sábado, 3 de setembro de 2016

Tempestade de nós

Tempestade de nós

Vida é isso, constante tempestade,
Raio de dificuldade, compromisso,
Reboliço; que não corta em metade,
Se a verdade se entorta; é abisso.

E se mergulha em temporal do escuro,
É muro: ninguém vê e não vê ninguém,
Além do que, é um fardo muito duro,
Seguro não é, pois há dardo também.

Tempestade interna é afogadiça,
Enguiça em procela: manutenção,
Ação; abrir tramelas do coração.

Amor é tempestade que atiça,
Iça flor, desassossego e sorriso,
Granizo e trovões de nós; sem aviso.

Raquel Ordones

Uberlândia MG 26/08/16

Palhaço

Palhaço

Talvez aquele repleno em pilhéria,
Coisa séria também ele reporta,
Importa a mensagem sem a miséria,
E sem féria, ele não se comporta.

Ser que por si é um tanto atrativo,
E seu objetivo é causar gargalhadas,
De piadas vestido, é aditivo,
Ativo nas macaquices ousadas.

E nem sempre apresenta o que sente,
Na mente a arquitetar sua graça
Na raça, rua, no palco, na praça.

Sua aparência é viva, não mente,
Internamente triste, quer abraço,
O passo persiste; avante o palhaço.

Raquel Ordones

Uberlândia MG 27/08/16

‘E leis são’

‘E leis são’

E santinho na via pública não pode!
Tenho bode disso na caixa de correio,
É feio mentir, porém a mentira explode,
Acode-nos, o mundo; deles está cheio.

 Propagandas enganosas são proibidas,
Desiludida a gente não sabe o que fazer,
Crer é impossível; as coisas são descabidas,
E não cumpridas as leis, põe tudo a perder.

Então, esse candidato não me representa,
Apresenta um plano de governo chinfrim,
Inventa, floreia, além disso, quer meu sim.

Mal assina o nome, codinome requenta,
É a ‘penta’ vez que o fulano se candidata,
Retrata o país; alguém pede concordata?

Raquel Ordones

Uberlândia MG 28/08/16

Conquista

Conquista

Se de repente conquistar, conserve,
Preserve no coração a importância,
Confiança é algo que pode ser breve,
Leve conversa a toda circunstância.

Se de repente conquistar, respeite,
Deleite do carinho e companhia,
Sorria com verdade e dê seu aceite,
Aproveite o máximo, é poesia.

E se de repente conquistar, só ame,
E proclame no ensejo o absorvimento,
Momento é de festa, enriquecimento.

Se de repente conquistar, se chame,
Aclame: _Tenho mais uma conquista!
Reconquista perfeita não há, desista!

Raquel Ordones

Uberlândia MG 29/08/16

Po(RR)esia

Po(RR)esia

Na mesa da mente a poesia debruça,
Soluça na cadeira dura do passado,
E requentado verso na entrelinha aguça,
Esmiúça todo o sentir ali encontrado.

E na profundeza do seu ser, o poeta,
Atleta da imaginação, então se embebeda,
Arreda a poeira de forma discreta,
Espeta-se em cacos, num lembrar se envereda.

Em taças acontecidas, corpos e bocas,
Loucas aventuras e sem mais esperanças,
Lança-se além-madrugada, tonto em lembranças.

Resta-lhe saudade, a garganta agora é rouca,
Pouca alegria, grogue, a caneta escorrega,
Não nega a tal po(RR)esia de alma bodega.

Raquel Ordones

Uberlândia MG 28/08/16

Uberlândia, Princesa do cerrado



Jovem menina, cidade modelo,
Cabelos louros em riquezas mil,
É gentil agasalho, à paz, o apelo,
Zelo; o seu dote num olhar sorriu.

É princesa mineira, terra amada,
Enflorada em tonalidade e esmero,
Venero sua audácia embelezada,
E bem cuidada, sempre assim espero.

Estampada a nobreza do cerrado,
Abastado solo, flui crescimento,
Em ventos de brios e sentimento.

Princesa; orgulho do nosso Estado,
Coroado peito, Uberlândia é mais,
Inda em ais, não perde os sonhos jamais.

Raquel Ordones .
Uberlândia MG 31/08/2016

 Parabéns Uberlândia- 128 anos


Quando eu morrer


Quando eu morrer

E não quero que diga:_ Ela era tão boa!
Porque soa uma intriga em mim; me fale em vida,
Divida-se já, e mostre-me a sua pessoa,
E povoa-me em afeto, antes da minha ida,

Isenta-me da sua lágrima e de vela,
E balela de velatórios eu não quero,
Espero que não haja flor nem na lapela.
Pois ela é formosura no pé, doce esmero.

Então, quando eu morrer; arquive-me na su’ alma,
Acalma-se em brisas e sem bajulação.
E ponha o coração em módulo de canção.

Não espere por parentes, nenhuma vivalma,
E palmas para quem me ‘amou’ ainda que oculto,
Quero tumulto: chuva e poesia em culto.

Raquel Ordones

Uberlândia MG 02/09/16

Ilusão


Ilusão

Quantas vezes eu fiquei ali detença,
Na crença, sentada no meio fio,
Com frio, com sol, à chuva propensa,
 Numa indiferença; causou arrepio.

E quantas vezes desejei o carteiro,
Mensageiro de alguma coisa sua,
Ali na rua era o meu paradeiro,
Inteiro largo, de presença nua.

Quantas vezes eu doei meu instante,
E andante da sua falta eu me fiz,
Cariz tristonha, do amor aprendiz.

Quantas vezes quis ser sua; importante,
Errante, aguardei a carta na guarita,
Grita em mim tal carta que nem foi escrita.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 03/09/16



segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Olimpíada de nós

Olimpíada de nós

Como um tiro ao coração sobreveio,
Anseio: é ação por afinidade,
Verdade; da vida, por você apeio,
O devaneio é a minha atividade.

E revezo; você e você, cartaz,
Capaz de me arremessar na saudade,
Não sou Jade, mas seu chão me dá paz,
Satisfaz-me de emoção; é sem vaidade.

Individualmente torço por mim,
Enfim, fez-se minha modalidade,
Sem idade a nossa dualidade.

Coletivo, os meus‘eus’ jogam assim:
Ruim?_ tem objetivo e não atrapalham,
Espalham-se e de você, medalham!

Raquel Ordones

Uberlândia MG 12/08/16

Suas palavras

Suas palavras

E chegaram assim, inesperadas,
Paradas em meus olhos, me calaram,
Tocaram-me e pela alma, devoradas,
Amadas, no meu infinito; arquivaram.

Inexplicável, nó travou a garganta,
Tanta a vontade de chorar; feliz,
Quis voar pro seu abraço, me espanta,
Manta de lágrimas qual chafariz.

Fôlego me faltou estupidamente,
A mente gritou, quase não acredito,
Um agito no coração em negrito.

Gravei o momento, preciosamente,
Tão quente em mim; total hiberno,
Ternos versos; afixei no meu eterno.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 14/08/16


quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Poesie-se


Poesie-se

Traga o seu dentro para fora, então,
Fixe do coração seu sentimento,
E fique atento ao seu mix de emoção,
E a razão? Finja que ela é só um invento!

Avesse-se, sem desculpa ao papel,
Entorne seu céu, sem nenhum receio,
E não é feio desnudar-se do seu véu,
Em rapel desça no fundo sem bloqueio.

Pinte-se em sua cabal profundeza,
Com a leveza de alma requintada,
Pelada de si, à brisa lançada.

Poesie-se; entender requer fineza,
Pureza, sensibilidade e amor,
Pavor é achar que isso é para doutor.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 06/08/16

Instagram: @raquelordones

Porque você é uma delícia


Porque você é uma delícia

É porque você tem cheiro de rima,
Enzimas a catalisar a gente,
Envolvente: lados, em baixo, em cima,
Em clima quieto, ora caliente.

E você tem cheiro de poesia,
Harmonia de fragrância e sabor,
Olor que vem da alma em ventania,
Radia desejo, cheiro de amor.

Esse seu tempero é toda delícia,
Malícia de pimenta que reina,
É guloseima que o paladar treina.

E se deixe ser sorvido em carícia,
E m perícia do meu prato se assume,
Só não se marine com o azedume.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 09/08/16

Instagram: @raquelordones

A noite nunca vem só


A noite nunca vem só

Sol desce, escurece, surge o mistério,
Império que floresce de estrelinha,
Linha que prevalece sem critério,
Sério! Algo que enlouquece e desalinha.

A noite traz a tiracolo a calma,
O trauma, o dolo e açoite de saudade,
A verdade que faz pernoite na alma,
Palmas do dia e afoites da amizade.

A noite traz o nó da nostalgia,
Da poesia, o pó que se fez verso,
No reverso em dó maior, converso.

A noite é inspiração e boemia,
Orgia em mente de anjos e demônios,
Neônios que colorem hormônios.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 11/08/16
Instagram: @raquelordones


domingo, 7 de agosto de 2016

Navegue em mim

Navegue em mim

E zarpe rumo ao meu corpo; trafegue,
Se apegue em mim, como único destino,
Peregrino de desejo e não negue,
Regue-me de beijo em desatino.

Ice vela, no meu denso; navegue,
Então pegue ondas, propenso menino,
Em pino me sonde; a mão escorregue,
E não sossegue; submirja meu tino.

Singre na minha tez, à sua; entregue,
Esfregue mais uma vez, já imagino,
Cale o sino, entranhe-me; submarino.

Se lance no meu mar aberto; alegue,
Carregue-me, coloque-me supino,
Cante-me hino; aporte em mim, empino.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 05/08/16

Instagram: @raquelordones

Sou rio e choro

Sou rio e choro

Assim sou: rio; então rio de mim também,
E vou além da vastidão do meu peito,
Com jeito ainda frio; busco fazer bem.
Até com desdém as margens do leito.

E acho alguns entulhos em minha frente,
Falsa gente em um embrulho bonito,
Abafo o grito e mergulho na mente,
E ninguém sente meu orgulho em agito

As beiras de mim, eu cultivo flores,
Cores de incentivo, notável ponte,
Ora fonte potável atrás monte.

Assim sou: rio; então rio de mim horrores,
Com dores eu choro, deságuo turva,
Se chuva de zelos, verte-me a curva.

Raquel Ordones
Uberlândia MG 04/08/16

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Notas sobre ela

Notas sobre ela

Ela viaja num céu que só existe para ela... Num céu criado à sua altura, espessura e largura... Nada falta, nada excede... E o que ela sente ali, não se mede.
Esse céu desce até as rosas no chão e as rosas se misturam as estrelas em elevação.
É como se o impossível acontecesse naquele momento, porque nada explica e tudo se justifica em apenas estar juntos.
Desde sempre... E para um sempre no dentro!

(Raquel Ordones)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

A sós

A sós

Meus beijos guardados seriam seus,
Desnudados desejos que me causa,
Sem pausa e desabotoados eus,
Meu tudo partilhado, nossa lausa.

Na minha tez, puramente seu toque,
E sem retoque, novamente, nós.
A sós, inteiramente aptos ao choque,
Hálitos ferventes, suor, sem voz.

Nós em nós ocupa mesmo espaço,
Abraço, mãos no meu cós, louca dança,
A boca sem embaraço em andança.

Nosso dentro e nosso fora; amasso.
Laço afora, jus, mexidos lençóis,
Atrevidos e nus, estando a sós.

Raquel Ordones

Uberlândia MG – 09/07/16

Enquanto não passa a chuva

Enquanto não passa a chuva

É cedo, cubra-se no meu edredom,
Ouça da chuva o som sem tantos medos,
Sem degredo e tonto em meu batom,
Vista-se em mim, luva, descubra segredos.

Abrigue no meu dentro; faça-o teto,
Risque concreto com suas digitais,
E no meu cais aporte em céu aberto,
Transporte-me sem véu em seus pluviais.

Recolha-me em seus varais e me estenda,
Nos lençóis sem escolha o infinito,
Acolha-me em nós; desejo negrito.

Anote em mim sua tez, arme tenda,
Surpreenda-se; meu vinho de decote uva,
E outra vez, enquanto não passa a chuva.

Raquel Ordones

Uberlândia MG 11/07/16

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Arrepio

Arrepio

Ação estúpida que da gente brota,
Bota na pele algo perturbador,
É cúpida sensação que se nota,
Talvez gele; ora combustão e calor.

É prazer corporal de incertas fontes,
Certas canções, palavra sussurrada,
Acordada ou no sonho fazem pontes,
Canal risonho na tez erriçada.

Extasiante essa coisa que abarca,
E marca nosso estado por inteiro,
Raro instante cravado no ponteiro.

Orgasmo cósmico; o ser se encharca,
Um pasmo nascer de asa que espalma,
E o corpo voa para a casa da alma.

Raquel Ordones

Uberlândia MG – 22/06/16

Entrega

Entrega

E Viajo nas leves asas do meu sonho,
Em breves guinadas ou alço em pouso a sorrir,
Calço estradas; e meu cerne atreve risonho,
Enfronho, visto algo que quero desvestir.

E perco-me nessa busca, mas espero,
Coisa nula me ofusca e se quero: voejo,
A minh’alma rebusca tal estado esmero,
De lua é pintado; e palmas para seu beijo.

Cobiço o azul do seu céu, gosto e prazer,

A trazer-me reboliço desse seu rosto,
Atiço-me ao pensar: que fazer nesse posto?

Desejo suas mãos no recesso do meu ser,
E peço: ao se atrever, cuide-me nos ensejos,
Sem regresso seremos um do outro, andejos.

Raquel Ordones

Uberlândia MG – 30/06/16

Fome de amor

Fome de amor

No estômago fundo do imo; um vazio,
Frio arrimo, âmago a mirar profundo,
Um mundo de amar no limo arredio,
Falta brio, num degustar fecundo.

Fome aperta, falta-te a refeição,
Uma alerta na pauta te consome,
Some-te de ti, em alta a solidão,
E sem ação teu ‘eu’ salta; é só pronome.

Apetite voraz e nada a mesa,
Tristeza sagaz numa alma faminta,
 Fintas à paz, uma calma te pinta.

Entorna-te disponível, leveza,
Acesa e legível; em cor te tornas,
Morre a fome; amor cai como bigornas.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 02/07/16

Estranheza

Estranheza

Com certeza em mim algo diferente,
 Minha alma sente enfim essa nobreza
 Trauma sem fim de agudeza, atraente,
A mente bate palmas com leveza.

Louco sentimento liquefaz,
Há vento na minha paz e não é pouco,
Sem oco  aninha de jeito voraz,
E em cartaz o peito não é mouco.

Folhas que se reviram e tão leves,
São ultraleves de eus que viram bolhas,
Num perene se atreve sem escolhas.

Alheio é esse sentir e nada breve,
Deve residir-me; meio, profundeza,
Seu desvelo veio, sou só estranheza.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG – 04/07/16


Nos fios dá miada


Nos fios dá miada

Deitada na janela, mansa e bela,
Descansa sobre ela um ar de preguiça,
Submissa à moleza; evita a viela,
E a sua esperteza ali se enguiça.

Lambe a pata então a passa no rosto,
Com gosto repassa; da gata o banho,
É tão estranho, sem caça o seu posto,
Desgosto da raça, talvez o acanho.

E alguma coisa lhe chama a atenção,
E no chão em contramão um novelo,
Um apelo lhe dá safanão ao vê-lo.

Num salto do alto, é toda expressão,
Na confusão fica toda enrolada,
Tão sem ação nos fios dá miada.

Raquel Ordones
Uberlândia MG – 05/07/16

(Nu)vens

(Nu)vens

Há nuvens coxins entre mim e o céu,
Num véu sem fim repleto de recortes,
Transporte de gotas não perto ao léu,
Certas de seu papel; leves; tão fortes.

E são breves em formas, passageiras,
Tão travesseiras sem condensação,
Entorna, no arrebol e caminheiras,
E o sol amorna o doce algodão.

Do céu não são, das estrelas distante,
Todas estações vêm trazer nos dias,
No anoitecer, chuvas são poesias.

Magia; esconde a lua fascinante,
Rua além-azul, céu contemplação,
Se as nuvens não estão lá, para onde vão?


Raquel Ordones
Uberlândia MG – 06/07/16

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Sou assim, sou poesia

Esmeralda...
 Ela é uma cigana destemida e com um coração de ouro (e é muito capaz de se defender). Ela também é capaz de olhar além das aparências físicas e é uma das primeiras - e única - pessoas em ambos os filmes a fazer amizade com o deformado ainda amável corcunda Quasímodo. Esmeralda é uma heroína maravilhosa cujo maior desejo é ver paz como Quasimodo e seu companheiro de ciganos ser aceito na sociedade e ser tratados como pessoas.
 
Sou assim, sou poesia

E sou assim, como as flores e gotas de orvalho,
Com brisa leve nas palavras que profiro,
Adoro balouçar nas pontinhas do galho,
Até sou birrenta, mas disso não me admiro.

Eu tenho uma criança nalgum canto da alma,
Ela não fica quieta, corre o meu ser,
E se eu der corda ela fala batendo palma:
_ fico louco quando você não quer crescer.

O meu perfume se espalha nas adjacências,
E deixo o rastro bem dentro do seu nariz,
Mergulho pés de galinha no chafariz.

Tagarela de letras e derramo essência,
Palavras, versos, notas e sinestesia,
E sou assim, ‘desmetrificada’ poesia.

ღRaquel Ordonesღ