quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Amor... Acesso livre


Amor... Acesso livre!

Comecei a escrever um poema
Imaginei que já o havia escrito
Enleei-me; vi-me num dilema
Até que o contexto era bonito.

O poema falava do livre acesso
Do amor, inda resistido instala
Não acata nem aceita processo
Sem regra, grita e também cala.

É força além de nós; é soberano
Tem fragrância, rima com tudo
Tem sorriso largo feito oceano.

Capaz de fazer a tez suar paixão
É capaz de guilhotinar a guerra
Capaz de dividir meado do pão.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG - 12/12/12

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Que saudade da fazenda!


Que saudade da fazenda!


A estrada, a poeira
Os empreiteiros na roça
O burro e a carroça
Sabiá na laranjeira
Na cerca uma parreira
Que saudade da fazenda
A mamãe tecia renda
Os porcos lá no chiqueiro
As galinhas no poleiro
Fim de semana na venda!

De manhã lá no curral
Leite direto na caneca
De sabugo a boneca
Uniformes no varal
Pendurado o avental
Que saudade da fazenda
A mamãe tecia renda
Papai plantava feijão
Dedilhava violão
Fim de semana na venda!

Bem acima um açude
As vacas fazem aguada
O chapéu, a cavalgada
Azul bolinha de gude
Aquele mascate rude
Que saudade da fazenda
A mamãe tecia renda
Cavalo e ferradura
Garapa e rapadura
Fim de semana na venda!

Pela manhã à escola
Ovo cozido e pão
Já feita toda a lição
Cadernos e a sacola
Recreio: jogo de bola
Que saudade da fazenda
A mamãe tecia renda
Fogão de lenha, o rango!
Quiabo, molho de frango
Fim de semana na venda!

Sol descia no horizonte
Luzinhas de vagalumes
As flores e os perfumes
Papai vindo lá na ponte
Trazendo água da fonte
Que saudade da fazenda
A mamãe tecia renda
A lua linda lá no céu
Brincava passando anel
Fim de semana na venda!

Tínhamos todo espaço
O boizinho de abacate
Cachorro que sempre late
Manga corria no braço
No cabelo aquele laço
Que saudade da fazenda
A mamãe tecia renda
Ao deitar a oração
Família é religião
Fim de semana na venda!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG - 11/12/12

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Viver em poesia


Viver em poesia

Posso tentar explicar: viver em poesia é assim
Ter uma vida normal similar à de todo mundo
Estar ciente dos espinhos e apreciar o jasmim
Deixar fluir pela caneta sentimento profundo.

Viver em poesia é fazer de um verbo um verso
Converter esse verso em uma história sem fim
É percorrer com a imaginação todo o universo
Trafegar muito além dos limites visíveis, enfim.

Viver em poesia é mirar com olhos do coração
Mesmo sabendo que existe o mau e ele judia
É possuir alma inquieta em constante euforia.

Viver em poesia é gritar na grafia os segredos
É sentir sua verdade sendo tomada pelo leitor.
É se declarar. É pôr nas palavras todo o calor!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 10/12/12

sábado, 8 de dezembro de 2012

Sossego


Sossego

Não me importa que os raios do sol nasçam um por um
Que as manhãs cheguem taciturnas, bem de mansinho.
Não me implico com o silêncio matinal de jeito nenhum
Não me importa que antes das flores nasça um raminho!

Não me amola o tempo com o andamento que ele tem
Não me apoquenta a sequência tradicional das estações
O vento em seu ritmo manso aborda-me, só me faz bem.
Gosto da assiduidade com que me chegam às emoções!

Nada me influi que a manhã troque de turno com a tarde
Que os anoiteceres declinam singulares logo em seguida
Existe nisso tudo um encantamento, uma razão de vida!

Existe uma quietude que se perdeu no ambiente externo
Que tenta danificar nossa alma por mais que gritemos não
Não há sossego maior do que aquele que jaz no coração!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 08/12/12

Temos tudo


Temos tudo

Viver é benção; é um tanto sem explicação.
Incidências compostas às outras essências
Ainda que seja enodoada pela complicação
Caminho de flores e espinho em coerências.

A vida nos foi concedida ao nosso desenho
Cada ser tem a recomendada configuração
Alguns existem e outros têm desempenho.
O que os diferem tem a ver com fé e oração

O amor é a amostra maior da nossa história
Ele vem tornar mínima nossa dor e tristeza
Choramos com fome com pão a nossa mesa.

Assim somos ingratos a nossa própria sorte
Ela bate a porta; e somos apáticos ao abrir.
Temos tudo, barramos nossa estrela de luzir.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 08/12/12

Réstia de luz


Réstia de luz

Tua pele tem cheiro
Da carne e volúpia.
Dorso macio!

Teu corpo obsecra
Vontade na alma
Réstia de luz!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 08/12/12

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

As sementes


As sementes

Quero arrancar dos meus campos primaveris
As mais saudáveis sementes; quero lançá-las.
Arquitetar os verdes das esperanças em anis
E que germine, jamais deixarei de sonhá-las.

Quero viver cada semente no coração alheio
Quero sentir o desabrochar do enraizamento
A cada olhar sentir a alma; quero ver se a leio
Ver os pingos de luz na pétala do sentimento!

Quero que brote cenários lindos de amizades
Que rebentem paisagens enchidas de amores
E que o vento leve as fragrâncias dessas flores.

E que a cada estação as sementes se renovem.
Que todo coração espalhe o cerne desse parto
Que o orbe de fecundas sementes fique farto.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 03/12/12

domingo, 2 de dezembro de 2012

Haikai


Acolchoa-se sonho colorido
Tece em rubro a renda
A amizade é perene!


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 02/12/12

sábado, 1 de dezembro de 2012

Outros oceanos


Outros oceanos

Outros cantos, outras ilhas
Eu quero do ser conquistar
Quero viajar outras trilhas
Essência da alma alcançar.

Navegar em suas verdades
E aproveitar as ondas boas
E nos navios de felicidades
Contemplar além das proas.

Serenar-me em seus portos
E deitar-me em suas praias
Desviar temporais das raias.

Eu quero do ser conquistar
Todos os mares do coração
Todas as gotas de pulsação.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 01/12/12

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Obstáculo


Obstáculo

Acordei
Senti a falta dos raios do sol;
Não por ele não ter nascido
Mas
Por haver um muro impedindo-os de entrar em minha janela!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 28/11/12



terça-feira, 27 de novembro de 2012

A canção


A canção

Ouvi uma canção que dançar me fez
Sem saber a letra cantarolei o refrão
Leve rodopiei: uma; duas e outra vez
As notas voaram para o meu coração!

Falava de um afeto não correspondido
Quem sabe uma ausência de confissão
Falava de algo por dentro tão sentido
De um desejo, e de uma louca paixão.

Falava de um encontro em um jardim
Das flores que se tocavam com o vento
Falava de uma marca no pensamento

E uma lágrima se jogou dos meus olhos
Ao final da música; chorei muito mais
Aqueles versos em minh’alma eram reais.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 27/11/12

Haikai


A menina chora
A tristeza pinga no chão
Há flores no túmulo!


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 27/11/12

domingo, 25 de novembro de 2012

Eu me amo


Eu me amo

Minha vontade de amar-me é maior do que eu
Sou um copo; e o meu amor por mim é oceano.
Sou a letra; meu amor é tudo que se escreveu.
Eu me amo muito mais que um simples “te amo”

Minha vontade de amar-me ultrapassa o infinito
Sou estrela; a vontade de amar-me vai além-céu.
Sou o silencio, o amor por mim vai além do grito.
Sou simples fósforo; e o meu amor é um fogaréu.

Minha vontade de amar-me não tem explicação
Sou passo inicial; o meu amor, a estrada da vida.
Sou folha a balançar; e o meu amor um furacão.

A vontade de amar-me vai além das aspirações
Vivo a chover amor por onde quer que eu ande
Oferto a minha vida por mim, abissais oblações.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 25/11/12

Haikai


Lágrimas caem
Os olhos cerram-se
Um poço de dor!


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 24/11/12

sábado, 24 de novembro de 2012

Haikai


A paixão oscila
Nos marouços da vida
A rosa singra!



ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 24/11/12

Ele rio, eu choro!


Ele rio, eu choro!

Ele é rio em desabalada carreira
Ele é fonte que leva e traz a vida
Veja que situação é só choradeira
O ser humano lhe causou ferida.

Antes contornava o pedregulho
Hoje tem ausência da respiração
No menor espaço, maior entulho
Chacina a chance da navegação!

Ele rio; e eu choro com a agonia
Um fluxo de lama e de matança
Total consciência é a esperança!

Padece um rio aqui e outro acolá
Em cada estada na curva; sonha
E lacrimeja sua imagem visonha.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 24/11/12

Venta-me


Venta-me

O vento sopra o meu vestido
Bailam as flores da estampa
O cheiro sai de jeito atrevido
Só essa saudade não arranca.

Leves borboletas são levadas
Difícil o beija flor sugar o mel
E as nuvens são permutadas
Modificam as imagens no céu!

O vento embaraça meu cabelo
Os fios dançam em desalinho
Rasga a rapidez do passarinho.

O vento aviva, a brecha invade.
Sem regra simplesmente venta
Feito amor: entra, não inventa!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 22/11/12

domingo, 18 de novembro de 2012

Boemia


Boemia

Em tragos gigantes de inspirações
Aparece fumaça que desenha no ar
Mistura-se a perfume e recordações
Na boca o doce gosto do eterno amar.

Em taças cristalinas de um passado
A folha bebe do grafite sincero verso
A poesia faz do meu ser embriagado
Despejando no papel o meu universo

A boemia me consome, e eu assumo.
É um deleite imenso esse meu vicio
Jogo-me na poesia, meu precipício.

Deturpada de poemas sou boêmia
Me pego desperta nas madrugadas
Eu e as escritas somos desregradas!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 18/11/12

Final de império


Final de império

Reinavas pelos quatro cantos do meu ser;
Abdiquei meu coração: teu trono
Já não te via em meu amanhecer
Senti nas minhas noites, abandono.
Observei nos teus dias adultério
Sem lamentos venho dizer-te:
_Hoje em mim finda o teu império!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 18/11/12

sábado, 17 de novembro de 2012

Sabe de onde venho?


Sabe de onde venho?

Eu venho de uma era
Já um pouco distante
Marca-me todo instante
Com cheiro de primavera
E borboletas na hera
Onde rodas e cantigas
Ainda hoje são ligas:
Capelinha de melão
Do limoeiro, limão.
Isso em mim não desliga.

O pau no gato atirei
A ciranda, cirandinha.
De Jesus a Terezinha
Marcha soldado marchei
E na roda eu entrei
Onde rodas e cantigas
Ainda hoje são ligas:
Pirulito que bate bate
O cachorrinho só late
Isso em mim não desliga.

Samba lê lê tem ferida
Peixe vivo; nesta rua.
Cravo e rosa sob lua
Onde está a margarida?
A canoa virou, sem saída.
Onde rodas e cantigas
Ainda hoje são ligas:
Fui à fonte tororó
Vi os escravos de Jó
Isso em mim não desliga.

Tira, tira seu pezinho.
Meu boi da cara preta
Quem tem medo de careta?
Pois sumiu o meu galinho
E a galinha do vizinho?
Onde rodas e cantigas
Ainda hoje são ligas:
Eu vi a arca de Noé
O sapo não lavou o pé
Isso em mim não desliga.

Cantei alecrim dourado
Passa, passa gavião.
Carneirinho, carneirão
O coelhinho levado
Também fui ao mercado
Onde rodas e cantigas
Ainda hoje são ligas:
A barata diz que tem
Serra, serra, serrador vem.
Isso em mim não desliga.

Linda rosa juvenil
Se essa rua fosse minha
E lá vem a carrocinha
Dona aranha quem viu?
Até o hino do Brasil
Onde rodas e cantigas
Ainda hoje são ligas:
Pobre rica de marré
A loja do mestre André
Isso em mim não desliga.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 17/11/12

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Novo Horizonte


Novo horizonte

Precisa-se de ação; que impere a atitude
Há na alma um universo, espaço sem fim
Feito vento o sentimento traz inquietude
Junto traz cheiro de lavanda e de jasmim!

Ao alcance dos olhos é orbe tão pequeno
Porém a extensão é inenarrável, acredite
Combinação de vendaval e sopro ameno
Só os sonhos abrem a visão, abre apetite!

Cada momento surge um novo horizonte
Cada flor que se abre existe novo perfume
Tudo em uma busca constante se resume!

Maior que esse universo, somente o amor
Atravessa pontes, voeja e fundo mergulha
Dimana pela grade do infinito e borbulha!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 14/11/12

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Quando eu era pequenina


Quando eu era pequenina

Quando eu era pequenina
Trancinhas, de pé no chão
Era uma travessa menina
Que tinha medo do avião!

Quando eu era pequenina
Eu brincava com a boneca
Do cavalo; amava a crina
Corria nos pastos; sapeca!

Quando eu era pequenina
Pela enxurrada caminhava.
Com mamãe sempre rezava!

Quando eu era pequenina
Gravei até hoje no coração
Um sabiá comendo mamão!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 12/11/12

domingo, 11 de novembro de 2012

Areia movediça


Areia movediça

Aqui dentro de mim, me sinto forte; penso: inatingível.
Porém fora de mim há coisas que facilmente me afeta
Por vezes me sinto um dragão, reforçado e invencível.
Às vezes um fraco calango de olhos ariscos em alerta!

Aqui dentro de mim existe uma afeição extraordinária.
Porém fora de mim há a mentira que vem e contamina
Por vezes idealizo que é somente uma coisa imaginária
Às vezes por um espaço em branco ela enfia e germina.

Aqui dentro de mim existe um jardim em cabal floração
Porém fora de mim há um desejo ilimitado de matança
Por vezes percebo o ódio que me aponta com cobrança.

Aqui dentro de mim permanece um Deus sem definição
Porém fora de mim há uma areia movediça a me puxar
Sustento a distancia, por todo sempre meu lema é amar.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 11/11/12

Haikai


Formigas enfileiradas
Fazem um cordel no chão
A folha verde se murcha

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 11/11/12

sábado, 10 de novembro de 2012

Haikai



Sopra o vento
No mesmo cedro
Folhas e penas!



ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 10/11/12




quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Saudade é um amor que fica


Saudade é um amor que fica

A vida nos brinda com coisas boas: é fato
E essas coisas ficam em um lugar secreto
É ocorrência sentida na alma; sem o tato
Grito silente; que vibra na carne o dialeto.

Titulamos de saudade. É lance enigmático
Vontade de voltar ao passado no presente
Aspiração de fazer algo já feito, aromático.
Anseio de ter ao lado quem está na mente.

Saudade: algo que só de boas coisas extrai
É um querer de novo que quer muito mais
Força que ejetar lágrima, ainda sorrida cai!

Saudade é um amor que por dentro tatua
É algo oculto que sonha com um regresso
Um amor que fica; desperta, a alma flutua!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 07/11/12

domingo, 4 de novembro de 2012

Haikai


Chove lá fora
E escorre na rosa
É água de cheiro

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 04/11/12

sábado, 3 de novembro de 2012

Guarde teu mundo no meu

Guarde teu mundo no meu

Meu mundo é maleável; para ti mutante.
Está sujeito as todas as tuas adequações
Pode chegar; venha a qualquer instante
Venha do teu jeito, sem transformações.

Eu tenho um mundo carregado de afeto
E nele não terás simplesmente um canto
Há espinho confesso, é de flores coberto.
Não é encantando, mas tem um encanto!

Navegue para meu mundo sem regresso
Encantes-te com as minhas flores, enfim.
Nele há um manancial de desejo sem fim

Percas-te no meu mundo que te descubro
Residas aqui e faças do meu planeta o teu
Instale-te... Guarde o teu mundo no meu.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 03/11/12

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Carruagem de borboletas


Carruagem de borboletas

Rédeas soltas,
transparência de asas
Vento que desvirtua
em um bailar leve,
Cores ligeiras
riscando o ar
de sutilezas,
pequenos seres
de beleza,
cenário visto daqui
um espetáculo de grandeza!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 01/11/12





Quem me dera só por um instante!


Quem me dera só por um instante!

Quem me dera; só por um momento
Fazer-me coeva em teu pensamento
No colo do teu crepúsculo candente!
Quem me dera que a angústia voasse
E para um deserto longínquo mudasse
Desenhado em um velho papel de pão.
Quem me dera se eu fosse a tua poesia
Ou o refrão preferido da tua melodia
Quem me dera ter teu derradeiro sim!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 01/11/12