segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Olimpíada de nós

Olimpíada de nós

Como um tiro ao coração sobreveio,
Anseio: é ação por afinidade,
Verdade; da vida, por você apeio,
O devaneio é a minha atividade.

E revezo; você e você, cartaz,
Capaz de me arremessar na saudade,
Não sou Jade, mas seu chão me dá paz,
Satisfaz-me de emoção; é sem vaidade.

Individualmente torço por mim,
Enfim, fez-se minha modalidade,
Sem idade a nossa dualidade.

Coletivo, os meus‘eus’ jogam assim:
Ruim?_ tem objetivo e não atrapalham,
Espalham-se e de você, medalham!

Raquel Ordones

Uberlândia MG 12/08/16

Suas palavras

Suas palavras

E chegaram assim, inesperadas,
Paradas em meus olhos, me calaram,
Tocaram-me e pela alma, devoradas,
Amadas, no meu infinito; arquivaram.

Inexplicável, nó travou a garganta,
Tanta a vontade de chorar; feliz,
Quis voar pro seu abraço, me espanta,
Manta de lágrimas qual chafariz.

Fôlego me faltou estupidamente,
A mente gritou, quase não acredito,
Um agito no coração em negrito.

Gravei o momento, preciosamente,
Tão quente em mim; total hiberno,
Ternos versos; afixei no meu eterno.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 14/08/16


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Poesie-se


Poesie-se

Traga o seu dentro para fora, então,
Fixe do coração seu sentimento,
E fique atento ao seu mix de emoção,
E a razão? Finja que ela é só um invento!

Avesse-se, sem desculpa ao papel,
Entorne seu céu, sem nenhum receio,
E não é feio desnudar-se do seu véu,
Em rapel desça no fundo sem bloqueio.

Pinte-se em sua cabal profundeza,
Com a leveza de alma requintada,
Pelada de si, à brisa lançada.

Poesie-se; entender requer fineza,
Pureza, sensibilidade e amor,
Pavor é achar que isso é para doutor.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 06/08/16

Instagram: @raquelordones

Porque você é uma delícia


Porque você é uma delícia

É porque você tem cheiro de rima,
Enzimas a catalisar a gente,
Envolvente: lados, em baixo, em cima,
Em clima quieto, ora caliente.

E você tem cheiro de poesia,
Harmonia de fragrância e sabor,
Olor que vem da alma em ventania,
Radia desejo, cheiro de amor.

Esse seu tempero é toda delícia,
Malícia de pimenta que reina,
É guloseima que o paladar treina.

E se deixe ser sorvido em carícia,
E m perícia do meu prato se assume,
Só não se marine com o azedume.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 09/08/16

Instagram: @raquelordones

A noite nunca vem só


A noite nunca vem só

Sol desce, escurece, surge o mistério,
Império que floresce de estrelinha,
Linha que prevalece sem critério,
Sério! Algo que enlouquece e desalinha.

A noite traz a tiracolo a calma,
O trauma, o dolo e açoite de saudade,
A verdade que faz pernoite na alma,
Palmas do dia e afoites da amizade.

A noite traz o nó da nostalgia,
Da poesia, o pó que se fez verso,
No reverso em dó maior, converso.

A noite é inspiração e boemia,
Orgia em mente de anjos e demônios,
Neônios que colorem hormônios.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 11/08/16
Instagram: @raquelordones


domingo, 7 de agosto de 2016

Navegue em mim

Navegue em mim

E zarpe rumo ao meu corpo; trafegue,
Se apegue em mim, como único destino,
Peregrino de desejo e não negue,
Regue-me de beijo em desatino.

Ice vela, no meu denso; navegue,
Então pegue ondas, propenso menino,
Em pino me sonde; a mão escorregue,
E não sossegue; submirja meu tino.

Singre na minha tez, à sua; entregue,
Esfregue mais uma vez, já imagino,
Cale o sino, entranhe-me; submarino.

Se lance no meu mar aberto; alegue,
Carregue-me, coloque-me supino,
Cante-me hino; aporte em mim, empino.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 05/08/16

Instagram: @raquelordones

Sou rio e choro

Sou rio e choro

Assim sou: rio; então rio de mim também,
E vou além da vastidão do meu peito,
Com jeito ainda frio; busco fazer bem.
Até com desdém as margens do leito.

E acho alguns entulhos em minha frente,
Falsa gente em um embrulho bonito,
Abafo o grito e mergulho na mente,
E ninguém sente meu orgulho em agito

As beiras de mim, eu cultivo flores,
Cores de incentivo, notável ponte,
Ora fonte potável atrás monte.

Assim sou: rio; então rio de mim horrores,
Com dores eu choro, deságuo turva,
Se chuva de zelos, verte-me a curva.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 04/08/16

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Notas sobre ela

Notas sobre ela

Ela viaja num céu que só existe para ela... Num céu criado à sua altura, espessura e largura... Nada falta, nada excede... E o que ela sente ali, não se mede.
Esse céu desce até as rosas no chão e as rosas se misturam as estrelas em elevação.
É como se o impossível acontecesse naquele momento, porque nada explica e tudo se justifica em apenas estar juntos.
Desde sempre... E para um sempre no dentro!

(Raquel Ordones)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

A sós

A sós

Meus beijos guardados seriam seus,
Desnudados desejos que me causa,
Sem pausa e desabotoados eus,
Meu tudo partilhado, nossa lausa.

Na minha tez, puramente seu toque,
E sem retoque, novamente, nós.
A sós, inteiramente aptos ao choque,
Hálitos ferventes, suor, sem voz.

Nós em nós ocupa mesmo espaço,
Abraço, mãos no meu cós, louca dança,
A boca sem embaraço em andança.

Nosso dentro e nosso fora; amasso.
Laço afora, jus, mexidos lençóis,
Atrevidos e nus, estando a sós.

Raquel Ordones

Uberlândia MG – 09/07/16

Enquanto não passa a chuva

Enquanto não passa a chuva

É cedo, cubra-se no meu edredom,
Ouça da chuva o som sem tantos medos,
Sem degredo e tonto em meu batom,
Vista-se em mim, luva, descubra segredos.

Abrigue no meu dentro; faça-o teto,
Risque concreto com suas digitais,
E no meu cais aporte em céu aberto,
Transporte-me sem véu em seus pluviais.

Recolha-me em seus varais e me estenda,
Nos lençóis sem escolha o infinito,
Acolha-me em nós; desejo negrito.

Anote em mim sua tez, arme tenda,
Surpreenda-se; meu vinho de decote uva,
E outra vez, enquanto não passa a chuva.

Raquel Ordones

Uberlândia MG 11/07/16

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Arrepio

Arrepio

Ação estúpida que da gente brota,
Bota na pele algo perturbador,
É cúpida sensação que se nota,
Talvez gele; ora combustão e calor.

É prazer corporal de incertas fontes,
Certas canções, palavra sussurrada,
Acordada ou no sonho fazem pontes,
Canal risonho na tez erriçada.

Extasiante essa coisa que abarca,
E marca nosso estado por inteiro,
Raro instante cravado no ponteiro.

Orgasmo cósmico; o ser se encharca,
Um pasmo nascer de asa que espalma,
E o corpo voa para a casa da alma.

Raquel Ordones

Uberlândia MG – 22/06/16

Entrega

Entrega

E Viajo nas leves asas do meu sonho,
Em breves guinadas ou alço em pouso a sorrir,
Calço estradas; e meu cerne atreve risonho,
Enfronho, visto algo que quero desvestir.

E perco-me nessa busca, mas espero,
Coisa nula me ofusca e se quero: voejo,
A minh’alma rebusca tal estado esmero,
De lua é pintado; e palmas para seu beijo.

Cobiço o azul do seu céu, gosto e prazer,

A trazer-me reboliço desse seu rosto,
Atiço-me ao pensar: que fazer nesse posto?

Desejo suas mãos no recesso do meu ser,
E peço: ao se atrever, cuide-me nos ensejos,
Sem regresso seremos um do outro, andejos.

Raquel Ordones

Uberlândia MG – 30/06/16

Fome de amor

Fome de amor

No estômago fundo do imo; um vazio,
Frio arrimo, âmago a mirar profundo,
Um mundo de amar no limo arredio,
Falta brio, num degustar fecundo.

Fome aperta, falta-te a refeição,
Uma alerta na pauta te consome,
Some-te de ti, em alta a solidão,
E sem ação teu ‘eu’ salta; é só pronome.

Apetite voraz e nada a mesa,
Tristeza sagaz numa alma faminta,
 Fintas à paz, uma calma te pinta.

Entorna-te disponível, leveza,
Acesa e legível; em cor te tornas,
Morre a fome; amor cai como bigornas.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 02/07/16

Estranheza

Estranheza

Com certeza em mim algo diferente,
 Minha alma sente enfim essa nobreza
 Trauma sem fim de agudeza, atraente,
A mente bate palmas com leveza.

Louco sentimento liquefaz,
Há vento na minha paz e não é pouco,
Sem oco  aninha de jeito voraz,
E em cartaz o peito não é mouco.

Folhas que se reviram e tão leves,
São ultraleves de eus que viram bolhas,
Num perene se atreve sem escolhas.

Alheio é esse sentir e nada breve,
Deve residir-me; meio, profundeza,
Seu desvelo veio, sou só estranheza.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 04/07/16


Nos fios dá miada


Nos fios dá miada

Deitada na janela, mansa e bela,
Descansa sobre ela um ar de preguiça,
Submissa à moleza; evita a viela,
E a sua esperteza ali se enguiça.

Lambe a pata então a passa no rosto,
Com gosto repassa; da gata o banho,
É tão estranho, sem caça o seu posto,
Desgosto da raça, talvez o acanho.

E alguma coisa lhe chama a atenção,
E no chão em contramão um novelo,
Um apelo lhe dá safanão ao vê-lo.

Num salto do alto, é toda expressão,
Na confusão fica toda enrolada,
Tão sem ação nos fios dá miada.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 05/07/16

(Nu)vens

(Nu)vens

Há nuvens coxins entre mim e o céu,
Num véu sem fim repleto de recortes,
Transporte de gotas não perto ao léu,
Certas de seu papel; leves; tão fortes.

E são breves em formas, passageiras,
Tão travesseiras sem condensação,
Entorna, no arrebol e caminheiras,
E o sol amorna o doce algodão.

Do céu não são, das estrelas distante,
Todas estações vêm trazer nos dias,
No anoitecer, chuvas são poesias.

Magia; esconde a lua fascinante,
Rua além-azul, céu contemplação,
Se as nuvens não estão lá, para onde vão?


Raquel Ordones
Uberlândia MG – 06/07/16

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Sou assim, sou poesia

Esmeralda...
 Ela é uma cigana destemida e com um coração de ouro (e é muito capaz de se defender). Ela também é capaz de olhar além das aparências físicas e é uma das primeiras - e única - pessoas em ambos os filmes a fazer amizade com o deformado ainda amável corcunda Quasímodo. Esmeralda é uma heroína maravilhosa cujo maior desejo é ver paz como Quasimodo e seu companheiro de ciganos ser aceito na sociedade e ser tratados como pessoas.
 
Sou assim, sou poesia

E sou assim, como as flores e gotas de orvalho,
Com brisa leve nas palavras que profiro,
Adoro balouçar nas pontinhas do galho,
Até sou birrenta, mas disso não me admiro.

Eu tenho uma criança nalgum canto da alma,
Ela não fica quieta, corre o meu ser,
E se eu der corda ela fala batendo palma:
_ fico louco quando você não quer crescer.

O meu perfume se espalha nas adjacências,
E deixo o rastro bem dentro do seu nariz,
Mergulho pés de galinha no chafariz.

Tagarela de letras e derramo essência,
Palavras, versos, notas e sinestesia,
E sou assim, ‘desmetrificada’ poesia.

ღRaquel Ordonesღ



 

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Não há provas de amor

Não há provas de amor

E não há provas de amor, essa dissertação eu defendo,
Não há nenhuma inscrição, não se estuda para senti-lo,
Não há data agendada, nem hora, isso é certo, emendo,
Ao contrario, não há isolamento; expõe-se ao admiti-lo.

E não têm alternativas A e B quando o amor toma conta,
Nem falso e nem incorreto, múltipla escolha nem pensar,
Suas questões são objetivas, uma opção única ele aponta,
Numa linguagem clara, ainda que estrangeira versa amar.

Não se prova o amor, sente-se, a atitude vem impensada,
Conhecimentos gerais, específicos não lhe dão definições,
Se forçar amostrar-se, foge concordância e interpretações.

E nenhuma das alternativas anteriores justifica em nada.
Não se ama mais ou menos, ama-se, emoção que negrita,
E não há provas de amor, por si ele é mor, ele se gabarita.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 17/05/16

Soneto infiel – sem métrica

De “saco cheio”

De “saco cheio”

Então, como sempre resolvi escrever um poema,
E usei a estrutura do soneto, porque gosto afinal,
Jamais pensei que isso me acarretasse problema,
Sem métrica e sem me prender a contagem e tal.

Dois quartetos e dois tercetos, traindo a métrica,
Batizei esse escrito com o nome de Soneto infiel,
Aparadas pontas dos versos, conteúdo e estética,
Não são letras em linhas sem nexos jogadas ao léu.

Não é tão fácil assim, mas talvez não fosse aceito,
Sabe-se que a mudança chateia o rótulo e o clichê,
E se a mente é pequena a nova roupagem não vê.

Soneto tem suas regras, mas houve o preconceito,
Coloquei um lembrete no fim para quem viesse ler,
Se poesia é livre, da forma que quiser vou escrever.


Raquel Ordones
Uberlândia MG – 18/05/16
Soneto infiel – sem métrica

Perfume de almas

Perfume de almas

As nossas almas eram para serem assim: flores,
Providas de botões vivos, de pétalas aveludadas,
Macias a serviço do destino com os seus odores,
Desfraldando aos ventos nas manhãs ensolaradas.

As nossas almas poderiam constituiu um jardim,
Carregado de néctares, abelha de galho em galho,
Polinizações e borboletas com beija-flores enfim,
Perceptibilidade de raio de sol na gota de orvalho.

Num leva e traz de sementes, num espalhar vidas,
Ornando altares de corações sempre em folguedos,
As nossas almas deveriam ser flores e sem medos.

Nossas almas eram para serem assim, sem feridas,
Perfume que esparge de concentrado sentimento,
Beleza de mãos postas e ajoelhada... Sem lamento.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 16/05/16

Soneto infiel – sem métrica

Das loucuras de mim

Das loucuras de mim

 As malas das minhas ideias desarrumadas; arrumo,
 Tento divisar uma ordem, qual a relevância de cada,
Dobro e desdobro, então aliso para sentir o aprumo.
Abstruso, cada uma tem valor, nenhuma descartada.

Algumas ideias passageiras, outras sempre martelam,
Algumas são meio insanas, outras são tão coerentes,
Algumas são rasas, outras na alma e coração anelam,
Umas são meio tolas; já outras tão surpreendentes.

Fico ali horas tentando nessa minha louca arrumação,
E coloco-as num canto, no meio, em cima e em baixo.
É tão melindroso, um quebra-cabeça, quase o encaixo.

E aparentemente em mim quase percebo a evolução,
E puxo o fecho éclair em torno dessa minha bagagem,
Inútil, sento em cima, tudo bagunçado, que bobagem!

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 15/05/16

Soneto infiel – sem métrica

Escre(v i)ver

Escre(v i)ver

E estou eu aqui mais uma vez em meio aos meus versos,
Escrevendo coisas já escritas, mudando palavras de lugar,
Depositando tempero por todas as direções e anversos,
Ditando meus textos para mim, num constante requentar.

Às vezes tiro muitos sentimentos e mostro-lhes a caneta,
E ela entende perfeitamente e os translada para o papel,
Sinto-me vasculhada por mim, a alma é remexida gaveta,
Vejo-me em cores sentada no meio fio com tinta e pincel.

É... Então escrevo; a saudade de você me joga nesse jogo,
Do amanhã não sei, agora eu sinto, o ontem me marcou,
Não varro, no meu verso e reverso seu cheiro se tatuou.

Por vezes me sinto valente, pois engulo lágrimas de fogo,
Brigo com algumas, mas choro, porém o sabor não é bom,
Decidi, para você meu sorriso; orna mais com meu batom.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 14/05/16

Soneto infiel- sem métrica

Transparecendo-me

Transparecendo-me

Em cada passo dos meus andares busco conhecer-me,
Por entre estradas de pó dos meus eus e os seus egos,
E a chuva de anseio de minha alma goteja a verter-me,
Fixada em mim, de mim não se desprendem os pregos.

Cada segundo que me acomete; sou novidade em mim,
Singro na dianteira, o que levo é carga somente minha,
Freqüento por entre os ventos de tantos cheiros enfim,
E misturo-me às pétalas do meu vestido que me alinha.

Eu sou corpo, sou pele em arrepio, até superficialidade,
Às vezes imo e alma, pois imirjo na minha profundeza,
Às vezes engulo às vezes engolida, pudim sobre a mesa.

E nas redondezas de mim, coisas baldias têm tonalidade,
Às vezes me bulinam, nas rédeas de mim faço endereço.
Transparecendo-me, da vitrine do coração ao seu avesso.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 12/05/16

Soneto infiel – sem métrica

Ei... Esse poema é para você!

Ei... Esse poema é para você!

Ei... Esse poema é para você que tem tanta coisa guardada,
E que jamais confiou a ninguém o seu ser e a sua essência,
Esse é para você que rolou na cama no meio da madrugada,
Esse é para você que transforma amor na sua jurisprudência.

Para você que chora no chuveiro;  a lágrima corre pelo ralo,
Que fica horas com o telefone na mão sem coragem de ligar,
Para você que se faz pedra; mas o cair da pétala causa abalo,
Esse é para você que ama... Sem definitivamente nada cobrar.

Esse é para você que é pura poesia, jamais disse para o lápis,
É para você que jamais se consentir ser impresso num papel,
É para você que fala com estrela e lua e busca alguém no céu.

Esse é para você, que se recolhe em si, mas seu sentir é ápice,
Para você que ama em camuflagem escorrendo por seus olhos,
Ei... Esse poema é para você que é amor em flor e aos molhos.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 12/05/16

Soneto infiel – sem métrica

Estrel(a) mor

(imagem do Google)

Estrel(a) mor

Então, o amor é assim: mais ou menos como o sol,
Nasce no primeiro raio de olhar, na manhã de nós,
Pela frestinha da janela, por entre as folhas é farol
Iluminando os nossos quartos e dando à alma, voz.

Deixa o dia mais intenso, aquece tardes e coração,
Faz no peito sombras para um merecido descanso,
A tez torna-se morena, a hora do Ângelo é oração,
Seca enxurrada de lagrimas e faz do cerne, manso.

O amor é assim como o sol e nos liberta do escuro,
Claridade que segura nossas mãos pelos caminhos,
Beija por inteiro nossa flor e secar nossos espinhos.

Melhora a nossa natureza e clarifica atrás do muro,
Faz a gente assim pateta quando desnuda seu véu,
E lançamos olhares abobados para horizonte e céu.

Raquel Ordones
Uberlândia MG –03/05/16

Soneto infiel – sem métrica

Novos ares

Novos ares

 Às vezes paro na porta de mim e me assento a pensar:
_O que será que irei encontrar após descer os degraus?
Fico ali absorta com o sol quase no meu pé a me tocar,
E um vento lá adiante nas águas tocando aquelas naus.

Dou passos adentrando na varanda do meu pensamento,
Sinto que a brisa já vem tirando a poeira, dando conforto,
E um cheiro de mofo passa por mim em desprendimento.
Aquelas coisas de mim sem viés, aquele lance meio torto.

Um sopro do vento se amorna ao sol, respiro novos ares,
Permito-me mais um passo e sinto seiva de restauração,
Desço mais um degrau e já no quintal é aliviada a tensão.

É; às vezes paro na porta de mim; e sinto os meus olhares,
Deveria me jogar, sei que é exatamente disso que preciso,
Quando faço isso careço respirar, por dentro chove granizo.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 02/05/16

Soneto infiel – sem métrica

Dos entulhos de nós

Dos entulhos de nós

Dia após dia amontoam-se poeiras na entrelinha,
 Parede da nossa poesia é disfarce não sei de quê,
E vão se acrescentando tal qual uma erva daninha,
E se a gente não faz limpeza, mal dá para nos ler.

A argila faz-se crosta, o sol vem e o resseca então,
E a nossa paisagem autêntica não mais se retrata,
Feito uma embalagem há tempos jogada no chão,
Majorada de pó, nos esbarrões a descascar a lata.

E se chovemos; a poeira é limpa, mas cresce lodo,
A solidão, a tristeza, o medo sem dar qualquer flor,
É uma casca crespa que pode até reprimir o amor.

A dica para tais destroços: somente passar o rodo,
Literal: nas janelas dos olhos, no fundo do coração,
Brilha alma, linha, entrelinha, restaura composição.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 01/05/16

Soneto infiel – sem métrica