sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Vento na versão feminina


Vento na versão feminina

Quisera eu ser alada feito vento.
Pensamento de flores, primavera.
Hera, som, coreógrafa, momento.
Rebento esvoaçante, doce fera.

Quisera eu ser alada, sem assento.
Evento lá e aqui, toque exagera.
Sincera no carinho, cheiro atento.
Aposento real, também quimera.

Quisera ser sem lenço e documento.   
Acento que jamais se degenera.
Paquera a vida; é seu batimento.

Vento! Quisera ser essa atmosfera.
Era uma louca, leve, movimento.
Venera asa, com uma alma tandera.

Raquel Ordones  #ordonismo



(nem a brisa, nem ventania
o vento na versão feminina)

Classificados




Classificados

Precisa-se: poetas e humildade.
Verdade em versos; soltos feito brisa.
Precisa é a sua idoneidade
Qualidade; pois é; receita visa.

Precisa-se: poetas sem vaidade.
Confrade sem status; só poetiza.
Batiza-se POETA; raridade.
Invade-se, o bom não exterioriza.

Precisa-se: poetas: toda idade.
Veracidade; não “se acha” e ironiza.
Pisa; competição; pódium: deidade.

Saudade da atenção, do ler: divisa.
Desliza o olhar; comenta:_ majestade!
Velocidade; só se valoriza.

Raquel Ordones  #ordonismo

“poeta”:
Precisa rever o conceito.
Será poesia o que tem feito?

_Confesso que me pergunto.

Crente




Crente

Ente que tem fé: algo e alguém: sectário.
Rosário na mão; espera permanente.
Presente coração; é ato hinário.
Armário do bem; dele se alimente.

Ciente, mundo aberto, solidário.
Necessário a verdade; diferente.
Coerente e real; nunca o contrário.
Sumário: amar é ser bem transparente.

Tente; seja. Ser é majoritário.
Falsário ostenta, bate o sino: CRENTE.
Gente que se enaltece é otário.

Hilário, à palavra une; não a sente.
Fixamente decora: qual vigário.
Cenário é fanático; doente.

Raquel Ordones  #ordonismo

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Rap da gordinha





Rap da gordinha

Eu sou bela, aquarela.
Sou a cor que a vida tem.
Pelas ruas e janela.
Até na lua também.
Uso longo; uso curto.
Uso listra e babado.
Que se danem, eu não surto!
Padrão: Um tanto quadrado!
O que pesa é meu amor.
E plus é o meu sorriso.
Eu exalo é calor.
Leveza da alma viso.
Sou gordinha, sim senhor!
Sou beleza radiante.
De Deus uma linda flor.
Isso me é importante.
Sou fashion, você não vê?
Tenho dado o que falar.
Um beijo pra quem me lê
Macio é o meu abraçar.
A língua é mesmo um mal.
Xô, xô, sai fora, sai...
É que eu sou original.
Vestindo o meu ‘tie dye’!




Raquel Ordones