terça-feira, 30 de junho de 2015

E te vivo a cada momento

E te vivo a cada momento

E o teu sorriso não sai da mira do meu olhar,
A tua voz eu escuto em todos os momentos,
O teu carinho me coloca em constante viajar,
Teu jeito lorde mora em meus pensamentos.

O teu toque macio até a minha alma arrepia,
Teu beijo me faz ter sonho e viver acordada,
Tudo que sai de mim se converte em poesia,
Aquela música continua sendo a mais tocada.

Teu cheiro embebeda o meu ser e me faz sua,
O teu olhar se registrou no meu e muito além,
Quando me percebo te vejo em mim também.

Minha pele te grita com uma expressão crua,
E a tua ausência me faz mudar para o teu ser,
E te vivo a cada momento sem o teu perceber.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 30/06/15


sexta-feira, 26 de junho de 2015

Notas sobre ele


Notas sobre ele 

E se chovia ele se manifestava feliz, era como se fosse uma tara pela chuva.
Ele adorava ver aqueles pingos cheios de mistérios e desnudos penetrando o solo fazendo exalar um cheiro singular.
Era de um encantamento indescritível ver as folhas das árvores dançando ao ritmo do vento e se roçando molhadinhas.
As gotas iam deitando-se sobre a grama e era quase sentido aquele toque, percebia-se ali um gemido de arrebatadora energia.
E se chove é impossível eu não me lembrar... É que ele me disse isso uma vez, em outras palavras.


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 26/06/15

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Seduzia-se

Seduzia-se

Por entre os pequenos dedos
Passavam-se os dedos da mão
Parecia desnudar os segredos
Delicados pés, cavala sedução.

Calibre pequeno, acariciados,
O creme umedecia; presença,
Massagem fazia-os serenados
Qualquer comentário despensa.

Unhas curtas, estilo francesa.
É delicia absorvente que roça
É que tem tanta poesia, nossa!

É petisco atrativo ali na mesa,
Bem cuidado, algo que se note.
É talvez sexy quanto o decote.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 23/06/15

Dual

Dual

E os olhos veem ainda quando fechados,
E mesmo distante o perfume é adjacente,
E há corpos ausentes ainda que colados,
Não existe extensão quando se é presente.

E o arrepio por vezes se torna abrasador,
Há boca seca com gosto do beijo molhado,
E a pele berra num silêncio ensurdecedor,
E o corpo pede ocultando o ato desejado.

A volúpia se esconde; se finge uma calma,
Vontade do contato quase sentida a mão,
A estupidez quase sempre ilude a emoção.

Pele na pele, carne na carne ou só a alma,
E se escancara a lasciva o cerne não finge,
É palavra que toca e toque que não atinge.


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 24/06/15


domingo, 21 de junho de 2015

O que sinto por ti?

O que sinto por ti?

Sinto por ti uma vida inteira de nossos momentos
Sinto arrepios, sinto febre e algo de enlouquecer,
Sinto-me em meus sentires: carne e pensamentos,
Sinto que às vezes eu nem sinto, dá para entender?

O que sinto é uma vontade de estar sempre juntos,
Anseio de despejar sobre ti todas as minhas chuvas,
Estar contido em ti e conter-te em meus conjuntos,
É vestir-me em ti e deixar que me vista feito luvas.

E o que sinto por ti é estranhamento bom, poesias,
É algo não recorrente, similar jamais eu tinha visto,
Não está em ninguém e em nada, por isso nem listo.

Sinto e senti no passado enquanto não percebias,
É por ti que sinto essa coisa que eu nem sei definir,
De alegrias tem lágrimas; tem enxurradas de sorrir.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 21/06/15


quinta-feira, 18 de junho de 2015

Quero você

Quero você

É, desde a primeira vez, na segunda também,
E nas outras vezes que se fizeram acontecer,
Ainda de olhos fechados seu cheiro me vem,
Os seus sons aqui em mim passaram a viver.

Atônito, perdido envolvido em meu mistério,
Nada sabia sobre mim, sabia justamente tudo,
Talvez fosse brincadeira de um jeito tão sério,
Despiu sentimento, não se blindou no escudo.

Desejo de fruto colhido em pomar das almas,
Pelo caminho de mim penetrou sua essência,
Eu quero você, minha pele grita em ardência.

É volúpia que de todas as formas bate palmas,
Loucos desejos por dentro e frêmitos externo,
Quero você, escreve aí no seu controle interno.


Raquel Ordones
Uberlândia MG 18/06/15


Ela só quer ser feliz


Ela só quer ser feliz

As subidas da vida pesam, os trechos íngremes requerem muita energia e as estradas planas são tão medíocres.
Ela é do tipo persistente, já não tem mais como esconder as rugas ao contrário dos cabelos brancos.
O sorriso é sempre o mesmo, quase comestível e de uma brancura e certeza inigualáveis, gargalha até.
Vive limpando a poeira dos velhos sonhos e polindo os novos.
Às vezes o seu coração se rasga ou rasgam-no, mas com o tempo e a experiência ela o cose, ponto por ponto. Não fica como antes porque o que marca, marca. Mas fica apresentável.
Nada pode ser apagado depois de escrito, há um grande aprendizado para a próxima pagina, às vezes até comete o mesmo erro, talvez por conveniência. É do ser humano.
Ela só quer ser feliz, sem prejudicar ninguém e sem ser prejudicada, de preferência.
Ela não quer somente passar pela vida, não está a passeio... Quer deixar seu perfume impregnado na alma do mundo, quer cantar, inda que em um murmúrio por não saber a letras, importa participar.
Quer que sua palavra seja levada pelas ondas de ventos e atinja em cheio a cara de alguém, instigando seu brio, causando a mudança para uma melhor rota.
Ela é assim, leve feito borboleta, pesada e forte como a tempestade, adorável como a flor e a sua beleza é indescritível externando em seus arredores. “ama que derrama.”
O seu ser tem predominância vermelha, rosas, paixões, corações e vinhos.
Ser humano incrível? _ Não, muito, além disso, e simples assim!


Raquel Ordones
Uberlândia MG 18/06/15

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Rosas amarelas

Rosas amarelas

E se foi coincidência,
Foi daquelas bem raras.
Pela manhã recebeu
Rosas amarelas,
Nem tão caras,
Coisas normais,
Rosas virtuais.
Aqueles ramalhetes
Arco-íris ou aquarelas,
Com lembretes.
Em fim de tarde
A oferta lhe arde;
Mais flores,
Mais calores,
Imagem... 
Quase miragem.
Tão preferidas
Tão belas
Outras rosas amarelas!


Raquel Ordones
Uberlândia MG 16/06/15

Olha com é simples

Olha como é simples

Muita gente sabe brincar de amor e brinca,
Disfarçar que se importa não é difícil assim,
Não quer saber se o alicerce do imo trinca,
Nem quer saber se será vaporoso esse fim.

E dizer coisas que não sente já é costume,
E que é infinito ou para sempre é anedota
Que não vive sem, falso que não se assume.
E se acha a tal, gente cínica, que nem nota.

Rimas e poemas com inventivo sentimento.
Dizeres formosos e até palavras construídas
Olha como é simples prever almas destruídas.

E tudo isso vai embora, como passa o vento,
Daqui a pouco se cansa dessa tal brincadeira,
Se diz cansada; assim não vale; só choradeira.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 16/06/15

Esse meu jeito de amar você

Esse meu jeito de amar você

Então, faço tudo por você, é sem noção.
Tinjo o céu de qualquer cor da aquarela,
Coroo sua alma com luzente constelação,
Perco a cabeça ao lhe avistar pela janela.

Meu sentimento tem muito de loucura,
E tiro de mim só para lhe causar deleite,
Ora demônio, e ora sou anjo de candura,
O meu sentir não depende do seu aceite.

Me sinto quase nada sem sua presença,
Ainda ausente aqui dentro de mim mora,
É que do meu destino su’alma é senhora.

Aceito tudo de você, aliança e desavença,
As suas qualidades misturadas ao defeito,
Só sua partida, decisivamente não aceito.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 15/06/15

domingo, 14 de junho de 2015

Notas sobre ele

Notas sobre ele

Tem dentro de si uma criança
e dentro dessa criança um homem que quer ser.
Suas palavras úmidas ao serem pronunciadas
Têm uma fragrância de beijo
e causa em minha barriga um inverno,
mesmo que meu verão me saia pelos poros.
Os seus olhos sempre me sorriem
e o seu sorriso olha a minha boca com querer.
O seu desejo “primavera” em mim
e nascem flores de todos os perfumes,
E as cores pintam toda a minha parede.
Há em minha fome, de você uma sede.
Outono-me das folhas que não mais me são úteis,
Vivo o hoje em seus brotos nessa estação vida.

Raquel Ordones

Uberlândia MG 12/06/15

Permissões


Permissões

Era como se a flor não mais morasse no deserto,
Sentia agora o frescor do aguar daquele carinho.
Aquele calor que ardia, agora é o hálito de perto,
E a sua redondeza já consegue observar o ninho.

É como se a flor agora queimasse de tanto amor,
Os ventos secos tornaram-se brisas tão naturais.
E aquela areia que atravancava parcial o seu olor,
Simplesmente consentindo farejar áridos chacais.

Aquela flor em abraços íntimos deixou se domar,
Sorriso rubro, e dançante em sua janela debruça,
E se o inverno se faz; possui o coração carapuça.

A flor vive e não somente existe: só para lembrar,
Entrega-se a um amor e repudia seu ser solitário,
Ser venturosa revolveu-se em seu objetivo diário.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 14/06/15


quinta-feira, 11 de junho de 2015

Sempre ela...


Sempre ela...

E ela era assim: sorriso de sol, olhar de estrelas; 
Cabelos que se davam bem com ventos e borboletas,
Faziam festa em bailar de desalinho e atitudes
E tão fofo era seu carinho em nuvens de algodão doce
Sua lua era cheia de desejos, minguante de tristezas,
Crescente de sonhos e apesar do tempo, tão nova.
Há quem diga que ela tem alma de arco-íris
Porque chove sempre e seus pingos: gotinhas de si.
Então fez questão de cultivar suas raízes 
Inda que você não a repare tem sotaque de amor.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 11/06/15


quarta-feira, 10 de junho de 2015

Você

Você

O nosso amor é assim, nosso e simplesmente,
Eu para você e você para mim, é incondicional.
E você é a mais bela imagem na minha mente,
Somos todas as cores, somos aquarela natural.

Eterno é você no meu cerne, vivo sua essência,
Paz que tira meu sossego; move minha historia.
Carne, sangue, anseio em toda a permanência,
É o divisor de águas de toda a minha trajetória.

Meu caminho de curvas se faz retas ao seu lado,
As flores de sua beira são mais lindas e aromais.
Você é meu tudo, até o meu nada e muito mais.

Presentes de Deus, nossas vidas embrulhadas.
No laço, nosso abraço tem rubro paixão na fita,
O nosso amor é em neon e nossa alma negrita.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 10/06/15


terça-feira, 9 de junho de 2015

Cuidado


Cuidado

E dizer: “eu te amo”, não é tão simples assim,
Vai além de palavra, da alma urgente e aromal,
É coisa com cheiro, com gosto e de cor carmim,
É algo espontâneo de jeito totalmente natural.

Afiance se o seu gesto se ajusta com o que fala,
E não fale em eternidade, não é extraordinário,
Sem correria, sem atropelo, pode ser uma bala.
E não deslembre que o amor é um regar diário.

Não arrisque ser perfeito, não é do ser humano.
Deixe que seus olhos digam, lá mora a certeza.
Nas mínimas coisas, e nas grandes em sutileza.

Não se apresse em tirar do casulo o “eu te amo” 
Palavras verdes lesam o vôo de quem as escuta,
Degustar taça de vinho sem saber que há cicuta.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 08/06/15


domingo, 7 de junho de 2015

Volúpia


Volúpia

Sabe quando se aproxima aquele clima que o corpo desatina?
Sabe quando o nó desata, o querer acata e a saudade mata?
Acendem-se os faróis na tez despida, nas pernas sem lençóis.
Sabe quando a alma vibra, o corpo apura e endurece a fibra?

O céu nu e úmido descortina o amor em cheiro e propriedade.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 07/06/15


sábado, 6 de junho de 2015

“Pro nome: ele”

“Pro  nome: ele”

Sem ele muita coisa perdeu o sentido,
Abraço e beijo já não tem tanta graça,
E quisera eu com ele ter envelhecido,
Feito vinho tinto e suave naquela taça.

Sem ele aquela música perdeu a nota,
E o espelho não mais me avista bonita,
E aqui a cada instante a saudade brota,
Vermelho neon, fluorescência negrita.

E sem ele toda aquela paz se esconde,
E sem ele aquele cheiro torna-se fraco,
E o meu sorriso está se fazendo opaco.

Sem ele minha alma se perde: aonde?
Eu não sei, só sei que ele me faz falta.
Sem ele o meu coração fica sem pauta.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 03/06/15

Senhor que mora no ponteiro

(imagem do Google)
Senhor que mora no ponteiro

O tempo não espera ninguém, e em seu exato tempo nenhuma das divisões o breca.
Já se passaram dois anos, ou oito estações, ou vinte e quatro meses, ou aproximados setecentos e trinta dias, são tantas as horas, os minutos, os segundos quase incontáveis... Deixa para lá...
Quantas letras, quantas palavras, frases e textos até, quantas vírgulas, quantos pontos trocados, quantas ligações.
Tudo isso se tornou elo diário, não por costume, mas pela importância do ato.
Quantas perguntas, quantas respostas, tantos dados, muitas informações, beijos, abraços e toda extensão que isso leva.
Mais que uma vida, sabe se lá... A intensidade é que marca o marco que causa.
O crescimento vem de mãos dadas, a maturação passa a ser  cotidianamente e as expectativas ficam ali sentadas juntinhas da gente... Sem dar um passo a frente.
Ali dentro fica armazenado tudo, as mínimas coisas, as mais importantes e as não tão importantes assim, mas que marcam... É como um baú repleto de preciosidade: Diamantes, rubis, esmeraldas até mesmo cristais... Cada um em sua escala de valor. Todos com valor.
A vida passa a ter colorido diferente, quando se tem alguém que dá esse colorido ou que incita a gente a usar as cores que tem.
A vida passa a ter fragrância quando é sentida se o vento toca o rosto da gente sutilmente trazendo a mistura de cheiros e a gente sabe discernir o perfume de alguém nesse misturado.
A vida passa a ter gosto, o sorriso tem mais brilho e o espelho é amigo.
A vida retoma o toque, aquele toque adolescente que jamais morre dentro da gente.
A vida passa a ser realmente vida quando a gente faz dos segundos felizes o drama que a gente faz com os segundos tristes...
Quantas coisas nesse meio tempo: saudades, vontades, preocupações, lágrimas...
O tempo não espera a gente catar nossos cacos; caso a gente se quebre, melhor mesmo é manter-se inteiro... E disso só o verdadeiro sentimento é capaz.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 06/06/15

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Essência

(imagem do Google)
Essência 

Podia até dar com a cara no muro, mas era por sua própria decisão; não era influenciável e os amigos sabiam bem disso; quando queria algo, queria; quando não queria nada e ninguém a faria mudar; teimosa até.
Ela sabia que a repetição cansaria claro, qualquer um sabe disso, que o entusiasmo passa quando a rotina se apodera da vida, principalmente a dois.
Era fascinada pelo desconhecido, mas era da turma que acreditava até o fim em algo; que achava que arroz com feijão é gostoso desde que haja tempero.
Jogada ali naquele “puff” branco, que combinava perfeitamente com a decoração da sua sala de Tv, cortinas de tecidos leves e lilases com rajas da mesma cor bailavam com o vento que se afunilava pela janela entreaberta. Em cima da mesinha, objetos decorativos: verde musgo e aquele tapete felpudo do centro era tão verde quanto.
Na parede as suas costas uma enorme estante, livros de todos os tamanhos e espessuras, desde infantis, gibis até aqueles livros nada a ver, todos já tinham sido lidos por ela; muitos relidos.
No dia a dia convivia com várias pessoas naquele escritório, mas do portão para dentro de sua casa era solitária, por opção; não queria preencher suas páginas com coisas fúteis; não inventava moda, não forçava coisas das quais não estava a fim.
Naquele momento estava ela ali fazendo um balanço dos acontecidos imaginando a possibilidade de inventarem um recurso tecnológico, desses que avisam quando vai chover, ou se virá temporal, um aparelho que avisasse que um homem iria chover em sua horta; que avisasse que faria o seu chão tremer em abalo sinistro. Talvez pudesse ser evitado, talvez pudesse mudar o percurso ou até mesmo não atender ao interfone, ou sei lá, não conectar-se a internet. 
Bobagens... Era não demais para uma mulher que já tinha uma vida regada a ele.
Sonhava também, e sem esse tal recurso, ela era querida, amada talvez...
Viajava em pensamento e quando eles pousavam naquelas cenas lindas e quentes, percebia a sua expressão de sem-vergonhice, ela quase sentia vergonha por isso, mas passava.
Era de bem com a vida, um tanto reservada, em um jeito gostoso de ser, era verdadeira; se sentia, dizia, prendia a respiração e mergulhava ali. 

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 01/06/15



sábado, 30 de maio de 2015

Sensual(i)dade

(imagem do Google)
Sensual(i)dade

Um cansaço tomava conta daquele corpo pequeno, a semana havia sido bem agitada.
Mergulhou embaixo do chuveiro deixando cada gotinha acariciar seu corpo. 
Molhou os longos cabelos, despejou um pouco de xampu nas mãos e afagou-os lentamente.
Enxaguou-os; extraindo todo resíduo daquele creme; alcançou uma bucha macia, esfregou-a ao sabonete criando uma perfumada espuma e acarinhou toda a sua pele.
Ergueu o rosto e deixou a água limpar toda aquela espuma, começando ali mesmo até ganhar o chão, correndo para o ralo.
 Um cheiro bom tomava conta do ambiente, transbordando pela fresta da porta e pela janela semicerrada. 
Sentiu-se.
Parecia que ali acontecia um milagre, aquele cansaço também escorria ralo abaixo.
Fechou aquela torneira e ainda sentiu os últimos pingos caírem do chuveiro. 
Espremeu os cabelos tirando o excesso de água enrolou-os em uma toalha, embrulhou-se em um roupão branco; abriu aquela porta de vidro totalmente suada pelo vapor da água quente.
Em frente ao espelho, mostrou-lhe os dentes, escovou-os, sentindo o frescor em um estalinho.
Puxou a porta, abriu-a em direção a cama, sentou-se e acabou de secar-se.
Era tarde de sábado, um pouco frio, mas sentindo-se tão aquecida.
Abriu um pote de creme, esfregou-o nas mãos e levou ao rosto em sentido circular.
 Pescoço, ombros, seios, barriga e pernas também foram beneficiados. 
Fez em si mesma uma massagem nos pequeninos pés, inundou-os com cremes.
 Ah, isso era muito bom, pensou:_Melhor mesmo era ter recebido de outra pessoa!
As unhas dos pés bem curtinhas, em um esmalte claro, estilo: francesinha dava um ar de limpeza e delicadeza.
Mesmo com movimentos lentos, a toalha caiu dos cabelos, jogando-os em seu rosto. 
Começou a penteá-los com os dedos, não usava pente, achava que aquela ação alisava seus cachos. Fez isso por algum tempo.
Passou um lápis preto em torno dos olhos, não era adepta a maquiagens e o cabelo: natural.
E se cuidava sempre, sempre tirava esse tempo para sentir-se.
Ela era assim atenta, zelava-se, desde sempre manteve o sorriso fácil isso a fazia jovial mesmo já tendo passado da casa dos quarenta.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 30/05/15



quinta-feira, 28 de maio de 2015

Sent(i)ndo...e vindo!

(imagem do Google)
Sent(i)ndo...e vindo!

O sol descia, parecia tão perto, o céu “alaranjou-se” em despedida. O sino do mosteiro apregoava a hora do ângelus. Ela se benzeu!
Um movimento nervoso de carros nas ruas, pessoas apontavam de todos os lados em direção as suas casas, fim de expediente. É, para alguns, provavelmente ali no meio, havia pessoas indo para o trabalho, a vida não é mais tão padronizada. Crianças uniformizadas chegando, jovens e adultos rumando-se aos colégios.
Naquele calçadão uma marca no chão: 2.010 km; não satisfeita, fez o trajeto novamente, e novamente; 6.030 km para aquele dia já estava bom.
 Boca da noite, escuro embaixo daquelas arvores, pássaros ainda em algazarra se aninhando, seguiu o rumo da sua casa.
Caminhada diária, ela já conhecia de “boa tarde” várias pessoas naquele trecho.
Aquele cheiro de verde, brisa no rosto era uma sensação livres e santo remédio.
Absorta em seus pensamentos, perdida até, e concordava. O amor nos acha; faz-nos achados e nos fazem perdidos: perdemos o sono às vezes, o medo; perdemos a vergonha, (essa é a primeira), perdemos o juízo e muitas vezes a razão.
Mas era um “perder-se” tão bom, cheio de vida, cheio de vontades, tantos quereres, que por mais que não se concretizassem eram chamas acesas.
Movida constantemente por essa expectativa, rodou a chave e abriu o  portão. Feliz até, por ser capaz de ser recipiente de tão bons sentimentos; esse seu estado feliz ia de encontro com o estado de sua cadelinha, que lhe baixava os olhinhos em cada saída e fazia festa a cada chegada!
Amor incondicional!

Raquel Ordones
Uberlândia MG 28/05/15


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Um novo amor

Um novo amor

Passa a existir do nada; é caminho desconhecido,
E não extingui as pegadas dos amores anteriores,
E não se comparar a nenhum caminho percorrido,
Tudo dessemelhante até mesmo espinhos e flores.

GPS não funciona, pois tem a sua própria direção,
Ele é o guia, não quer saber se você tem coragem,
Ainda na fuga permanece, não quer a sua opinião,
Ora é calor e ora  por todo o corpo causa friagem.

Outros caminhos, outros tempos e outras rotações,
Mapas de amores anteriores; inútil serem olhados,
Os calhaus e curvas em outros lugares são fincados.

E talvez as experiências distingam novas emoções,
Amores novos, novas as trilha a nada se confronta,
Desconhecido que seduz, faz da cabeça meio tonta.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 27/05/15


terça-feira, 26 de maio de 2015

Sonh(a)dora

(imagem do Google)
Sonh(a)dora

Era outra manhã, chovia levemente, aquelas gotículas a beijava sutilmente e se dissipavam no ar.
Havia chovido forte mais cedo, saindo do seu portão ainda avistava algumas poças d’água; guarda-chuva nem em sonhos ela usava, aquilo era uma proteção “fake”, pés molhavam, jeans molhava e se a chuva cismasse da mão, esse acessório não aguentava, se tivesse ventando, virava-se ao avesso, melhor ir sem.
Um vento frio ouriçava os cabelos do seu braço, tornando-os arrepiados e aquela sensação de frisson era emoção única, ela adorava arrepiar-se.
Resolveu sair a pé naquele dia, um cheiro de café coado na hora vinha de todas as direções sem se misturarem, fragrância única.
O sol ainda de pijama olhava com rabo de olho por uma fresta de nuvem, talvez não se levantasse porque as nuvens espessas dominaram todo o espaço.
Pensou em almoçar acompanhada, numa boa gargalhada a dois, olhares, talvez...
Lembrava-se do toque dos seus dedos em seus cabelos “encaixados” por natureza.
Pensou que talvez pudesse folgar do trabalho após o almoço, mas nada concreto, só um turbilhão de pensamentos insanos ousavam revirá-la por dentro
Tão sozinha e tão bem acompanhada de si, seguiu caminho ao trabalho; pássaros de penas molhadas cantarolavam felizes, manhã encantadora. Como dirá uma amiga: manhã poderosa.
Chegou ao trabalho dezoito minutos após ter saído de casa, como de costume subiu aqueles quinze degraus da escada de entrada, de repente o mundo encantado havia ficado lá fora.
Telefone, clientes, fornecedores, aquele escritório parecia mais uma feira livre, impossível qualquer saída dali naquele dia; foi derrubada do sonho, caiu com tudo no chão da realidade sem tempo para pensar na pequena viagem que fez no trajeto de casa ao trabalho.


Raquel Ordones
Uberlândia MG 24/05/15

(imagem do Google)

domingo, 24 de maio de 2015

Ela era pequena

(imagem do Google)
Ela era pequena

Ela era pequena, tinha um “q” de atraente, o vento adorava roubar-lhe o perfume e o espargia por entre linhas e entrelinhas de qualquer um que o encontrasse. 
Usava sempre um batom de sorriso, de todas as cores e sabores, era artilharia, e da pesada, não era qualquer coisa que o borrava; tinha os olhos delineados de negros recheados de mel, diariamente trabalhava; “notivagamente escrevivia”.
Chorava sim, claro que ela chorava, era tão humana quanto; e a lágrima só lhe descia o rosto depois de acatada pela verdade.
Ela era pequena e tão grande, e se jogava nos sentimentos, sem se importar com o provir, os seus cabelos eram desalinhados, sem permitir o desalinho emocional.
Centrada sim, decidida sempre, frágil como uma borboleta, intensa como o espaço, de abraço exato.
Sem meio termo, em cima do muro não é lugar para ninguém que quer ir à frente.
Vestia-se com simplicidade em uma moda peculiar nas alturas do seu salto. 
Adorava os pores de sol, o canto dos pássaros a encantava e o olhar da criança era tocante.
Ela era pequena, tão sã e tão louca, louca por paixões, louca pela chuva, por ela às vezes não batia bem e chovia junto.
Ela era pequena... Talvez não tenha sido enxergada!


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 24/05/15



quinta-feira, 21 de maio de 2015

Precisa-se

Precisa-se

Precisa-se de gente que doe sorriso sem permuta,
De gente com verdades e de palavras de verdade,
Precisa-se de gente que arregaça a manga vai luta,
De gente que não coloca cor nem sexo na amizade.

Precisa-se de gente de atitude, braços descruzados.
Precisa-se de gente que “seja” e não só que “tenha”
De gente que acredita e faz residência se abraçados
De gente que ousa e se joga e que nada o detenha.

Precisa-se de gente que grave estrela no céu alheio,
E risque horizonte em sua e em quaisquer paredes,
Precisa-se de gente que compartilhe os pães e redes.

Precisa-se de gente de bem, que mostre a que veio.
Precisa-se de gente que pinte jardins de toda a cor,
E que borde nas cortinas do coração somente amor.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 21/05/15


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Assim são as pessoas

Assim são as pessoas...

Assim são as pessoas: um relâmpago.
Entra em sua vida numa tempestade de emoção,
 faz um espetáculo de luzes e encantamentos,
 pega carona no barulho do trovão,
te ofusca no ímpeto de um desaguar momentâneo,
lança raio certeiro de sentimentos fortes
e sem se preocupar com possíveis atingidos,
 simplesmente se vão.

Raquel Ordones

Uberlândia MG  20/05/2015

terça-feira, 19 de maio de 2015

Passou por mim feito tsunami


Passou por mim feito tsunami

E quando eu percebi já estava toda revirada,
Cabeça voando sem rumo em pensamentos,
Olhos perdidos em uma procura sem parada,
Cacos de mim em mim e levados com ventos.

Quando eu percebi meus eus saíram de mim,
Um mais louco que o outro com sua presença,
Me senti só com tanto querer, alma carmim,
Vi em meio à agitação o quão faz a diferença.

Quando eu percebi já havia me levado junto,
Tudo de mim escorreu por entre o que é seu,
Agarrada não me desatei, então me rompeu.

Quando eu percebi, já éramos um conjunto,
E nossos alicerces se viraram em conchinhas,
E feito tsunami passou, despindo entrelinhas.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 19/05/15


domingo, 17 de maio de 2015

Seus pensamentos

Seus pensamentos

Tantas tentativas em decifra-los, todas em vão.
Desvario demais, talvez nem você mesmo saiba.
E revivo as palavras ditas para fazer comparação
Nada desvenda nada, nem sei se o nada ali caiba.

E dos meus pensamentos eu sei, deles a certeza.
Onde não é não; sim é sim e nada nega nós dois.
É que sua evasão respinga em mim com aspereza.
Ontem foi lindo, hoje sei lá, menos ainda o depois.

Passa o tempo e o inesperado não me surpreende.
Noto um caminho meio esburacado, algo faltando.
Não consigo ver esperança nem lá adiante virando.

Chamo pelo seu pensamento, ele não me atende.
É mistério indecifrável, mas assumo que eu gosto.
Por alguns instantes já estive nele, isso eu aposto.


Raquel Ordones
Uberlândia MG  20/05/2015

Unindo


Unindo

Letrinha por letrinha eu atrelo
A palavra surge, vejo imagem.
E então eu imagino um castelo
Sol versando verbo na aragem.

E uma letra, outra letra: monte.
Uma expressão então me sorri.
Juntando a outras tenho ponte
Já surgindo o poema, o percebi.

As letrinhas, as palavras, verso.
Misturando-se ao sentimento.
A flor, o céu, príncipe e vento.

E as letrinhas se fazem universo
Tudo que toca fora e no coração
Poemas... Das letrinhas a união.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 17/05/15


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Eu


Eu

Eu me encontro aqui escrevendo tudo já escrito antes,
Talvez trocando palavras e mudando-as de lugar, sei lá.
Me pego ditando textos requentados, mas importantes.
Sua presença ainda é quente não arrefeceu de lá para cá.

E me sinto valente, engulo lágrimas, não tem gosto bom.
Mas é que não tem como ser diferente, choro escondida.
E jurei que isso vai mudar: não combina com meu batom.
E que tudo em mim vai permanecer sem nenhuma ferida.

Sua presença está na cabeça, na alma e também na pele.
Na flor do jardim, naquela figura masculina que esbarro.
Seu cheiro se tatuou no meu verso e reverso, não o varro.

O telefone não toca a fumaça deliu, não há nada que gele.
E do amanhã não sei, agora eu sinto, o ontem me marcou.
A palavra felicidade é só o resumo do que você me causou.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 14/05/15

(pseudo Soneto egoísta)