

sábado, 17 de outubro de 2026

A vida tem dessas coisas; mas a gente segue

  

Coração deseja, mas a vida diz: não pode!

Que bode! O coração sonha; a vida vem e corta.

Torta maneira é essa; broxa e nos implode.

Acode, Senhor! Ninguém com a gente se importa.

 

Porta fecha na cara; o nosso sonho sacode.

Explode a raiva; por que não? Isso só desconforta.

Entorta o caminho; então a gente torce o bigode.

Acomode quem quiser, eu não! Eu não estou morta.

 

Conforta saber da força, do amor; não se engode.

Pode aceitar? Não! Conexão linda não se aborta.

Desnorta; mas esse proibido merece essa ode.

 

Pode? barreira invisível que no peito aporta;

Aorta engarrafa sem vento, num quase enode;

Rode; se é distância; a atitude reconforta.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

o coração quer,

mas a vida desafia

o choro aparece

 

Da série: Haikel’s

 

domingo, 11 de outubro de 2026

No toque, um choque gostoso

 


 

Há um carinho doido no contato brando,

Tateando o cheiro, o gosto com poesia;

Magia; corpo que desperta fogueando,

Margeando em sentidos; pureza e ousadia.

 

Arrepia até; no toque, um ardor gritando.

Fritando com leveza a pele outrora fria;

Dia, noite; espanca com desejos em bando,

Delirando e calado o encontro que chovia.

 

Envia à carne; já quase devorando;

Atiçando as vísceras que nada abrevia.

Escrevia o poeta: tesão germinando.

 

Acelerando o pulso; a mente rodopia.

Atrevia; todos os toques se encontrando.

Divando inteira, uma cócega bem vadia.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

toca pele em pele

mão com segunda intenção

todo o corpo acende

 

da série: Haikel’s