terça-feira, 18 de agosto de 2015

Escre(vi)vo


Escre(vi)vo

Às vezes não devo,
Mas escrevo lascivo.

Escrevo morno também,
qual brisa de fim da tarde,
que nem arde.

Escrevo frio, sei lá! no verão.

Ora abrasador no inverno.
Com o coração estação!

Escrevo folha seca de primavera,
E com flores no outono, enlevo.

Suavemente escrevo borboletas,
em relevo: amarelo, azul, pretas,
Ora denso... tempestade,
cinza letras.

Sou inconstante mente,
mutante;
Humana mente,
na pluralidade dos meus eus
e de alma única!


Raquel Ordones
Uberlândia MG 12/08/15

Esse poema era para você...

Esse poema era para você

Fui ao fundo de mim, campear meus sentimentos,
Vasculhei cada canto para transportá-los ao papel,
Briguei com a caneta:_ Foque, quero rendimentos!
E não se faça de desentendida, não escreva ao léu!

Enfeitei cada curva da letra, corações e florzinhas,
Engomei as palavras, as deixei tinindo, um brilho,
Desnudei-me por inteiras nas linhas e entrelinhas,
Dei a luz pedaço por pedaço de mim, poema-filho.

Exprimi meus eus, expondo todos os meus poros,
Espremi da minha tez sua essência em estamparia,
Imprimi de mim os versos de você; a pura gritaria.

E fiz contornos realçados no papel, pintei os toros,
Vi-me impressa em amor, tudo de mim aos molhos,
Perdi o trabalho; você leu tudo isso em meus olhos.


 Raquel Ordones
Uberlândia MG 14/08/15

Saudade de ser menina

Saudade de ser menina

Saudade é essa marca que fica dentro da gente,
Esse para sempre gravado na alma e toda parte,
Essa coisa que bate à porta de um jeito inocente,
Esse passado e presente brincado e fazendo arte.

Saudade de ser menina de cabelos desgrenhados,
Ora uma trança, um rabo de cavalo e pé no chão,
Uns vestidos na canela com tecidos estampados,
Uma alacridade, o sorriso que nascia do coração.

Saudade de ser menina, uniforme branco e azul,
Saia rodada e plissada, cadernos num embornal,
Conga marinho bico branco e na escola o jogral.

Saudades de ser menina, sem destino norte e sul,
Sem compromissos, quase livre feito passarinho,
Deus no céu, papai, mamãe a guiar meu caminho.


Raquel Ordones
Uberlândia MG 17/08/15

Telefonemas que não fiz

Telefonemas que não fiz

Foram tantas palavras guardadas, não quiseram sair,
Ou quiseram? E fui eu quem não as deixei propagar,
Tanta verdade engolida, talvez causasse o teu sorrir,
Desceu-me garganta abaixo com um gosto de chorar.

Quantas vezes peguei o telefone e não tive coragem,
Quantos sentimentos arquivados perdendo o sentido,
Quanto amor quebrando silêncio, pedindo passagem
Quanto querer; tanta saudade e tanto tempo perdido.

Quantas madrugadas me senti só e te ouvir precisava,
E quantos gritos engoli, quantos emoções eu camuflei,
Quanta coisa sentia e na hora só me vinha: Eu não sei!

Quantos anseios abortados, quanto mal me acarretava,
Quantas vezes o receio me constrangeu e eu não quis,
_Havia tanto “eu te amo” nos telefonemas que não fiz.


Raquel Ordones
Uberlândia MG 18/08/15

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Rede social

(imagem do Google)
Rede social

Terra de todos, terra de ninguém,
Uma realidade carregada de fakes,
Desbotadas e abarrotando makes,
Gente maneira e que quer o bem,
Gente do cão, carregado também,
Cadê o botão para clicar que odiei?
E a privacidade onde está, nem sei?!
É esperar muito uma vida privada,
Às vezes uma casinha destampada,
Eu que aguente, porque me cadastrei?

Gente que posta o dia todo: Jesus!
Olha que as conheço, não é assim,
No dia-a-dia é uma guerra sem fim,
Excomunga o mesmo pela sua cruz,
Não enxerga em nada nenhuma luz,
Cadê o botão para clicar que odiei?
E a privacidade onde está, nem sei?!
É quase um esgotar ao céu aberto,
Não sei o que dizer sobre, ao certo,
Eu que aguente, porque me cadastrei?

Pessoa se passando pelo que não é,
E fotos roubadas no perfil ela bota.
Vai fazer alguém de trouxa, idiota,
Está cheio de “podrinho” e “Mané”
Falta de respeito sabe como é que é!
Cadê o botão para clicar que odiei?
E a privacidade onde está, nem sei?!
Porque eu não escrevo um diário?
O português pede outro dicionário,
Eu que aguente, porque me cadastrei?

É  gente sem nenhuma consciência,
Quase posta selfie fazendo um e dois,
Não aceitam nenhuma critica depois,
Deus!Precisa-se de muita  paciência,
Fora os: oh vida! oh azar! Sofrência,
Cadê o botão para clicar que odiei?
E a privacidade onde está, nem sei?!
E é tanta gente fina sendo petulante,
Gente humilde sentido se importante,
Eu que aguente, porque me cadastrei?

Chão de coisa interessante e porcaria,
De imagens perfeitamente admiráveis,
De coisas deprimentes e insustentáveis,
De política e a sua história de anarquia,
Família, festa, namoro, vídeos e folia,
Cadê o botão para clicar que odiei?
E a privacidade onde está, nem sei?!
É gente que aparece para fazer intriga,
Tem tanta gente adoravelmente amiga,
Eu que aguente, porque me cadastrei?

Tem pessoas lindas que eu conheci,
E tantos amores que se externaram,
Tantas alegrias que ali começaram,
Perdidos que foram encontrados, vi,
Lindos poemas e mensagens que li,
Cadê o botão para clicar que odiei?
E a privacidade onde está, nem sei?!
Ferramenta, impregnando de carma,
Nas mãos erradas tornando-se arma,
Eu que aguente, porque me cadastrei?

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 10/08/15



Saudade

Saudade

Sabe quando você sente algo enorme no peito,
Que se esparrama por todo o ser então entorna,
Um ar que sufoca, ao mesmo tempo é rarefeito,
Às vezes tão leve, outras vezes se faz bigorna?

E sabe quando existe alguém dentro do seu ser,
Que você precisa com urgência tirá-lo para fora,
Quando você acha que simplesmente vai fenecer,
Quer o corpo, o toque, o beijo e carinhos, agora?

Sabe quando a lágrima fica fácil e há riso ligado,
Quando esse sentir faz de você alguém boboca,
E quando você fica meio voado e em nada foca?

_É tão bom o coração com tudo isso carregado,
Mas a melhor parte desse sentimento embutido,
É saber por esse alguém que ele é correspondido.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 11/08/15


domingo, 9 de agosto de 2015

Notas sobre mim...


Notas sobre mim...

O dia foi tão habitual, era quinta feira; já tinha ouvido aquele canto do passarinho noutra manhã, talvez ele só tivesse aquele arranjo, talvez fosse a sua composição primeira e única.
O sol era o mesmo de sempre, talvez um pouco mais velho e mais quente, não tão diferente de outros dias, ele não tem marcas visíveis do tempo.
As nuvens não vieram, ele reinou o tempo todo sozinho em sua poltrona áurea.
O vento eu não sei ao certo, é tão efêmero, tão sem apego, talvez fosse novo por aqui, porque o de ontem talvez esteja longe, mas sem certeza. Eu não sei se ele volta, também jamais saberia, caso ele retorne, a essência seria outra.
Aquela árvore em frente ao meu portão, eu tenho certeza de que não era a mesma, ali no chão haviam várias folhas desfalecidas ressecando, ainda assim ela bailava, talvez por estarem nascendo outras folhas novinhas no rotativo do seu existir. Não vi seus olhos, mas o verde tinha brilho.
A caixa de e-mail, nada tinha em negrito, com algumas correspondências antigas, mas não estava esperando nada importante.
Somando os versos escritos, formou-se um soneto, não o melhor deles, ainda assim, interessante. Um risco aqui, outro rabisco ali cosendo poesia com linha colorida.
A noite chegou com frescor, a pele arrepiava isso; a lua luxuosa e singular em sua cátedra rodeada por uma ciranda de estrelas.
_ Tão bom vê-las!
O interruptor é desligado, o escuro abanca-se do quarto, quebrado apenas pela luzinha do modem.
_O Silêncio e o escuro se dão tão bem, incrível!
E se você me perguntar!
_Cadê as notas sobre você?
_As minhas notas? Não nota? Estão espalhas por todo canto, com DÓ da tristeza, pelas bandas do SOL.
FÁ LÁ – MI SI é capaz, não as percebe? Então anota:
_Quero ser até depois do depois a RÉ sem nenhum arrependimento dessa emoção;
Eu nunca disse que era o meu amor, mas sempre fiz questão que soubesse disso.

Raquel Ordones

Uberlândia MG 06/08/15

Pa(s)sarinho

Pa(s)sarinho

Parreiras, pomares
Perpetram purezas
Paredões, palmares
Profanam prestezas.

Passarinhos pousam
Porões, paus, portais
Prédios, pedra, pisam
Pequenos pés pardais.

Por perto paira pena
Permanência, poeira
Passarinho poleira.

Piu! Preleção plena
Protestando paz, pia
Pede: preciso poesia.

Raquel Ordones

Uberlândia MG 06/08/15

Sabe do que tenho vontade?

Sabe do que tenho vontade?

Quero poder andar livre pelas tuas ruas
Sentir olor e espalhar-me em teu jardim,
Quem sabe poder ser uma das tuas luas,
E arrancar teu irrefletido sorriso marfim.

Ter acesso em tuas cercas, teus portões,
Ter a chave das tuas portas e aposentos,
Subir e descer tua escada sem corrimões,
Morar na gaveta dos teus pensamentos.

Poder pintar e bordar  teu teto e parede,
Assentar-me em tuas cadeiras e poltrona,
Distante de me apoderar ou ser tua dona.

Tenho vontade de dividir contigo a rede,
Talheres, copos; porque não a tua cama?
Ser inquilina de ti, louca, mas que te ama.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 09/08/15


quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Não se maquia o amor

Não se maquia o amor

Se não existe amor, é inútil o seu invento,
Não há gloss algum que realce seu brilho,
É como se prendesse entre dedos, o vento,
Canção sem rima, de mau gosto estribilho.

Não há base que acoberta as deformidades,
Em um delinear cheio de vazio de um nada,
É um pó compacto que anoitece claridades,
É um rímel que borra... À cegueira fadada.

São máscaras que ofuscam toda a essência,
Blush faz-se escorrido por lágrimas quentes,
Entristece olhos a lápis preto, não atraentes.

É inacessível o salão; ou difícil permanência,
O batom reflete no espelho um falso sorriso,
Imo falso necessaire não maquia um paraíso.


Raquel Ordones
Uberlândia MG 04/08/15

Colheita

Colheita

Carinhosamente cavo, causa colocação,
Cada canto cabe coroa, clorofila, cores,
Composto com calcário cobrindo chão,
Camélias, centáureas carreando calores,

Corajoso carvalho cobre céu com cisão
Cacto crespo choraminga caso cerceado,
Cipreste com copa cabeleira, coloração,
Curto caminho com carreiro cascalhado.

Cato cachos com cravos creme, corais,
Corto caule crisântemo carinhosamente,
Cantarolo com coração, coisa contente.

Canteiros construídos, correnteza, canais,
Cesta, capa, chapéu, cabeço cultivo cabal,
Chuva constrói cenário, carinho celestial.

. Raquel Ordones
Uberlândia MG 06/08/15




sexta-feira, 31 de julho de 2015

Palavra e música

Palavra e música

Os acordes da alma vibram em sino,
A tinta da caneta a enodoar o papel,
Canção se compõe em um traje fino,
Como se colasse cada estrela no céu.

Expõe o que vem de dentro, melodia,
Em cada termo tem o seu tom devido,
O sentir se joga com notas na poesia,
De volta à alma adentra pelo ouvido.

Agora patente esse pensar, tão nosso,
Identificado por pensares de alguém,
Enlaçadas palavras, são deles também.

A música se faz e nem sei se eu posso
Si fá e lá se beijam sem dó abaixo de sol,
Mi presa qual ré em sustenido e bemol.

Raquel Ordones

Uberlândia MG 30/07/15



E me deixe dançar...

E me deixe dançar...

E retire os seus pés, mundifique a pista,
Dilate o espaço, me conceda respiração,
Quero bailar comigo, versar conquista,
Tiro-me a dança e cedo-me minha mão.

E quero pagodear com os meus anseios,
Em balé com a alegria na ponta dos pés,
Valsar lentamente com meus devaneios,
Com todo o agrado, mostrar o meu jazz.

E quero sambar assim na cara da tristeza,
Rodopiar e de toda maldade desatar o nó
Quero dançar com minha loucura, forró!

Embalada em tantos ritmos, com sutileza,
Quero jogar meu corpo em som desligado
E me perder no silêncio de um funk calado.

Raquel Ordones

Uberlândia MG 31/07/15

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Vendaval de mim

Vendaval de mim

E não sei se vem chuva ou somente poeira,
As nuvens de solidão se desgarram de mim,
E as minhas telhas balançadas na cumeeira,
Dançam em gafieira minhas flores no jardim.

Os agasalhos de mim se enrolam nos varais,
E os prendedores de sentimentos se soltam,
Papeis branco se fazem poesias tão naturais,
Asas de borboletas inutilmente se esforçam.

São folhas, ora aqui, ora já se vão distantes,
Algumas em cores, outras tão secas e mortas,
Eu sem força para botar ferrolhos nas portas.

E quase sem respirar me perco nas variantes,
No balouçar das minhas ondas de sensações,
No vendaval de mim tem você aos turbilhões.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 29/07/15


segunda-feira, 27 de julho de 2015

Nem tão distante assim...

(imagem do Google)
Nem tão distante assim...

Ali no passado, não tão distante havia uma rede no alpendre onde a gente se encantava com o espetáculo no céu, onde era nos contado a estória daquelas três estrelinhas juntas chamadas: três Marias e o deslumbre com a lua.
Às vezes nas noites enluaradas o passeio a cavalo ou na charrete em visita aos vizinhos, grilos e corujas e aquele assovio do pai.
Nas manhas aquele cheiro de estrume de vacas recém chegadas para a ordenha.
E naquelas tardes quase lilases o barulho do monjolo quebrava o silencio.
Acordava-se muito cedo em dia de matar aquele porco da engorda; era a hora de abastecer a dispensa. Talvez o galo se perdesse nesse dia.
Com folhas secas de bananeira sapecava-o e aquele rabo torradinho era disputado.
Fazia-se linguiça, como era interessante aquele processo, até mesmo o bucho tratado era recheado e o sabor era indescritível. Talvez um sabor de mãe. 
No ar aquele cheiro de tempero forte e a fumaça da lamparina.
Antes mesmo do almoço, era levado um pouco de agrado aos vizinhos em pequenas vasilhas cobertas com folhas verdes também de bananeira.
Essa quebra de rotina simplesmente virava festa, “éramos felizes e não sabíamos.”
Nem tão distante assim... Quantas selfies guardadas na memória de mim.


Raquel Ordones
Uberlândia MG 27/07/15


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Ainda vejo em mim

Ainda vejo em mim

Olhando ali no passado me vejo,
Nem parece tão passado assim,
Então rememoro o meu gracejo,
É que tudo está dentro de mim.

E as brincadeiras tão inocentes,
Em amplos terreiros com varais,
Banhos de rio em tarde quentes,
O contato com matas e animais.

O pique - esconde e as correrias,
Mamãe chamando para o banho,
_Sem teimosia, senão eu apanho.

Crepúsculos saturados de magias,
Rodas, bolinhas de gude,  peteca,
Ainda guardo, ursinhos e boneca.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 23/07/15


quarta-feira, 22 de julho de 2015

...

(imagem do Google)

E me deu vontade 
de escrever 
sobre algo tolo,
Talvez receita de bolo
Ou sobre o pão e miolo.
Não sei, 
Isso ocorreu agora mesmo
Quem sabe falar do torresmo?
Ou da farofa a esmo?
E me veio à mente o angu,
Aquela couve do tutu,
com farinha de biju.
Não sei por que do alvoroço,
Seria pela hora do almoço?
Acho que é indução De Magela,
Não é leite com café na tigela,
É macarrão de panela.
Me veio na boca o grito
Quase me esqueço do ovo frito
Olha só quanto desejo!
Na alma o pão de queijo,
Eu nem queria rimar
Mas como esquecer o beijo?

Ai, meu Deus, comi o título!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 20/07/15


Essências e superfícies


Essências e superfícies

Por fora ela era tatuada e quase se podia tatear,
As suas linhas, as suas letras e os seus escritos,
Seus olhos de brilhos e lágrimas e o seu beijar,
Pé esquerdo, borboleta; boca ardente, céu agito.

Tudo foi gravado; para sempre, assim escolheu,
É... A sua superficialidade parecia tão profunda,
E desde pequena em um ramo intenso se ergueu,
Longe do borne das ervas daninhas, laia imunda.

Por dentro era tatuada, só com alma podia sentir,
A vida desenhou-lhe o caminho com diversidades,
Amores, decepções, paixões dores e intensidades.

Cada compartimento uma coisa; ela vivia a ouvir,
Nas suas lembranças o ontem se fingia guardado,
E suas expectativas no amanhã, quadro projetado.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 22/07/15


domingo, 19 de julho de 2015

O prazer é todo meu

O prazer é todo meu

Um olhar, uma palavra, talvez um toque,
A tua pele tropeça na minha, um arrepio,
O quente surge, no batom sem retoque,
O silencio morou ali, não se ouve um pio.

Os teus olhos emudeceram dizendo tudo,
A tua boca falava quieta e eu a entendia,
Nossas almas se descobriam sem escudo.
E uma lágrima escorreu; a vi virar poesia.

Senti ali a razão e a emoção de ser feliz,
Agora páginas nossas, os nossos rastros,
Tua lua; é meu sol, um do outro, astros.

E na tua expressão um  verso em chafariz
_Prazer em conhecê-la;  um choque deu!
_Engana-te, porque o prazer é todo meu.


Raquel Ordones

Uberlândia MG 19/07/15

Outros mares

Outros mares

Ele era uma graça, mas quando chegava a tristeza,
Ele acrescia o som da música no mais alto volume,
Puxava as cadeiras e arredava para um canto a mesa,
Tirava a tristeza para a dança, extraia-lhe o azedume.

E ele era do tipo: _ Sou de bem com a vida sim, e daí?
E duvido muito que a tristeza resistisse ao seu sorriso,
Seu jeito menino, ora responsável, ora não to nem aí,
Capaz de transformar um inferninho em um paraíso.

_Tristeza que se dane; não a chamei para minha vida,
E sambe comigo malandra, de você não serei refém,
Você é intervalo entre um sorriso e outro, está bem?

O meu mundo é o meu mundo, prefiro-o sem ferida,
Opto por almas prósperas, amor saindo pelos olhares,
E a vida me ensinou assim, ser nauta de outros mares.

ღRaquel Ordonesღ 
Uberlândia MG 19/07/15


Sonetando-o

Sonetando-o

Era gigantemente menino, e de difícil encaixe,
até porque não era parte, tampouco era peça,
acomodava-se de jeito completo sem rebaixe,
de uma integridade enorme, admirável a beça.

Era sem padrão, díspar de qualquer pessoa,
e despadronizado tinha somente uma opção,
ser ele e justamente o que de sua alma ecoa,
sagaz de que era impregnado de imperfeição.

Tinha nos olhos e na alma a visão da poesia,
era dono de valores vistos a longa distância,
era alguém que no ínfimo via a importância.

E era tão exato nas suas imperfeições; magia,
é que o amor que exalava o fazia tão perfeito, 
é alguém que me encanta, mora aqui no peito.

ღRaquel Ordonesღ 
Uberlândia MG 17/07/15

Na ferrugem dos dias

Na ferrugem dos dias

Em elos, sentimentos são correntes,
faz na alma franca, perfeita colagem,
e a falsa emoção se revolve evidente,
na ferrugem dos dias, sem blindagem.

Atitude no amor é alicerce, e inegável.

Na ferrugem dos dias o faz inoxidável.

ღRaquel Ordonesღ 
Uberlândia MG 19/07/15


quarta-feira, 15 de julho de 2015

O que quero é simples

O que quero é simples

Quero ser a tua paz, teu abraço confortante,
o teu porto seguro, inda não estando segura,
quero ser na tua vida um pouco importante,
é... Talvez fosse pretensão levar-te à altura.

Quero ser teu ouvir quando se fizer desabafo,
no teu silêncio eu quero ser a voz que se cala,
nos teus tempos frios correr para o teu abafo,
nos teus dias acres quero ser a apoucada bala.

Quero ser mão erguida em teu rumo; a ajuda,
singela flor de aroma delicioso em teu jardim,
ser para sempre em ti, virando a quina do fim.

Quero ser a tua fala, se a tristeza a fizer muda,
 teu crepúsculo, show de estrelas, noite amena.
é tão simples:_ Permita-me ser a tua pequena?

ღRaquel Ordonesღ 
Uberlândia MG 15/07/15


segunda-feira, 13 de julho de 2015

Momentos

Momentos

E são eles fragmentos de nossas vidas,
Ora doloridos outras vezes marcantes,
E às vezes nos fazem pessoas cindidas,
Ou nos fazem criaturas tão importantes.


Momentos são fatias de nós ou dilúvio,
Ora são sutis até passam despercebidos,
Ora definidos por um singular eflúvio,
Versos em luz da nossa poesia, tão lidos.


Momento é fragmento de tempo e além,
Passa ou fica; truculento, impar ou leve,
Só nosso, partilhado, demorado e breve.


Momentos: intitulados de vida também,
Enevoados ou em enluarado sentimento,
E para sempre no pino do pertencimento.



Raquel Ordones 
Uberlândia MG 08/07/15

Proseando ousadia

Proseando ousadia

E a vida sujeita a gente assim; quer ousadia,
em cada instante espicaça uma provocação,
a dor está na estrada amainada com poesia,
a gente pira para saber o que vai ao coração.

Se a gente topa um amor: viva a insanidade!
Esse atrevimento passa a ser coisa pequena,
e o desencontro de amores vem por maldade,
mas o embate de vidas faz a ocasião amena.

A gente avista flores; pouco além de espinho,
e sem pestanejar, então a gente se arremessa,
a gente quer tudo veloz; se juntos, sem pressa.

Ousadia, pobre da gente se não fosse seu vinho,
que em cada gole embebeda a gente e afronta,
é estado de viver que bole e faz a gente tonta.

ღRaquel Ordonesღ 
Uberlândia MG 13/07/15

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Notas sobre ele


Notas sobre ele

Nada artificial cabia nele, nada feito por fazer, gostava do sentir.
Naquele dia escreveu a mais perfeita poesia com todos os dedos.
Emocionante, de lágrimas até, coisas desconhecidas e os medos.
Tocou-a; suas mãos nas faces dela, e lábios dela nos lábios seus.
Ela se conheceu desfalcada de si, somente sobrou-lhe o silêncio.
Ele a despiu por inteira usando su’alma vestida de simplicidade.
Poesia lida, gravada na mente e diariamente repete-se a leitura.
E em máscara de dormir acordada sonha, pulsa-lhe essa loucura.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 05/07/15


sábado, 4 de julho de 2015

Estilista de sentimentos

Estilista de sentimentos

Em sua pose ele veste as letras a seu gosto,
Sua moda é tendência, poesia ele desenha,
Palavras desfilam; cada uma em seu posto,
Sensação alta costura que n’alma embrenha.

Ele cria suas coleções em qualquer estação,
São acessórios de si, figurino de seu interior,
É luz nas passarelas dos versos e no coração,
Delineia sentimentos; com ênfase no amor.

E uma a uma as palavras se fazem em show,
E com glamour e leves texturas elas brilham,
Poesias desnudam em celebridade e trilham.

Estilista de sentimentos a todo tempo faz gol,
É vitrine de vida exposta com palavra inquieta
É design de emoções, sua majestade: o poeta.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 04/07/15


sexta-feira, 3 de julho de 2015

Meus sonhos contei às flores

Meus sonhos contei às flores

E lindo é esse mundo,
A sorrir com lábios flores,
De brisa e com calores,
É um sorriso tão fundo,
Com um perfume profundo,
E flores que são tão lindas,
E que são todas bem vindas,
Nas pétalas suavidade,
Trilhos e felicidade,
Suaves fragrâncias infindas.

Contei meus segredos a elas,
Independente de cores,
Nem quis saber seus sabores,
Vermelhas e amarelas,
Eu não sei quais são mais belas,
E flores que são tão lindas,
E que são todas bem vindas,
Eu lhe abri o coração,
Falei da minha emoção,
Suaves fragrâncias infindas.

E elas enfeitaram meu dia,
Minhas noites, minha vida,
Cicatrizou a ferida,
Minha alma é poesia,
E mesmo na manhã fria,
E flores que são tão lindas,
E que são todas bem vindas,
E plantei jardins para mim,
Com milhares delas, enfim,
Suaves fragrâncias infindas.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 03/07/15


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Sozinha com a poesia

Sozinha com a poesia

Então ela pergunta com sua voz macia:
_O que seria de você sem mim, agora?
É realmente não sei responder, poesia.
É uma pergunta muito difícil, senhora.

_Se eu saísse de você, até logo dissesse?
Não sei o que faria; isso nunca imaginei.
Quando estou com você o céu me desce,
As flores dançam em show para astro rei.

_Se eu partisse, o amor como explanaria,
Pertenceria ao seu interior sem explosão?
Talvez eu morresse por dentro na solidão.

Porque tanta pergunta sua alteza poesia?
_E que tenho medo que lhe falte inspiração,
Eu não seria sem as coisas do seu coração.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 02/07/15