sábado, 30 de maio de 2015

Sensual(i)dade

(imagem do Google)
Sensual(i)dade

Um cansaço tomava conta daquele corpo pequeno, a semana havia sido bem agitada.
Mergulhou embaixo do chuveiro deixando cada gotinha acariciar seu corpo. 
Molhou os longos cabelos, despejou um pouco de xampu nas mãos e afagou-os lentamente.
Enxaguou-os; extraindo todo resíduo daquele creme; alcançou uma bucha macia, esfregou-a ao sabonete criando uma perfumada espuma e acarinhou toda a sua pele.
Ergueu o rosto e deixou a água limpar toda aquela espuma, começando ali mesmo até ganhar o chão, correndo para o ralo.
 Um cheiro bom tomava conta do ambiente, transbordando pela fresta da porta e pela janela semicerrada. 
Sentiu-se.
Parecia que ali acontecia um milagre, aquele cansaço também escorria ralo abaixo.
Fechou aquela torneira e ainda sentiu os últimos pingos caírem do chuveiro. 
Espremeu os cabelos tirando o excesso de água enrolou-os em uma toalha, embrulhou-se em um roupão branco; abriu aquela porta de vidro totalmente suada pelo vapor da água quente.
Em frente ao espelho, mostrou-lhe os dentes, escovou-os, sentindo o frescor em um estalinho.
Puxou a porta, abriu-a em direção a cama, sentou-se e acabou de secar-se.
Era tarde de sábado, um pouco frio, mas sentindo-se tão aquecida.
Abriu um pote de creme, esfregou-o nas mãos e levou ao rosto em sentido circular.
 Pescoço, ombros, seios, barriga e pernas também foram beneficiados. 
Fez em si mesma uma massagem nos pequeninos pés, inundou-os com cremes.
 Ah, isso era muito bom, pensou:_Melhor mesmo era ter recebido de outra pessoa!
As unhas dos pés bem curtinhas, em um esmalte claro, estilo: francesinha dava um ar de limpeza e delicadeza.
Mesmo com movimentos lentos, a toalha caiu dos cabelos, jogando-os em seu rosto. 
Começou a penteá-los com os dedos, não usava pente, achava que aquela ação alisava seus cachos. Fez isso por algum tempo.
Passou um lápis preto em torno dos olhos, não era adepta a maquiagens e o cabelo: natural.
E se cuidava sempre, sempre tirava esse tempo para sentir-se.
Ela era assim atenta, zelava-se, desde sempre manteve o sorriso fácil isso a fazia jovial mesmo já tendo passado da casa dos quarenta.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 30/05/15



quinta-feira, 28 de maio de 2015

Sent(i)ndo...e vindo!

(imagem do Google)
Sent(i)ndo...e vindo!

O sol descia, parecia tão perto, o céu “alaranjou-se” em despedida. O sino do mosteiro apregoava a hora do ângelus. Ela se benzeu!
Um movimento nervoso de carros nas ruas, pessoas apontavam de todos os lados em direção as suas casas, fim de expediente. É, para alguns, provavelmente ali no meio, havia pessoas indo para o trabalho, a vida não é mais tão padronizada. Crianças uniformizadas chegando, jovens e adultos rumando-se aos colégios.
Naquele calçadão uma marca no chão: 2.010 km; não satisfeita, fez o trajeto novamente, e novamente; 6.030 km para aquele dia já estava bom.
 Boca da noite, escuro embaixo daquelas arvores, pássaros ainda em algazarra se aninhando, seguiu o rumo da sua casa.
Caminhada diária, ela já conhecia de “boa tarde” várias pessoas naquele trecho.
Aquele cheiro de verde, brisa no rosto era uma sensação livres e santo remédio.
Absorta em seus pensamentos, perdida até, e concordava. O amor nos acha; faz-nos achados e nos fazem perdidos: perdemos o sono às vezes, o medo; perdemos a vergonha, (essa é a primeira), perdemos o juízo e muitas vezes a razão.
Mas era um “perder-se” tão bom, cheio de vida, cheio de vontades, tantos quereres, que por mais que não se concretizassem eram chamas acesas.
Movida constantemente por essa expectativa, rodou a chave e abriu o  portão. Feliz até, por ser capaz de ser recipiente de tão bons sentimentos; esse seu estado feliz ia de encontro com o estado de sua cadelinha, que lhe baixava os olhinhos em cada saída e fazia festa a cada chegada!
Amor incondicional!

Raquel Ordones
Uberlândia MG 28/05/15


quarta-feira, 27 de maio de 2015

Um novo amor

Um novo amor

Passa a existir do nada; é caminho desconhecido,
E não extingui as pegadas dos amores anteriores,
E não se comparar a nenhum caminho percorrido,
Tudo dessemelhante até mesmo espinhos e flores.

GPS não funciona, pois tem a sua própria direção,
Ele é o guia, não quer saber se você tem coragem,
Ainda na fuga permanece, não quer a sua opinião,
Ora é calor e ora  por todo o corpo causa friagem.

Outros caminhos, outros tempos e outras rotações,
Mapas de amores anteriores; inútil serem olhados,
Os calhaus e curvas em outros lugares são fincados.

E talvez as experiências distingam novas emoções,
Amores novos, novas as trilha a nada se confronta,
Desconhecido que seduz, faz da cabeça meio tonta.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 27/05/15


terça-feira, 26 de maio de 2015

Sonh(a)dora

(imagem do Google)
Sonh(a)dora

Era outra manhã, chovia levemente, aquelas gotículas a beijava sutilmente e se dissipavam no ar.
Havia chovido forte mais cedo, saindo do seu portão ainda avistava algumas poças d’água; guarda-chuva nem em sonhos ela usava, aquilo era uma proteção “fake”, pés molhavam, jeans molhava e se a chuva cismasse da mão, esse acessório não aguentava, se tivesse ventando, virava-se ao avesso, melhor ir sem.
Um vento frio ouriçava os cabelos do seu braço, tornando-os arrepiados e aquela sensação de frisson era emoção única, ela adorava arrepiar-se.
Resolveu sair a pé naquele dia, um cheiro de café coado na hora vinha de todas as direções sem se misturarem, fragrância única.
O sol ainda de pijama olhava com rabo de olho por uma fresta de nuvem, talvez não se levantasse porque as nuvens espessas dominaram todo o espaço.
Pensou em almoçar acompanhada, numa boa gargalhada a dois, olhares, talvez...
Lembrava-se do toque dos seus dedos em seus cabelos “encaixados” por natureza.
Pensou que talvez pudesse folgar do trabalho após o almoço, mas nada concreto, só um turbilhão de pensamentos insanos ousavam revirá-la por dentro
Tão sozinha e tão bem acompanhada de si, seguiu caminho ao trabalho; pássaros de penas molhadas cantarolavam felizes, manhã encantadora. Como dirá uma amiga: manhã poderosa.
Chegou ao trabalho dezoito minutos após ter saído de casa, como de costume subiu aqueles quinze degraus da escada de entrada, de repente o mundo encantado havia ficado lá fora.
Telefone, clientes, fornecedores, aquele escritório parecia mais uma feira livre, impossível qualquer saída dali naquele dia; foi derrubada do sonho, caiu com tudo no chão da realidade sem tempo para pensar na pequena viagem que fez no trajeto de casa ao trabalho.


Raquel Ordones
Uberlândia MG 24/05/15

(imagem do Google)

domingo, 24 de maio de 2015

Ela era pequena

(imagem do Google)
Ela era pequena

Ela era pequena, tinha um “q” de atraente, o vento adorava roubar-lhe o perfume e o espargia por entre linhas e entrelinhas de qualquer um que o encontrasse. 
Usava sempre um batom de sorriso, de todas as cores e sabores, era artilharia, e da pesada, não era qualquer coisa que o borrava; tinha os olhos delineados de negros recheados de mel, diariamente trabalhava; “notivagamente escrevivia”.
Chorava sim, claro que ela chorava, era tão humana quanto; e a lágrima só lhe descia o rosto depois de acatada pela verdade.
Ela era pequena e tão grande, e se jogava nos sentimentos, sem se importar com o provir, os seus cabelos eram desalinhados, sem permitir o desalinho emocional.
Centrada sim, decidida sempre, frágil como uma borboleta, intensa como o espaço, de abraço exato.
Sem meio termo, em cima do muro não é lugar para ninguém que quer ir à frente.
Vestia-se com simplicidade em uma moda peculiar nas alturas do seu salto. 
Adorava os pores de sol, o canto dos pássaros a encantava e o olhar da criança era tocante.
Ela era pequena, tão sã e tão louca, louca por paixões, louca pela chuva, por ela às vezes não batia bem e chovia junto.
Ela era pequena... Talvez não tenha sido enxergada!


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 24/05/15



quinta-feira, 21 de maio de 2015

Precisa-se

Precisa-se

Precisa-se de gente que doe sorriso sem permuta,
De gente com verdades e de palavras de verdade,
Precisa-se de gente que arregaça a manga vai luta,
De gente que não coloca cor nem sexo na amizade.

Precisa-se de gente de atitude, braços descruzados.
Precisa-se de gente que “seja” e não só que “tenha”
De gente que acredita e faz residência se abraçados
De gente que ousa e se joga e que nada o detenha.

Precisa-se de gente que grave estrela no céu alheio,
E risque horizonte em sua e em quaisquer paredes,
Precisa-se de gente que compartilhe os pães e redes.

Precisa-se de gente de bem, que mostre a que veio.
Precisa-se de gente que pinte jardins de toda a cor,
E que borde nas cortinas do coração somente amor.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 21/05/15


quarta-feira, 20 de maio de 2015

Assim são as pessoas

Assim são as pessoas...

Assim são as pessoas: um relâmpago.
Entra em sua vida numa tempestade de emoção,
 faz um espetáculo de luzes e encantamentos,
 pega carona no barulho do trovão,
te ofusca no ímpeto de um desaguar momentâneo,
lança raio certeiro de sentimentos fortes
e sem se preocupar com possíveis atingidos,
 simplesmente se vão.

Raquel Ordones

Uberlândia MG  20/05/2015

terça-feira, 19 de maio de 2015

Passou por mim feito tsunami


Passou por mim feito tsunami

E quando eu percebi já estava toda revirada,
Cabeça voando sem rumo em pensamentos,
Olhos perdidos em uma procura sem parada,
Cacos de mim em mim e levados com ventos.

Quando eu percebi meus eus saíram de mim,
Um mais louco que o outro com sua presença,
Me senti só com tanto querer, alma carmim,
Vi em meio à agitação o quão faz a diferença.

Quando eu percebi já havia me levado junto,
Tudo de mim escorreu por entre o que é seu,
Agarrada não me desatei, então me rompeu.

Quando eu percebi, já éramos um conjunto,
E nossos alicerces se viraram em conchinhas,
E feito tsunami passou, despindo entrelinhas.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 19/05/15


domingo, 17 de maio de 2015

Seus pensamentos

Seus pensamentos

Tantas tentativas em decifra-los, todas em vão.
Desvario demais, talvez nem você mesmo saiba.
E revivo as palavras ditas para fazer comparação
Nada desvenda nada, nem sei se o nada ali caiba.

E dos meus pensamentos eu sei, deles a certeza.
Onde não é não; sim é sim e nada nega nós dois.
É que sua evasão respinga em mim com aspereza.
Ontem foi lindo, hoje sei lá, menos ainda o depois.

Passa o tempo e o inesperado não me surpreende.
Noto um caminho meio esburacado, algo faltando.
Não consigo ver esperança nem lá adiante virando.

Chamo pelo seu pensamento, ele não me atende.
É mistério indecifrável, mas assumo que eu gosto.
Por alguns instantes já estive nele, isso eu aposto.


Raquel Ordones
Uberlândia MG  20/05/2015

Unindo


Unindo

Letrinha por letrinha eu atrelo
A palavra surge, vejo imagem.
E então eu imagino um castelo
Sol versando verbo na aragem.

E uma letra, outra letra: monte.
Uma expressão então me sorri.
Juntando a outras tenho ponte
Já surgindo o poema, o percebi.

As letrinhas, as palavras, verso.
Misturando-se ao sentimento.
A flor, o céu, príncipe e vento.

E as letrinhas se fazem universo
Tudo que toca fora e no coração
Poemas... Das letrinhas a união.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 17/05/15


quinta-feira, 14 de maio de 2015

Eu


Eu

Eu me encontro aqui escrevendo tudo já escrito antes,
Talvez trocando palavras e mudando-as de lugar, sei lá.
Me pego ditando textos requentados, mas importantes.
Sua presença ainda é quente não arrefeceu de lá para cá.

E me sinto valente, engulo lágrimas, não tem gosto bom.
Mas é que não tem como ser diferente, choro escondida.
E jurei que isso vai mudar: não combina com meu batom.
E que tudo em mim vai permanecer sem nenhuma ferida.

Sua presença está na cabeça, na alma e também na pele.
Na flor do jardim, naquela figura masculina que esbarro.
Seu cheiro se tatuou no meu verso e reverso, não o varro.

O telefone não toca a fumaça deliu, não há nada que gele.
E do amanhã não sei, agora eu sinto, o ontem me marcou.
A palavra felicidade é só o resumo do que você me causou.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 14/05/15

(pseudo Soneto egoísta)

terça-feira, 12 de maio de 2015

Espera em vão

Espera em vão

Então o dia nasceu normal.
A flor tinha mesmo cheiro.
Havia um sol, era manhã.
Assistiu ao riso do padeiro,
Levou a bolacha água e sal.
Lágrimas por trás do Ray-ban.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 11/05/15


domingo, 10 de maio de 2015

E o meu coração?

E o meu coração?

Bom... Ele está aqui e pulsando continua. 
Buscando a cada dia ser mais e mais forte
Contemplando a beleza, se é sol o se é lua.
Apostando no equilíbrio, seguindo o norte.

 Meu coração persiste amando: isso é fato.
E não tem como ser díspar, para tal nasceu.
Aberto desde sempre ao amor, não o mato.
Surgiu, acendeu , enflorou, e agora verteu.

E vai ser assim: amar até depois do depois,
E sem licença para cair na bebida que mata.
Ou até mesmo andar por ai chutando lata.

E o meu coração?_ Vai bem e só há nós dois.
Desde sempre te armazenou aqui no eterno.
Fez-te poesia: a mais escrita no meu caderno.


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 10/05/15


quinta-feira, 7 de maio de 2015

Tenho te percebido em teus poemas

Tenho te percebido em teus poemas

Palavras?_ Algumas; com tantas verdades.
Todas elas me distorcem a uma só direção,
E te descubro assim: jogada em realidades,
Teus sentimentos em letras- materialização.

Tuas emoções têm vidas, as vejo dançando.
Teus versos são ataques mortíferos em mim,
Os teus eus em ressonância os vejo pulando,
E tem tantas cores e tem destaques carmim.

Os teus poemas confundem-se à tua pessoa
Olham densamente dentro dos meus olhos,
Desengaveta-me em flor, flores aos molhos.

Os teus escritos tem tanto poder que ressoa,
E a tua palavra afetuosa aborda e me enrola,
Tem poder de convencimento e me controla.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 06/05/15


terça-feira, 5 de maio de 2015

A felicidade morava lá

A felicidade morava lá

Quando era criancinha e morava distante.
Tinha uma porteira na entrada da fazenda,
E tudo era simples, o amor era importante.
Café e bolo de fubá sobre toalha de renda.

Um pomar extenso cheio de frutos e flores,
Um córrego cristalino no fundo do quintal.
Vaca e cavalo no pasto, borboletas e cores
Uniformes tão pequenos e brancos no varal.

Um pé de santa Bárbara, nele havia balanço
Uma bica do lado de cá e de lá o galinheiro.
A galinha da angola voava sobre o chiqueiro.

O cachorrinho Tarzan companheiro e manso.
As tarefas da escola feitas à luz de lamparina
Que saudade tenho da minha estação menina!


Raquel Ordones

Uberlândia MG 05/05/15

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Cursando-me

Cursando-me

Sabe quando lhe foge a administração e sua alma é poesia?
E psicologia é mania de querer essa pessoa por lei e direito?
Sabe quando o silêncio é tão unicamente a sua filosofia?
Sabe quando não há economia de sentimentos no peito?

Sabe quando sua física sente falta da química de alguém?
E você quer isso em todas as línguas, já perdeu a ciência?
Sabe quando sua matemática só carece dos dois também?
E tão simples na contabilidade, você e ele: é equivalência?

Sabe quando a sua tez arrepia e entrega toda uma história?
Sabe quando a geografia do seu corpo solicita por carinho?
Quando a tecnologia da informação torna-se pergaminho?

Sabe quando seu marketing desanda  em coisa simplória?
Você perde a faculdade do pensar, sem rumo é a redação?
É que você está tão FIES fora do ar, não consigo declaração.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 04/05/15


sábado, 2 de maio de 2015

É que estou com saudades

É que estou com saudades

Sabe quando o botão do recordar está ligado?
Sabe quando aquele vídeo clipe fica rodando?
Quando aquele ato repete e fica impregnado?
Sabe quando a gente continua assim voando?

E é assim que você habita aqui dentro de mim
É que pelo lado de fora também vive a escorrer
Na rua, após a esquina você está até no jardim.
Em minha vida você é o mais perfeito florescer.

Sabe quando você sonha desperta em todo lugar?
Quando você se perde em um mundinho só seu?
E é nessa saudade que eu o sinto assim tão meu!

E sabe quanto você não consegue se concentrar?
Quando você quase sente o cheiro, gosto e toque?
Nessa saudade me invado; e você aqui é reboque.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 01/05/15

A vida segue...

A vida segue...

Entre um dia e outro, logo outra noite.
E da saudade não existe nada no meio,
A distância é de tudo, na alma é açoite,
Há lacunas no imo que de vazio é cheio.

Um sorriso sem emoticon é muito raro,
E o abraço de carne tornou-se escasso;
O sentimento é passageiro feito um faro,
Entre uma pessoa e outra, tanto espaço.

Talvez até a lua tenha sido deslembrada,
E as apoucadas coisas perderam valores.
Uma pergunta: cadê os sinceros amores?

A vida segue passo a passo a ser rematada.
Na imperfeita humanidade há tanto grilo,
Em meio a tudo, me caço em meu estilo.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 02/05/15


terça-feira, 28 de abril de 2015

Acredito sim...

Acredito sim...

Palavras bonitas e doces não são suficientes,
Enquanto a atitude explica da melhor forma,
Palavra se contradiz, outras surpreendentes,
E por mais bem dita que seja, parece morna.

Creio nos velhos amores esses para toda vida,
Esses que pingam diariamente em constância;
Creio nos amores instantâneos, febre surgida,
Que mais se justapõe a uma volátil substância.

Creio no anseio que monta em rédeas na alma,
Cada um tem valor, mas só para quem o sente,
Não é amor quando vem alguém e nos mente.

Creio no amor sim, na tempestade que é calma,
Nessa coisa que quando a pessoa passa, ela fica,
Nesse sentir que toda a nossa essência fornica.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 28/04/15


segunda-feira, 27 de abril de 2015

E não demora muito...

E não demora muito...

E não demora muito, as minhas mãos estarão avelhantadas, eu sei.
E ainda assim sentirão o toque das tuas, ainda assim as segurarão.
Em qualquer momento desses o espelho vai me surpreender, vai me mostrar com todas as rugas, com seu jeito lascivo em que figura o tempo me transformou; e certamente vai querer saber onde estivemos enquanto o tempo em seu tempo passava.
Talvez olhemos cúmplices um para o outro e em  um saboroso uníssono responderemos:
_Não sei.
Ficaremos tristes?
_Provavelmente não, com certeza gargalharemos com os nossos olhos fulgentes de um adolescente amor.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 27/04/15


Passarinho

Passarinho

Passarinho, passarinho!
Que vive no meu quintal
Da entrada do teu ninho
Canta e canta em recital.

Passarinho, passarinho!
Tão ligeiro, sem timidez.
Tão miúdo é teu olhinho.
Tão grande na pequenez.

Passarinho, passarinho!
Sempre me acorda cedo.
Da noite não tens medo?

Passarinho, passarinho!
Aonde edificou tua casa?
Se te vi morando em asa!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 26/04/15


domingo, 26 de abril de 2015

Sol e vento

Sol e vento

É como se o sol beijasse
O cheiro moreno.
Ao vento borboletas e folhas!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 26/04/15

É

É 

O sol 
foi dado
a serra 
pelada.
Paixão de praia.
Tesão do mar.
A língua 
da onda
penetra e
lambe
a areia;
Molhada 
Escorria
No mormaço
Ardia,
Alma incendeia
Um gozo lá dentro.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 26/04/15


sábado, 25 de abril de 2015

Notas de nós

Notas sobre nós

... Talvez tenha vindo da poesia e se não veio, tornou-se.
E nesse meio tempo, uma biblioteca poderia ter sido erguida.
Tantas palavras iteradas, algumas criadas içaram e elou-nos.
A chuva esteve em boa parte da estação; então: chovemo-nos.
Inda que fizesse sol tua alma fazia-me gotejar com frequência.
...Talvez tenha vindo da poesia e se não veio, tornou-se.
Em cada pensar meu, a tua presença em coloração jazeu.
Feito arco-íris curvando-se numa ponte, atravessou-me.
E em cruzamento, tantos sentimentos bons; misturou-nos.
Como os pingos de chuva adentrando na terra a regar-nos.
...Talvez tenha vindo da poesia e se não veio, tornou-se.
Não saberei se estive em teu pensar nas tuas silentes noites
Nas tuas andanças pela vida talvez alguma coisa me lembre.
Não muito mais além disso, nem mesmo em um papo de bar.
Não sei se grandes doses de bebida te arranque dessa fuga.
...Talvez tenha vindo da poesia e se não veio, tornou-se.
No trilho algumas setas indicam sim e outras indicam não
E por várias vezes no não, juro por Deus que eu ouço sim.
No corre-corre da vida em pensamento sempre te encontro.
Se me encontra eu não sei, sei que nada e ninguém me para.
...Talvez tenha vindo da poesia e se não veio, tornou-se.
Poesia se escrita e divulgada nada mais a apaga, eterniza. 

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 25/04/15


sexta-feira, 24 de abril de 2015

Anotações

Anotações

... E ela chegou ao mundo, 
numa madrugada qualquer, 
era agosto e fazia frio, nua e sem GPS, 
encarou o desconhecido, cresceu, 
mais intelectualmente do que fisicamente 
e nem por isso deixou de ser forte, 
evolui para caramba, 
até tirou algumas notas 10. 
Detesta padrões que na verdade 
são tentativas de domesticações, 
enxerga com a alma, admite os medos, 
a sinceridade nos sentimentos tem peso maior.
Decidiu ser quem é. Os caminhos não foram fáceis, 
inda assim aprendeu a parar e enxergar 
as flores que neles existem, e aprendeu mais ainda,
 a enxergar os besourinhos que nelas passeiam.

ღRaquel Ordonesღ

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Descrevo-me

Descrevo-me

E em meio a sentimentos e fantasias eu me acho
Às vezes me pego tão séria que até me convenço
Outras vezes sinto que a vida é delicioso escracho
E às vezes penso tanto que nem sei no que penso.

Creio no amor, nesse que sinto e que me atordoa.
Nesse que alega arrepios e entorna o meu reverso
Difícil é confiar nesse amor vindo de outra pessoa
É que não consigo deixá-lo entrar no meu universo.

E crio uma cerca a minha volta e então me represo
Intransponível se faz e fico do lado de cá da solidão.
O meu sorriso não diz muito do que vai ao coração.

Então ilho-me nesse mundo que construí para mim
Abotoo uma máscara para qual me mudei, fiz casa.
 E sonho tanto; mas me dói por não usar minha asa.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 22/04/15


terça-feira, 21 de abril de 2015

Das mulheres vindouras

Das mulheres vindouras

Uma flor ergue-se no ramo, antes dos quinze, na ponta.
E há presença de pétalas tão superficialmente coloridas
A futilidade é estampa de um estar na vida, tão fingidas.

E se dissimulam princesas de um reino de faz de conta
Nada generalizado; são evidencias por todas as partes.
E esteticamente se adulteram, sentindo-se belas artes.

Admiráveis adornos com rasas palavras, só a aparência.

Da menina acalora-se o interesse e perde-se a inocência.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 21/04/15



segunda-feira, 20 de abril de 2015

Falando da morte

Falando da morte

E de repente a gente fala em morte, e todos já pensam que no mínimo a gente está tentando se matar ou está com depressão; aguda, claro.
Não necessariamente; é que a gente verdadeiramente está a par de que irá chegar a nossa vez, sem escapatória.
E assim passam os dias, alguns nem se lembram dela e vivem estupidamente a desafia - lá, outros a ignoram, talvez por achar que não serão nocauteados pela mesma, e outros ainda lhes dão as mãos, na realidade já se sentem mortos vivos.
O tempo passa, às vezes até parece lento, mas as horas seguem impiedosas.
Quando a gente se dá conta, já acabou o dia, a semana, já é outro mês.
O tempo não para e nem espera as dores cessarem. Em alguns momentos, ele não é gentil o bastante para aguardar a tristeza transformar-se em saudade, tampouco padecente.
O tempo é como as pessoas, sempre correndo. Com ele, na mesma batida, seguem, em novos e velhos costumes, mudanças. E se adapte quem quiser; quem puder ou quem for forte.
E a senhora do destino está a esperar a gente, a qualquer minuto desses, estranho isso!
Talvez ela nem espere o próximo minuto ou amanhã chegar, muito menos a realização de sonhos em longo prazo. Ela sempre alerta que tudo passa rapidamente. Só que a gente nem dá bola para os sinais.
E de repente a gente se põe a pensar:
_O que realmente fiz nesse tempo todo?
_E as palavras boas que guardo para dizer em uma próxima oportunidade? Porque não criá-la agora.
_E os abraços?
_ E as desculpas? Talvez não seja tudo, mas alivia!
_ E as pessoas de quem gosto, sabem disso? Qual o sentido de sentir e não dizer?
São tantos os questionamentos. Mas o que assusta mesmo é “cair em si” de que a gente não sé imortal e a gente pensa que só acontece com os outros,
E a gente erra sempre, vai chegar a vez da gente sim. Inevitável; não há outra passagem a não ser pela morte, pelo desaparecimento da matéria da qual a gente é feito.
Talvez até reste uma lembrança, alguém sinta saudade não mais que isso.
É perturbador, mas é fato.
Não tem muito a fazer só o desejo simples de que a gente viva bem cada instante.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 

Saudade

Saudade
(imagem do Google)

Daí, pensei ter lido um bilhete
Quase li meu nome: Raquel
Flores em formato ramalhete
Mal traçadas em um papel
Jogado estava em um canto
Não sei, talvez sentisse pranto
É que a tinta havia se borrado
O senhor tempo não tinha curado
E em absoluto, jamais irá fazer
Parte de mim, impossível perder
O desligamento físico é maldade
Percebi que a visão era só saudade
_Mamãe, que falta a senhora me faz!

Raquel Ordones

Uberlândia MG 20/04/15

domingo, 19 de abril de 2015

Vale a pena

Vale a pena

E o que te faz bem, vale tanto a pena.
O que te faz mudar para outra rotação
Que tira a paz e faz da tu’ alma amena
Que por muito pouco te causa emoção.

O que te acrescenta por menor que seja
O que te dá atenção, não tem um preço.
O que respeita o teu ser e não o maneja
 O que te aceita sem saber do endereço.

Vale a pena se te causa riso canto de boca
Ou o que te faz pensar pelas madrugadas
O que te senta na real em conto de fadas.

Vale a pena se faz te brilhar a parte louca
Se extrai o teu reverso bom, o exteriorize.
Vale a pena, inda que o medo te aterrorize.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 19/04/15