quarta-feira, 30 de março de 2016

Escravidão

Escravidão

Do período colonial ao império_ E sofre a pessoa,
Sons presos à garganta, sem liberdade e partitura,
Exploração da mão de obra negra no canto ressoa,
E foi assim chamada essa ocasião: De escravatura.

Os negros trazidos da África e índios aprisionados,
Na agricultura, atividades domésticas e açucareira,
E sem condições humanas dia e noite transpirados,
Vida de maus tratos com essa gente trabalhadeira.

As dores psicológicas e dores físicas: uma constante,
A maldade do senhorio era algo assim descomunal,
Aos índios veio a abolição por Marques de Pombal.

Aos negros, Princesa Isabel expôs sua importância,
Com a Lei Áurea, abolindo-os desse tal purgatório.
Hoje há: trafico de pessoas e trabalho compulsório.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 08/02/16 
Soneto infiel – sem métrica


Pedaço de jornal

Pedaço de jornal

E uma convulsão no pensamento,
A imaginação em loucos ataques,
Eu; isenta de nenhum argumento,
E a minha mente com piripaques.

Olhos num abre e cerra medonho,
E o semblante com a figura pateta,
A boca em meia lua, jeito risonho,
Prepara-se para dar a luz, o poeta.

E palavras se chocam, todas ao léu,
Encostam-se e vão se acomodando,
E o quebra-cabeça vai se formando.

Tão sem estruturas, caneta e papel,
O poema se pare, em parto normal,
Com  carvão num pedaço de jornal.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 27/03/16

Soneto infiel – sem métrica

As meninas dos meus olhos

(imagem do Google)
As meninas dos meus olhos
Rodam, rodam, rodam quando te vê
Vestido cor mel, o fita!

E se não... Chovo!

Raquel Ordones

sábado, 26 de março de 2016

...


Num toque teu, ti fiz casa, E me destes tanta vida
A borboleta tatuada em meu pé, bateu asas.


Raquel Ordones

Trans(pondo) barreiras

Trans(pondo) barreiras

O dia surgiu assim, meio sem cor, ou eu não quis ver,
Preferi conter minha imaginação, então deixei enfim,
Acontece; que algo dentro de mim queria acontecer,
Ficava me cutucando sem sossego e me falava assim:

_Ouça a cantoria do passarinho; parece estar tão feliz,
Talvez esteja cantando por estar de alma apaixonada!
_Veja aquela borboleta amarela pousada no chafariz,
Que leveza, tanta magia no voo, ainda que ali parada!

_Ah, sinta o milagre em cada pingo da chuva que cai,
Veja como é perfeito seu ritmo, na janela a percussão,
Vamos, feche seus olhos e sinta tudo com o coração!

_Você venceu, esse outro eu, aqui em mim sobressai!
Não resisti, eu não poderia perder todo esse espetáculo,
E não me perdoaria se eu fosse meu próprio obstáculo.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 22/03/16

Soneto infiel – sem métrica

Manha no café da manhã

Manha no café da manhã

Em lençóis se faz ali mesa posta,
A chama acesa, fervente em nós,
Os desejos tomados em resposta,
Cheiro instigante; baralha-se após.

Café e beijos, copos de pele macia,
Corpos esfregam; manteiga no pão,
Em deleite, o leite não se arrefecia,
Doce e gostoso, uma talha na mão.

Xícara mexida, da colher ao fundo,
Mexe, mexe e o sabor vem à tona,
Soados, enchidos, nocaute na lona.

Quatro paredes se tornam mundo,
Manha e manhã, termos sem nexo,
A fome se sacia num ato complexo.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 26/03/16
Soneto infiel – sem métrica



segunda-feira, 21 de março de 2016

Sabe por que eu gosto de você?

Sabe por que eu gosto de você?

Então, talvez nem eu saiba, mas há muito em você que me cativa,
Tenho deslumbramento pelo não costumeiro, ainda me maravilho,
Quando penso que não, estou eu surpreendida  em emoção ativa,
Gosto quando diz que eu o provoco, e um lembrar se faz estribilho.

Gosto do seu jeito não convencional, homem pedra, do embaraço.
Gosto da espontaneidade, de uma forma quase segura, não sendo,
Gosto quando fica vulnerável e quase tem saudade do meu abraço,
Gosto quando deixa escapar que meu beijo é memorável, me rendo.

Sabe; gosto quando do nada você tece o tudo, com tanta coerência,
E gosto tanto dos seus nãos quando está na cara que eles são sins,
Eu gosto de tudo, como começou; dos meios e dos impensados fins,

Gosto da criança que pede colo, do masculino com tanta experiência,
Gosto quando me faz palhaça, minha alma sorri com o que sempre lê,
E gosto quando me versa: ‘não há poema melhor do que sentir você’.

Raquel Ordones
 Uberlândia MG – 19/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

Ah, imaginação!

Ah, imaginação!

E passa pela gente provocante, e pisca, e insinua,
Bota a perna a mostra, bela silhueta de saudade,
Seios desnudos num perfume que espalha na rua,
Aparenta um ar inocente sem nenhuma maldade.

E volta ao passado, talvez querendo uma resposta,
Rebola de um canto a outro e ampliando as visões,
Dos retalhos às coxas, expõe-se e quem não gosta?
E ela provoca, provoca com gosto, tantas direções.

A imaginação perturba; refuça; faz da gente patetas,
Brincamos de cenas em meio à avalanche de desejo,
Então é esmiuçadora; escavaca até o primeiro beijo.

A imaginação e a inspiração trazem a tona os poetas,
Só eles as desnudam e as jogam com tudo em papel,
Bulinam; tocam entranhas insanas, rasga-lhe o véu.

Raquel Ordones
 Uberlândia MG – 16/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

As muitas de mim

As muitas de mim

Eu sou assim, nada nem ninguém me fará mudar!
_Mentira vai; você é variação e difere de outrora!
Não, o meu cerne é inviolável, nada de manipular,
_Ah, boba! Somos mutantes, por favor, não ignora!

Eu sou assim, nada nem ninguém me fará mudar!
_Não se engane, somos instáveis a cada situação!
Não, os meus princípios para sempre irei carregar!
_Fala sério?  Hoje todos eles têm outra definição.

Eu sou assim, nada nem ninguém me fará mudar!
_Cresça cria! Cada minuto se é uma nova pessoa!
Quer queira ou não, até se muda de má para boa!        

Sou assim, não me conteste, máquina a governar.
_Cuidado, trilhos e curvas, somos cônscios vagões!
Sem seus eus, disfarça o obvio, perde suas razões!

Raquel Ordones
 Uberlândia MG – 15/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

Triste(mente)

Triste(mente)

Mora em seu passado sem nenhuma perspectiva,
Fez de lá sua morada, fez para si zona de conforto,
E nada faz; sem nenhuma atitude e nada objetiva,
Simples assim, ergueu seu muro, fez seguro porto.

De olhos caídos, esbarra no amor, porém o chuta,
Não consegue avistar nada a sua volta, lamentável,
Reclama, mal diz o mundo como um ‘filho da puta’,
Então, ninguém se achega, tornou-se insuportável,

Não abre nenhuma janela, as portas só faz trancar,
Não move um sentimento de lugar, não tira poeira,
Vive no seu cercado, não conhece jardim nem feira.

É, tristemente, triste mente com mofos no pensar,
Tudo o que somos, depende da nossa chave e voz,
Conselho aponta trilho, o passo inicial parte de nós.

ღRaquel Ordonesღ
 Uberlândia MG – 13/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

Guardados de mim

Guardados de mim

Remexendo em mim deparei-me em guardados,
Mas qualquer coisa neles revirava-me por inteira,
Certa melancolia, mas foquei noutros tão irados,
Tudo me pareceu recente, vivo; nenhuma poeira.

Havia olhares do instante e beijos tão presentes,
Toques tão sentidos que ainda causou-me arrepio,
Continha perfume bom, os abraços ainda quentes,
Tudo muito coevo e toda a ocorrência sem desvio.

E aqueles lugares simples ali se fizeram tão lindos,
As imagens remetidas pelos guardados, tão nossa,
Tanto sentimento sincero escorria-se e fazia poça.

Guardado de mim, guardado nosso, tão infindos,
E reencontrei os nossos instantes de forma cabal,
Surpreendi-me; respiro-te; em mim tu és visceral.

Raquel Ordones
 Uberlândia MG – 05/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

Dos meus escritos

Dos meus escritos

Nalguns escritos que compus, eu me joguei,
Noutros tinha muito de mim, com exceções,
Já em outros, nada a ver comigo, nem passei,
E outros foram ideados com tantas emoções.

Já escrevi me acabando de rir, era sem graça,
 Já escrevi em um estado tão triste de dar dó,
Já escrevi me afogando em lágrimas; palhaça,
Pensei em escrever tudo, e na garganta o nó.

Eu já fiz poemas dos mais puros sentimentos,
Já inventei coisas tão bobas, mas deram certo,
E já escrevi para pessoas tão longe e tão perto.

Já escrevi coisas sem nexos, já falei dos ventos,
 Já desenhei palavras e me notei nelas tão nua,
Eu já me declarei, já escrevi da cor flicts da lua.

Raquel Ordones
 Uberlândia MG – 03/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

Sopro e sedução

Sopro e sedução

O vento chegou; a palmeira do jardim descabelou,
Transportou todas as folhas ali do chão, já mortas,
Subiu e desceu num constante bailado e rodopiou,
Pintou o céu em poeira, espiou a racha das portas.

Entrou pela minha janela, lençóis e encantamento,
Coreografou as cortinas, em misturas cambiantes,
Sibilou no meu ouvindo causando encrespamento,
Beijou-me tão sonoramente, cabelos esvoaçantes.

Aspirou ao meu perfume, sem nenhum manifesto.
Ficou ali me rondando, rondou, rondou a me tocar,
E vez ou outra atacava de leve meus lábios a beijar.

Provocou-me com arrepios, cobri-me em protesto,
Brincou comigo, de repente se foi, era quase alado,
Tão instável e volvedor, voou para o quarto ao lado.

Raquel Ordones
 Uberlândia MG – 01/03/16
 Soneto infiel – sem métrica

Sutilmente


Sutilmente

Ela: cabelos ao vento; perfume que bulina almas,
Andar elegante, sensualidade em todos os passos,
Ele: olhar adsorvido, e os seus cílios batem palmas,
_Ah, como eu queria dela, todos os seus abraços!

Ela: tecido fino em um vestido solto e esvoaçante,
Um jeito buliçoso e nos seus lábios, meus desejos,
Ele: na pele os frêmitos em um coração saltitante,
_Ah, como eu queria dela, cada um dos seus beijos,

Ela: é colírio de essência, em sua rua diariamente,
Batom em cor de boca, e nada mais com retoques,
Ele:_Ah, como eu queria dela, todos os seus toques.

Ela: cabelos, perfumes, olhares, tez, tão sutilmente,
Passeia nas tardes, tão flutuante enfrente ao portão,
Ele: _Ah, como eu queria dela, o seu meigo coração.

Raquel Ordones
 Uberlândia MG – 13/02/16 
 Soneto infiel – sem métrica

Amar(elou)

Amar(elou)

As nuvens amarelecem se o sol se pôs ou despontou,
E o crisântemo na janela fez alguns passos de dança,
O canário fez seu canto costumeiro, bateu asas, voou,
A borboleta dourada de leve pousou em minha trança.

Cortinas amarelas se mostram do lado de fora da porta,
Tocando despercebidamente nas pétalas daquele cravo,
O ipê da entrada é casa dos pássaros, ninguém o corta,
E a preciosidade do ouro tornou o homem seu escravo.

A flor da minha pela é tão intensa, maior que girassol,
A Bandeira Nacional sem ela seria de grande pobreza,
Eu fico com água na boca: bolo de fubá sobre a mesa.

No pote de melado a abelha e o rapaz, latinha de Skol,
E em cada verso desse escrito tem um tom de amarelo,
É meio bobo; se juntarmos as imagens talvez fique belo.


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 15/03/16
Soneto infiel – sem métrica

É salutar...Quando se sabe usar!

(imagem do Google)
É salutar... Quando se sabe usar!

Soma-se ao ser humano, perfeita matemática,
A tecnologia em si; colaboração sensacional,
Está tudo ali não mão, atualizada e tão prática,
Árvores não serão mais impressas, isso é vital.

Se tempo é dinheiro, faz-se uma multiplicação,
Da agilidade das pesquisas, adianta resultados,
Quase em momento real, do atraso a subtração,
Melhoria na análise e ao imperativo, somados.

E a saúde agradece com a presteza da resposta,
Diminui-se risco; se a alimentação é adequada,
E o aplicativo é o conjunto da matéria desejada.

Matematicamente falando é basal essa proposta,
A prontidão da técnica torna-se grande potência,
Amistoso o meio ambiente é grato a essa ciência.


Raquel Ordones
Uberlândia MG – 21/03/16
Soneto infiel – sem métrica

terça-feira, 1 de março de 2016

Sopro e sedução

Sopro e sedução

O vento chegou; a palmeira do jardim descabelou,
Transportou todas as folhas ali do chão, já mortas,
Subiu e desceu num constante bailado e rodopiou,
Pintou o céu em poeira, espiou a racha das portas.

Entrou pela minha janela, lençóis e encantamento,
Coreografou as cortinas, em misturas cambiantes,
Sibilou no meu ouvindo causando encrespamento,
Beijou-me tão sonoramente, cabelos esvoaçantes.

Aspirou ao meu perfume, sem nenhum manifesto.
Ficou ali me rondando, rondou, rondou a me tocar,
E vez ou outra atacava de leve meus lábios a beijar.

Provocou-me com arrepios, cobri-me em protesto,
Brincou comigo, de repente se foi, era quase alado,
Tão instável e volvedor, voou para o quarto ao lado.

Raquel Ordones
 Uberlândia MG – 01/03/16
 Soneto infiel – sem métrica


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Sobre ela

Sobre ela

Ela pensa 
em jamais deixar de olhar 
no fundo dos olhos das pessoas,
Ela sabe que lá mora a verdade, 
que quando a verdade se ausenta, 
o olhar não sustenta.
E ela sabe mais... 
Quando a verdade se encontra, 
o sorriso provoca, 
e isso toca.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 

Borboletas

(Foto:Raquel Ordones)

Borboletas

"Borboletas enxergam essências
Aparências pouco lhes importam."

Raquel Ordones
Uberlândia MG

V(i)niciando

‘V(i)niciando’

Num papel em branco eu rabisco meu verso,
Num formato de circulo desenho o universo,
E com seis ou mais pétalas eu faço uma rosa,
E contando o meu tempo escrevo uma prosa,
E se um cantinho de riso abrilhanta o meu dia,
É por ele que vejo a vida em forma de poesia.

Vou pensando e escrevendo,
E me jogando assim no papel,
Sinto a vida em mim vivendo,
Revolvendo feito o carrossel,
Às vezes eu não me entendo,
E flutuo entre a terra e o céu,
Feito a borboleta tão leve,
Eu deixo o vento me levar,
Em um passeio tão breve,
O meu eu inteiro a ventar,
Sinto o sol e ele se atreve,
Espanta minha neve
Inda que não queira
Vai me esquentar.

Num papel em branco pinto a minha emoção,
E debruçado à esferográfica está meu coração,
E eu percorro em torno de toda a minha alma,
Minha tez se arrepia, meu desejo não acalma,
E se o verbo se intimida e esconde nas linhas,
Camuflado numa escorrência nas entrelinhas,

E escrever é mais que vida,
Intocável que vira o eterno,
E ainda que eu tenha ferida,
Não cabe no orbe caderno,
Nas chegadas e na partida,
O beijo é sempre tão terno,
De passagem nessa estação,
Páginas brancas e amarelas,
Na dança dessa composição,
Nas tintas dessa aquarela,
O que valem são os passos,
Um a um e na sua medida,
Até chegar

Num papel em branco eu rabisco meu verso,
E emocionará!
Num formato de círculo desenho o universo,
E emocionará!
E debruçado à esferográfica está meu coração,
E emocionará!

Raquel Ordones
 Uberlândia MG – 16/02/16
 Soneto infiel – sem métrica


(homenagem ao poetinha Vinícius de Moraes)

Nosso soneto

Nosso soneto

Sozinha, ela se juntou a caneta,
E viu um guardanapo ali jogado,
Seu pensamento saiu pela greta,
Agora ele está no papel gravado.

E a sua paixão ali ela confidencia,
O seu segredo no papel confessa,
E todas as palavras em harmonia,
Uma a uma sem nenhuma pressa.

Quartetos carregados de amores,
E os tercetos de saudades falam.
Num falatório que não se calam.

Sem apego à métrica, só sabores,
Cor no querer circulado de preto,
O título em negrito: nosso soneto.

Raquel Ordones
 Uberlândia MG – 17/02/16

 Soneto infiel – sem métrica

Hoje vim trazer rosas para mim

Hoje vim trazer rosas para mim

É claro que são para mim, porque eu mereço!
Amo as rosas amarelas, as rosas não colhidas,
Pequeno vaso é grande presente, sem preço,
E se eu ganhar as vermelhas; serão preferidas.

Hoje vim trazer rosas para mim; me comportei,
Mesmo que não tivesse comportado, me daria,
Ao vê-las ali, me sorriram. Ah, então me alegrei!
E dançavam ao vento em silêncio, feito a poesia.

De sutil aroma, esse que minha alma envolveu,
Com pétalas aveludadas, e em um tom singelo,
Tocou-me densamente esse cadenciar amarelo.

Aquelas rosas eram para mim, meu ser volveu,
São tão emocionantes por si, inclusive me cala,
E me dei, estão aqui na mesa do centro da sala.

Raquel Ordones
 Uberlândia MG – 18/02/16

 Soneto infiel – sem métrica

Da Química

Da química

Em nossas estruturas; mudanças sofridas,
Nota da matéria e suas reações à energia,
São leis da afinidade em vínculos bebidas,
Laços fortes de arrepio que causam poesia.

Beijos alteram temperaturas; gera agitação,
Moléculas se chocam com maior facilidade,
Toque, pele, cheiros; ‘inexplica-se’ atração,
Barba por fazer; sei lá, é tanta insanidade!

A ciência até tenta esclarecer o tal processo,
E explica-se algo que atiça antes de ser feito?
Tantas teorias, só quem sente sabe o efeito.

E dos nossos corpos; sabedores do ingresso.
E ocupam ao mesmo tempo o mesmo lugar,
Na alma, massa e volume baralham a vibrar.

Raquel Ordones
 Uberlândia MG – 21/02/16
 Soneto infiel – sem métrica


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Solipsismo

Solipsismo

É; Além de mim, só minhas experiências,
E eu sou instituída pelo o meu eu passado,
Meu atravessar se foi; ficaram as ciências,
O que restou foi apenas meu eu atualizado.

E tudo pode ser contestado, além de mim,
Teoria que reduz o fato ao anexo pensante,
Só existe o eu e todas as sensações, enfim,
Onde eu sou eu, de tudo, único participante.

A singular realidade do mundo é o meu eu,
É  conjunto de costumes de um ser solidão,
E revestido de matizes, tal qual um ermitão.

E então, como conhecer outras realidades,
Se nada é externo a mim, ser Solipsismo?
E sou absoluto no eu, permanente egoísmo.


Raquel Ordones
Uberlândia MG – 15/02/16
Soneto infiel – sem métrica

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Sem sentimento?

Sem sentimento?

Vou tentar escrever um poema sem sentimentos,
Estou dentro de mim nas coisas novas e entulho,
Tentando fazer a separação, para procedimentos,
Não percebo nada sem sentido, nenhum barulho.

Desse lado tem eu, dentro do coração sou espaço,
É que ele está inteiramente tomado por saudade,
Misturada homogeneamente com amor e abraço,
Encontrei nada, por isso no estômago, ansiedade.

Na superfície da pele, senti um arrepio, não vale,
Nos olhos vejo a beleza e nada faz com que cale,
O dedo sente cansado, viu? Sentiu; me entende?

Aqui na alma, frenesi; não tem quem a defende!
Nas minhas veias percebo da vida uma irrigação,
É; não tem como escrever, se eu sou meu coração.


Raquel Ordones
Uberlândia MG – 10/02/16
Soneto infiel – sem métrica

Poema em ão

Poema em ão

Disseram-me que é pobre poema terminado em ão,
Pensei aqui comigo; cheguei à conclusão: acho não,
Há pessoas que faz da poesia sua própria respiração,
Já outros dizem ser coisa de babaca, uma defecação.

Então, sobre esse assunto cada um tem sua opinião,
E logo, quem escreve, pode escolher sua terminação,
Há quem faz poema magoado carregado de solidão,
Há quem escreve sobre amor sem amar, pretensão!

Há quem escreve sem nenhuma forma de pontuação,
Há quem junta palavras e fica difícil a interpretação,
Há quem verseja assim: Ah! Oh! É tanta interjeição.

Não vejo pobreza, e ninguém tem que dar satisfação,
Coração termina em ão, o que falta é respeito, então,
Pobre seria se as pessoas escrevessem sem a emoção.


Raquel Ordones
Uberlândia MG – 11/02/16
Soneto infiel – sem métrica

'Poe(ma)sculino

‘Poemasculino’

Horizonte, esconderijo do sol, expediente se encerra,
Encosta-se à cadeira e coloca a tampa naquela caneta,
Alonga as pernas e por alguns minutos os olhos, cerra,
Afrouxa a gravata marinho e fecha com o pé a gaveta.

A última xícara de café e a porta, ele fecha atrás de si,
Atravessa a rua, entra em um modesto bar em frente,
Uma cerveja, um cigarro, olhar perdido e fica por ali,
O amigo chega ,o acompanha, pede outra de repente.

E pede mais bebida, a hora passa e já são quase dez,
Segunda feira, primeiro dia, jantar em casa o espera,
Chega depois das onze, bafo de onça, encontra a fera.

Fez disso uma rotina, vida sem graça, olhado de viés,
O filho mal vê, da sua companheira perdeu o carinho,
_E além do boteco, o que mais teria em seu caminho?

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 15/02/2016

Soneto infiel – sem métrica

Desentortando versos

Desentortando versos

Era para ser triste o poema que eu ia escrever,
E foi no verso seguinte que o verbo eu mudei,
Coloquei sorrisos; e sonhos bons pude prever,
Expressões que pudessem ferir; todas eu tirei.

Eu escrevi muitas flores e a tristeza foi embora,
Usei gradações,  dessa mágoa nenhum prurido.
E escrevi tanta coisa boa por esse poema afora,
Talvez  tenha até ficado comigo meio ofendido.

Mas nem liguei, eu que escrevo meus caminhos,
Sou eu que varro o que para mim não tem valor,
Foi por isso que derramei no papel o meu amor.

Ordenei ao vento para que levasse os espinhos,
E mostrou-me uma clareira que eu podia pintar,
Desentortei o poema triste só para ele me alegrar.


Raquel Ordones
Uberlândia MG – 15/02/16
Soneto infiel – sem métrica

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

"Das acontecências"


(imagem do Google)
‘Das acontecências’

Ela se intitula: namorada; é conveniente.
Na balada ela está a tiracolo é a princesa,
Lá no barzinho é exibida por ser atraente,
Ele alheio. Ela: manga de fora, vira a mesa.

E na garupa da sua moto ela vive divando,
E no carro ela que manda; primeira dama,
E mora no mundo da lua, por ai viajando,
As bebidas, comidas, viagens e até cama.

Academia, salão de beleza marca presença,
O dia todo batendo perna, ele a sustenta,
E roupas caras com joias raras ela ostenta.
                                           
Se ele adoece, não aparece e nem pensa,
Tanta coisa a fazer, desculpa esfarrapada,
Se tirar Amor de n(amor)ada, sobra nada.

Raquel Ordones
Uberlândia MG - 10/02/16
Soneto infiel - sem métrica