quarta-feira, 23 de setembro de 2026

As fujonas da caixinha

 

 

Era uma vez... uma caixa toda quadrada

guardada na gaveta, com tanta massinha.

Azulzinha fugiu, pro céu toda espalhada;

laranjada e amarela: agora, uma tardinha.

 

A verdinha correu pra mata; exagerada;

Alastrada em respirar, no mar lambe a prainha.

A vermelhinha se fez flor tão perfumada.

Calada, voou para as nuvens, a branquinha.

 

Massinha em massinha, mistura misturada.

Nada é mais lindo: fujonas da caixinha.

Tinha tanta vida essa arte; coisa de fada.

 

Rosada deita; marrom chão, com a pretinha.

Advinha! uma com a outra, roxa e a acinzentada

Encantada! Arco íris pinta em ouro a estrelinha.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Massinha amassada

Torna se um biscoitinho

Sem gosto nenhum

 

Da série: Haikel’s

 

 

 

Instinto mulher

 

 

Há na beleza calma, um fogo quase oculto,

Insulto; felina de andar puro; e de graça;

Raça no olhar, brilho sutil e rude; um culto.

Tumulto leve e força de selva devassa.

 

Caça e presa; no rosto há disfarce, sulto

Vulto; instinto selvagem; desejo regaça

Faça noite e faça mata, só para adulto.

Esculto! Diz um caçador sem ameaça.

 

Abraça em pelo, garra; com um cheiro bruto.

Atributo insigne; voz que faz arruaça.

Traça com as unhas um risco; jeito astuto.

 

Reduto, na alma de mulher a onça transpassa.

Laça com pintas e pernas; dente absoluto.

Fruto de carne dócil, feroz numa taça.

 

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Garras misturam,

instinto natural, casa

e sobrevivência

 

Da série: Haikel’s

 

sábado, 19 de setembro de 2026

Fica aqui, juntinho de mim...

 

Há noites tão frias; que a alma quase gela.

Esgoela a saudade; ela não perdoa.

À toa surge, abarca porta e janela;

Flagela imagens num sentir, e algodoa.

 

Soa um medo; sua falta tagarela;

Favela o meu castelo; eu tão sem coroa.

Trovoa pingo lembrança; vem e vela.

Cartela em cores...imo desabotoa.

 

Voa a borboleta estômago: a amarela.

Atrela ao seu sol, céu, mar sem canoa.

Povoa vida adentro, afora, em viela.

 

E descabela a minha carne que escoa.

Nevoa; mas meu quente não se debela.

Apela o sentimento; e quase magoa.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

nas fendas de mim

Sua falta extrai meu chão,

tempo incerto e lento.

 

Da série: Haikel’s

 

domingo, 13 de setembro de 2026

Estante inteira

 


 

Minha mãe; é o meu primeiro livro, e eterno;

moderno escrito, por mãos mansas e de afeto,

teto com os versos simples, toque materno,

interno que me abria um mundo, tão completo.

 

Decreto: abrigo; contava casos de inverno;

inferno de assombração do tempo inquieto,

secreto das flores, mato; e o lado paterno,

fraterno de nós, esboço na alma: um projeto.

 

Concreto do jardim de lendas e seu externo;

quaterno em cores; sol, mar, lua e céu: seleto.

Veto ao medo; a coragem que hoje governo.

 

Confraterno humano; Deus, respeito é certo.

Inseto pelo caminho, acate o seu hiberno.

Caderno raro, minha vida e dialeto.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Mãe é livro eterno

um desafio à lógica

é uma lei, cura

 

da série: Haikel’s