domingo, 7 de junho de 2020

A alma descora


A alma descora

Hora lenta; hora pesada em sua era.
Espera, enquanto a liberdade chora.
Agora o tempo introspectivo opera.
Gera desconforto, o voar implora.

Embora a sala feche: coopera.
Empodera o boletim vermelho, ora.
Demora resolução; achaque impera.
Exagera às vezes; e apavora.

Espora em carne, fraqueza severa.
Adultera a vida, caída escora.
Decora o invisível; somos quirera.

Quimera afundar num banho de outrora.
Cora em febre, a dor morde, dilacera.
Tapera  a alma; que aos poucos descora.

Raquel Ordones #ordonismo

Ela livro


Ela livro

Capa morena; tracejo bonito.
Agito no cabelo, negro o encapa.
        Chapa, sumário de maior quesito.      
Grito do imo numa entrelinha guapa.

Escapa-lhe um prelúdio, meigo espírito.
Mito e mistério em rebolado trapa.
Encaçapa os eus com e sem conflito.
Aflito o verbo; no pronome um tapa.

Garapa, pernas, azedo, erudito.
Delito de seios, versos e mapa.
Etapa, lauda, salto e modelito.

Reflito: ela livro, aura desfiapa.
Destapa-se inteira; nada mal dito.
Escrito fundo e sutil; fina napa.

Raquel Ordones #ordonismo

sábado, 23 de maio de 2020

Podcast - No trem do tempo

Eu.
Brisa.
Ventania.
P’ro oeste e sul.
Norte e leste.
              Sinta.               
Sinto muito: poesia.
Eu: ‘Textos para ouvir’.
Em podcast.

E de repente as pessoas surgem em nossas vidas.
Presente.
E tão presentes quanto à vida inteira.
Será que já nos conhecemos noutra vida? Duvida?
Talvez, eu jurasse que sim.
 Obrigada Antonio Miotto, pela riqueza que é!

   Raquel Ordones

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Branca de medo e o vilão


Branca de medo e o vilão


Castelo: prisão. Companheira: brisa.
Inferniza a televisão; martelo.
Flagelo o jornal: fica em casa: frisa.
Jeriza, eu já sei! Quase descabelo.

Belo é o meu sonho; sair de trança.
Dança pelas ruas, também descalça.
Salsa; samba. Só quero ser criança.
Aliança com todo o mundo em valsa.

Calça-me o coração; enfrento o perigo.
Abrigo é distante: falta o abraço.
Espaço é vazio; ausente o amigo.

Castigo, oh, meu Zeus! Homens sem laço,
Estilhaço de nós; do medo: obrigo.
Digo: fazer ‘vários nadas’: cansaço.

Raquel Ordonesღ #ordonismo

Bituca

(imagem Terra MT Digital)
 

Bituca

Arapuca: caiu em lábia e sofria.
Via-se usada; na vida muvuca.
Retruca; judiada a luz do dia.
Falia nos cantos: a mixuruca.

Cuca pesava, o maltrato doía.
Gemia em socos, tiro de bazuca.
Maluca história, tão sem alegria.
Utopia: amor. Fumaça batuca.

Tchuca pra ele, ao mundo a exibia.
Escarnecia-a ao som de Pinduca.
Infuca; tortura, trago de orgia.

Satisfazia sorvo, odor de uruca.
Educa a ajuda; se redefinia.
Ardia a força: bem mais que bituca.

Raquel Ordones #ordonismo

Método abstrato


Método abstrato

Retrato, imagem, mosaico, pintura.
Largura incerta; pintaria o pato.
Ingrato bicho bateu asas: loucura.
Altura voou, não quis o aparato.

Rato optou, decidiu uma escultura.
Moldura nenhuma; da argila o extrato.
Grato se sentiu com a envoltura.
Soltura: o mouse fugiu: destrato.

Gato? Na janela dorme; abertura.
Pura reprodução; modelo nato.
Barato! Bochecha cheia: fofura!

Figura esperta sai do anonimato.
Sapato em crochê, o bigode fura,
Gordura, pelos, ronronado chato.

Raquel Ordones #ordonismo