sexta-feira, 17 de junho de 2016

Sou assim, sou poesia

Esmeralda...
 Ela é uma cigana destemida e com um coração de ouro (e é muito capaz de se defender). Ela também é capaz de olhar além das aparências físicas e é uma das primeiras - e única - pessoas em ambos os filmes a fazer amizade com o deformado ainda amável corcunda Quasímodo. Esmeralda é uma heroína maravilhosa cujo maior desejo é ver paz como Quasimodo e seu companheiro de ciganos ser aceito na sociedade e ser tratados como pessoas.
 
Sou assim, sou poesia

E sou assim, como as flores e gotas de orvalho,
Com brisa leve nas palavras que profiro,
Adoro balouçar nas pontinhas do galho,
Até sou birrenta, mas disso não me admiro.

Eu tenho uma criança nalgum canto da alma,
Ela não fica quieta, corre o meu ser,
E se eu der corda ela fala batendo palma:
_ fico louco quando você não quer crescer.

O meu perfume se espalha nas adjacências,
E deixo o rastro bem dentro do seu nariz,
Mergulho pés de galinha no chafariz.

Tagarela de letras e derramo essência,
Palavras, versos, notas e sinestesia,
E sou assim, ‘desmetrificada’ poesia.

ღRaquel Ordonesღ



 

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Não há provas de amor

Não há provas de amor

E não há provas de amor, essa dissertação eu defendo,
Não há nenhuma inscrição, não se estuda para senti-lo,
Não há data agendada, nem hora, isso é certo, emendo,
Ao contrario, não há isolamento; expõe-se ao admiti-lo.

E não têm alternativas A e B quando o amor toma conta,
Nem falso e nem incorreto, múltipla escolha nem pensar,
Suas questões são objetivas, uma opção única ele aponta,
Numa linguagem clara, ainda que estrangeira versa amar.

Não se prova o amor, sente-se, a atitude vem impensada,
Conhecimentos gerais, específicos não lhe dão definições,
Se forçar amostrar-se, foge concordância e interpretações.

E nenhuma das alternativas anteriores justifica em nada.
Não se ama mais ou menos, ama-se, emoção que negrita,
E não há provas de amor, por si ele é mor, ele se gabarita.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 17/05/16

Soneto infiel – sem métrica

De “saco cheio”

De “saco cheio”

Então, como sempre resolvi escrever um poema,
E usei a estrutura do soneto, porque gosto afinal,
Jamais pensei que isso me acarretasse problema,
Sem métrica e sem me prender a contagem e tal.

Dois quartetos e dois tercetos, traindo a métrica,
Batizei esse escrito com o nome de Soneto infiel,
Aparadas pontas dos versos, conteúdo e estética,
Não são letras em linhas sem nexos jogadas ao léu.

Não é tão fácil assim, mas talvez não fosse aceito,
Sabe-se que a mudança chateia o rótulo e o clichê,
E se a mente é pequena a nova roupagem não vê.

Soneto tem suas regras, mas houve o preconceito,
Coloquei um lembrete no fim para quem viesse ler,
Se poesia é livre, da forma que quiser vou escrever.


Raquel Ordones
Uberlândia MG – 18/05/16
Soneto infiel – sem métrica

Perfume de almas

Perfume de almas

As nossas almas eram para serem assim: flores,
Providas de botões vivos, de pétalas aveludadas,
Macias a serviço do destino com os seus odores,
Desfraldando aos ventos nas manhãs ensolaradas.

As nossas almas poderiam constituiu um jardim,
Carregado de néctares, abelha de galho em galho,
Polinizações e borboletas com beija-flores enfim,
Perceptibilidade de raio de sol na gota de orvalho.

Num leva e traz de sementes, num espalhar vidas,
Ornando altares de corações sempre em folguedos,
As nossas almas deveriam ser flores e sem medos.

Nossas almas eram para serem assim, sem feridas,
Perfume que esparge de concentrado sentimento,
Beleza de mãos postas e ajoelhada... Sem lamento.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 16/05/16

Soneto infiel – sem métrica

Das loucuras de mim

Das loucuras de mim

 As malas das minhas ideias desarrumadas; arrumo,
 Tento divisar uma ordem, qual a relevância de cada,
Dobro e desdobro, então aliso para sentir o aprumo.
Abstruso, cada uma tem valor, nenhuma descartada.

Algumas ideias passageiras, outras sempre martelam,
Algumas são meio insanas, outras são tão coerentes,
Algumas são rasas, outras na alma e coração anelam,
Umas são meio tolas; já outras tão surpreendentes.

Fico ali horas tentando nessa minha louca arrumação,
E coloco-as num canto, no meio, em cima e em baixo.
É tão melindroso, um quebra-cabeça, quase o encaixo.

E aparentemente em mim quase percebo a evolução,
E puxo o fecho éclair em torno dessa minha bagagem,
Inútil, sento em cima, tudo bagunçado, que bobagem!

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 15/05/16

Soneto infiel – sem métrica

Escre(v i)ver

Escre(v i)ver

E estou eu aqui mais uma vez em meio aos meus versos,
Escrevendo coisas já escritas, mudando palavras de lugar,
Depositando tempero por todas as direções e anversos,
Ditando meus textos para mim, num constante requentar.

Às vezes tiro muitos sentimentos e mostro-lhes a caneta,
E ela entende perfeitamente e os translada para o papel,
Sinto-me vasculhada por mim, a alma é remexida gaveta,
Vejo-me em cores sentada no meio fio com tinta e pincel.

É... Então escrevo; a saudade de você me joga nesse jogo,
Do amanhã não sei, agora eu sinto, o ontem me marcou,
Não varro, no meu verso e reverso seu cheiro se tatuou.

Por vezes me sinto valente, pois engulo lágrimas de fogo,
Brigo com algumas, mas choro, porém o sabor não é bom,
Decidi, para você meu sorriso; orna mais com meu batom.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 14/05/16

Soneto infiel- sem métrica

Transparecendo-me

Transparecendo-me

Em cada passo dos meus andares busco conhecer-me,
Por entre estradas de pó dos meus eus e os seus egos,
E a chuva de anseio de minha alma goteja a verter-me,
Fixada em mim, de mim não se desprendem os pregos.

Cada segundo que me acomete; sou novidade em mim,
Singro na dianteira, o que levo é carga somente minha,
Freqüento por entre os ventos de tantos cheiros enfim,
E misturo-me às pétalas do meu vestido que me alinha.

Eu sou corpo, sou pele em arrepio, até superficialidade,
Às vezes imo e alma, pois imirjo na minha profundeza,
Às vezes engulo às vezes engolida, pudim sobre a mesa.

E nas redondezas de mim, coisas baldias têm tonalidade,
Às vezes me bulinam, nas rédeas de mim faço endereço.
Transparecendo-me, da vitrine do coração ao seu avesso.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 12/05/16

Soneto infiel – sem métrica

Ei... Esse poema é para você!

Ei... Esse poema é para você!

Ei... Esse poema é para você que tem tanta coisa guardada,
E que jamais confiou a ninguém o seu ser e a sua essência,
Esse é para você que rolou na cama no meio da madrugada,
Esse é para você que transforma amor na sua jurisprudência.

Para você que chora no chuveiro;  a lágrima corre pelo ralo,
Que fica horas com o telefone na mão sem coragem de ligar,
Para você que se faz pedra; mas o cair da pétala causa abalo,
Esse é para você que ama... Sem definitivamente nada cobrar.

Esse é para você que é pura poesia, jamais disse para o lápis,
É para você que jamais se consentir ser impresso num papel,
É para você que fala com estrela e lua e busca alguém no céu.

Esse é para você, que se recolhe em si, mas seu sentir é ápice,
Para você que ama em camuflagem escorrendo por seus olhos,
Ei... Esse poema é para você que é amor em flor e aos molhos.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 12/05/16

Soneto infiel – sem métrica

Estrel(a) mor

(imagem do Google)

Estrel(a) mor

Então, o amor é assim: mais ou menos como o sol,
Nasce no primeiro raio de olhar, na manhã de nós,
Pela frestinha da janela, por entre as folhas é farol
Iluminando os nossos quartos e dando à alma, voz.

Deixa o dia mais intenso, aquece tardes e coração,
Faz no peito sombras para um merecido descanso,
A tez torna-se morena, a hora do Ângelo é oração,
Seca enxurrada de lagrimas e faz do cerne, manso.

O amor é assim como o sol e nos liberta do escuro,
Claridade que segura nossas mãos pelos caminhos,
Beija por inteiro nossa flor e secar nossos espinhos.

Melhora a nossa natureza e clarifica atrás do muro,
Faz a gente assim pateta quando desnuda seu véu,
E lançamos olhares abobados para horizonte e céu.

Raquel Ordones
Uberlândia MG –03/05/16

Soneto infiel – sem métrica

Novos ares

Novos ares

 Às vezes paro na porta de mim e me assento a pensar:
_O que será que irei encontrar após descer os degraus?
Fico ali absorta com o sol quase no meu pé a me tocar,
E um vento lá adiante nas águas tocando aquelas naus.

Dou passos adentrando na varanda do meu pensamento,
Sinto que a brisa já vem tirando a poeira, dando conforto,
E um cheiro de mofo passa por mim em desprendimento.
Aquelas coisas de mim sem viés, aquele lance meio torto.

Um sopro do vento se amorna ao sol, respiro novos ares,
Permito-me mais um passo e sinto seiva de restauração,
Desço mais um degrau e já no quintal é aliviada a tensão.

É; às vezes paro na porta de mim; e sinto os meus olhares,
Deveria me jogar, sei que é exatamente disso que preciso,
Quando faço isso careço respirar, por dentro chove granizo.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 02/05/16

Soneto infiel – sem métrica

Dos entulhos de nós

Dos entulhos de nós

Dia após dia amontoam-se poeiras na entrelinha,
 Parede da nossa poesia é disfarce não sei de quê,
E vão se acrescentando tal qual uma erva daninha,
E se a gente não faz limpeza, mal dá para nos ler.

A argila faz-se crosta, o sol vem e o resseca então,
E a nossa paisagem autêntica não mais se retrata,
Feito uma embalagem há tempos jogada no chão,
Majorada de pó, nos esbarrões a descascar a lata.

E se chovemos; a poeira é limpa, mas cresce lodo,
A solidão, a tristeza, o medo sem dar qualquer flor,
É uma casca crespa que pode até reprimir o amor.

A dica para tais destroços: somente passar o rodo,
Literal: nas janelas dos olhos, no fundo do coração,
Brilha alma, linha, entrelinha, restaura composição.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 01/05/16

Soneto infiel – sem métrica

Amor a três

Amor a três

Agora ela passeia assim: só no meio,
Uma mão é do amor, outra é do rival,
 É abusada, não tem nenhum receio,
E se acha, sem notar que é tão trivial.

A olhada no rival e um beijo no amor,
Ou vice versa; é absorta sua atenção,
E não é cem por cento em seu fervor,
Nem percebe ser falha sua dedicação.

Um afago no amor, no rival um toque,
E cada um em um verso do tal terceto,
É estranha relação, motivo de coreto.

Momentos íntimos tão sem enfoque,
E para o motel o leva; da mão não sai,
Afoita, pede na recepção a senha wifi.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 30/04/16

Soneto infiel – sem métrica

Imaginação desabotoada

Imaginação desabotoada

Ela se lança por ai e quase sempre: voa,
Tecidos leves, com cores; é transparente,
Assim meio louca e de repente nem côa,
Mas sabe classificar para ficar coerente.

Minha imaginação é total e sem noção,
É tanta proeza; atrás da pedra, enxerga,
É minha, porém, vive fora de obtenção,
Não tem um pingo de medo, nem verga.

Quebra impedimentos, continua intacta,
Cola e recola cacos, sem nenhuma noia,
Não tem cansaço, e tampouco usa tipoia.

E nalgumas cenas arrepia, quase impacta,
Bicos e seios rijos em vento e disparada,
Sem timidez alguma avança desabotoada.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 28/04/16

Soneto infiel – sem métrica

Poesia é ‘O bicho pegando’

Poesia é ‘O bicho pegando’

_Hoje me deu preguiça de escrever. Não, não, minto!
É claro que a poesia nesse estado crítico não me deixa!
Ela me encoraja, então eu logo já escrevo o que sinto,
Às vezes invento muitas coisas, mas ela nem se queixa!

A poesia me lava a alma, jamais me deixou em solidão,
Sabia que ela é ponte entre meu imaginário e meu real?
Pois é, às vezes rasa, e quase sempre coisas do coração,
É uma necessidade de expressar, é um sentir-me total.

Então, poesia é jorrar de essência, um dom admirável,
Quando me vejo já estou rimando no meu automático,
Escrevo letras em cores, ora desenho monocromático.

A poesia é um manancial, em mim é quase inesgotável,
É algo que dá cor, olor, sabor, até dá vida as secas folhas,
Extrato que vem dos meus eus; e eu não tenho escolhas.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 27/04/16
Soneto infiel – sem métrica


terça-feira, 26 de abril de 2016

Mutação

Mutação

Aprende-se a letra; junta-se a outra, a palavra se faz,
Tão importante quanto, e sozinha é objetiva ou não,
Junta-se a outras palavras, de abrir um leque é capaz,
E torna-se pequena ou até uma agigantada expressão.

De verso em verso muda e tanta coisa pode ser dita,
Tantos assuntos expressos e explicados num só texto,
Uma mensagem de amor, fé, esperança; é tão bonito,
E ao inserir notas, desfigura-se parte desse contexto.

Cifra aqui, e cifra ali e tudo se mostra em partitura,
Letra vira palavra, que vira verso, que vira a poesia,
Mistura-se a notas e voz, transforma-se em melodia.

Adentra pelo ouvido, atinge alma e coração, doçura,
A música agora tem vida própria e torna-se senhora,
E nem doeu tal mutação para volver-se trilha sonora.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 26/04/16
Soneto infiel – sem métrica

Sentimentos líquidos

Sentimentos líquidos

E o coração dele de repente se acelera,
Encontrou alguém que chamou atenção,
No mesmo minuto em absoluto se altera,
Arremessa-se de cabeça nessa tal paixão.

Agora está tudo bem, está tudo perfeito,
E diz: eu encontrei o amor da minha vida!
E então, amanhã já começa a dar defeito,
Não se importando com uma crível ferida.

Noutro dia  está na pista em novos rituais,
Com isca de falso sentimento se desdobra,
Prende-se a redes, misturando-se a cobra.

E tão rotativos são os sentimentos atuais,
Líquidos e por qualquer furo se escorrem,
No mesmo desenho que nascem; morrem.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 25/04/16

Soneto infiel – sem métrica

domingo, 24 de abril de 2016

Sinestesia

Sinestesia

Boca que apalpa, em degustação.
Mãos que devoram, a tez assume.
Olhos que comem; toda a direção.
E o nariz que enxerga o perfume.


Raquel Ordones

Uberlândia MG – 24/04/16

Notas


Notas

O sol fá lá mi sem dó:
_Si ousar roubar meu brilho
é ré!

Foto e texto : ღRaquel Ordones

Uberlândia MG – 24/04/16

Boa viagem...

Boa viagem...

E eu vivo em manutenção, em atualização,
Limpo de dentro o que pode dar problema,
E lubrifico bem a peça principal: inspiração,
Proporcionar belo voo; busco esse emblema.

Dou asas à imaginação e prefiro ser bem leve, 
Deixo que o ledor viaje na poltrona da janela, 
A bordo dessa turnê desconhecida  se atreve,
Com turbinas silenciosas e itinerário aquarela.

Piloto aeronave poesia, tal qual uma borboleta
            E faço manobras toscas para chamar a atenção,              
São inofensivas, seguras; só para causa emoção.

Na pista poética iço vôos, coração é caixa preta,
Sou biruta, aterrisso-me sem turbulenta leitura,
            E se for boa a viagem sou eu quem voo à altura.            

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 24/04/16
Soneto infiel – sem métrica


Dona Pata


Dona Pata

La vai dona Pata com o dedo grudado,
Onde é que coloca o anel de noivado?

Lá vai dona Pata, bela, recatada, do lar,
Por que é que ela anda, não sabe voar?

Lá vai a dona Pata com o seu rebolado,
O pescoço esguio, bumbum rebaixado,

Lá vai dona Pata, e qual é o seu anseio?
Num dos seus ovos nasceu um pato feio.

Lá vai dona Pata, está tristonha a chorar,
Quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá e quá!

É que os cinco patinhos foram passear.
Quá, quá, quá, quá, quá, quá, quá e quá!

Raquel Ordones

Uberlândia MG – 24/04/16

sábado, 23 de abril de 2016

Eu

Meus pés caminharam em estradas empoeiradas
Nas calçadas da cidade, em mim ainda tem 'roça'. 

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 23/04/16
(Foto: Luisa Araujo.)

Menino poesia


Menino poesia

E eu passava por ali,
Ele levantou os olhos e sorriu
Concentrou novamente no que fazia
Desenhando uma pipa no chão.

Foto e texto:
ღRaquel Ordonesღ

Recusa da musa


Recusa da musa

E estamparam-na ali; em uma beleza florida,
Tão morena e beijada pelo frescor do vento,
Na tinta impressa e expressamente querida,
Não sabe ao certo o que vai ao pensamento.

Boca bem feita, batom a rimar com todo céu,
Assim como os olhos que combinam com tudo,
Cílios que se topam; quebra do silencio o véu,
Encanto taciturno que grita num muro mudo.

Efígie perfeita chama atenção de quem passa,
 Da sua musa, seus belos traços ele ‘aquarelou’,
É que ela partiu, partiu seu coração, ele chorou.

E lá está ela num verde olhar em frente à praça,
Usando tinta nas mãos misturada à cor do amor,
 Num remanejo final, cabelos em cachos de flor.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 16/04/16
Soneto infiel – sem métrica
Arte por: Robson Melancia, feita na cidade de Dois Córregos - SP.

Raio cai

Raio cai

Do nada estala
Surge o clarão de luz
Então o raio cai.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 16/04/16

Lusco-fusco outonal


Lusco-fusco outonal

Nas tardes de outono o amarelejo evidencia,
Ergue castelos entre as folhas dos coqueiros,
Então a brisa acalorada uma dança cadencia,
E o sol prepara-se para o seu raio derradeiro.

Cada fresta entre folhas tem brilho diferente,
E a luz declina em conta-gotas; câmera lenta,
Há cantoria de pássaros, a charanga coerente,
Cada um com seu estilo e a fanfarra sustenta.

A lucidez do dia ofusca-se na noite inda menina,
A tarde se auto destrói numa confusão perfeita,
E o sol dá o trono à lua que é a sua musa eleita.

Cores sem nomes captadas apenas pela retina,
Em um encantamento sem qualquer explicação,
Despede-se do tempo; fundo respirar, o coração.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 17/04/16
Soneto infiel – sem métrica

Foto: Raquel Ordones

Pérolas da votação do impeachment


Pérolas da votação do impeachment

“É; talvez ninguém se salve, a falta de respeito é tão visível,
Parece o resultado de escola de samba aguardando o dez,
Pessoas ditas de classe se expõem desclassificadas, incrível,
Foge ao assunto, incoerência, tão toscas, ignorantes em viés.

Tão sem sentido:  Pelo fim da corrupção o meu voto é não,
Com palavras tão agressivas:  Durmam com essa, canalhas,
Pela família quadrangular. E o santo nome de Deus em vão,
Sua cadeira cheira enxofre; levante o dedo os não petralhas.

Minha tia Eurides que cuidou de mim quando era pequeno,
Ao fim da vagabundização remunerada e os falsos rumores,
Ah;  Em nome de Jesus eu profetizo a queda dos senhores.

Presidenta honrada e inocente,  tributo listado, tão ameno,    
PT: Perda Total, Partido das Trevas, Prática rasteira, decaída
E que a Ex presidenta tenha férias eternas, #TchauQuerida!”

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 17/04/16

Soneto infiel – sem métrica

Das minhas preferências

Das minhas preferências

Gosto dos gostos que a minha casca tênue provoca,
Dos gostos que de tão gostoso dulcifica toda a alma,
Gosto de olhar que sutilmente me come e me evoca,
Gosto das nossas miscelâneas que me atiça e acalma.

Gosto das nossas cores juntas, desenho enigmático,
 Lágrima e gozo da nossa satisfação em nuança forte,
Gosto se me encobre em branco ou monocromático,
Gosto dessas tonalidades esfregadas que tira o norte.

 Gosto do cheiro que é seu, mas que eu levo comigo,
Desse que o vento rouba e carrega para o meu nariz,
Gosto da sua fragrância que me molha qual chafariz.

Gosto do seu toque que me tropeça, em mim: abrigo,
Gosto da sua voz que saliva em meu ouvido e sussurra,
Gosto se faz do lençol, lona e com beijos me esmurra.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 18/04/16

Soneto infiel – sem métrica

Nepotismo Poético

Nepotismo poético

É noite; governa um quase silêncio sem instrução,
Escraviza o pensamento fazendo viagem e check in,
Ele não sabe falar e diariamente gasta a imaginação,
Usa jato de inspiração, embarca sem tempo, enfim.

 A palavra concursada quebra silêncio, e sai da boca,
A mão competente na escuta; aciona logo os dedos,
As expressões fazem grampos, delata de forma louca,
 Verbos um a um se entregam à caneta seus segredos.

O papel não deixa passar em branco e se faz tribuna,
Agora é voz, sem golpes se deixa escrever em negrito,
Ao correr de olhares secretos, é uma leitura em grito.

Inacabáveis sessões, parlamento do imo sem lacuna,
 Leis do amor cumpridas ou vive-se em própria cadeia,
Tudo de mim empregado na poesia, outrora via na veia.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 23/04/16

Soneto infiel – sem métrica

Eclipse


A lua e o sol
Em pacto.
Eclipsam.


Raquel Ordones
Uberlândia MG – 23/04/16


quinta-feira, 14 de abril de 2016

Não havia música

Não havia música

E o sol refletia ali a minha frente, sem tom,
A borboleta foi levada por um fraco vento,
Não me agradei com a cor daquele batom,
Havia uma confusão tosca no pensamento.

Não vi partituras em quase nada, sem nota,
O meu ouvido sentia no tímpano, ausência,
Estado triste, aos olhos toda a lágrima brota,
Foi passando, em mim não há permanência.

E aprende-se muito com a coisa não tão boa,
Há pétala desbotada se o olho não soube ver,
Há desespero dentro quando se perde o crer.

E perde-se tanto sem música, coração destoa.
 Conheci o silêncio que tanto me incomodou,
O rádio de mim eu liguei, minha alma dançou.


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 14/04/16
Soneto infiel – sem métrica