quinta-feira, 12 de março de 2026

Foi assim o meu sonho.


 

Sonhei que brilhava; muito, muito! Eu era a lua.

Na rua, vestido com estrelas bordado;

Acolchoado nuvens; peso que atenua,

Sua e tão sua! O seu poema ilimitado.

 

Desnudado fulgor; de beleza crescente.

Atraente, almejada e musa do poeta.

Inquieta na noite, afixada e pendente.

Latente, minguante do denso, tão seleta.

 

Discreta; e ao mesmo tempo, irreverente;

Regente, singular, toda nova e concreta.

Completa, cheia de poderes, influente.

 

-Gente, eu sonhei, é isso! mas tá tudo bem!

Ninguém é perfeito; me maquiei de repente.

Ciente de que só amanhã o sol vem.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Sobre mulher...

 

Mulher: não só mulher, nem adjetivação.

Ação, às vezes com o seu momento flor.

Amor; além de presente; aspira atenção.

Oração que tem fé, se ajoelha em clamor.

 

Calor que abraça; inda simples é elegância.

Fragrância que espalha cor no branco e no preto.

Soneto perfeito, ultrapassa redundância.

Importância: uma só expressão ou um livreto.

 

Carreto de equilíbrio, um trem de segurança.

Confiança no tamanho, também no espiche.

Capriche: extrai-se do seu dentro, uma criança.

 

Avança: tem medos, tem sonhos e fetiche.

e cochiche ao seu ouvido: aceite essa dança?

É lança, sossego ou strike no boliche.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie


Velhinha de sessenta

 

Pensa numa velhinha de sessenta;

Suculenta e todinha turbinada.

Focada, barriga tanquinho; aguenta?

Sedenta de vida; é temperada.

 

Empoderada; com andar pimenta.

Inventa, aprova; roda calibrada.

Alada; livre, leve: voa e venta.

Experimenta, e nada envergonhada.

 

Ultrapassada? - Jeitinho quarenta.

Alimenta-se de humor; despojada.

Obstinada; de amarguras, isenta.

 

Sustenta a imagem; é sempre notada.

Cuidada; em alta; no seu sessenta.

Orienta; e não deixa ser vetada.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Fiquei rosa chiclé

  

Tristinha estava a caneta: chué.

-Ué, que foi que houve com a bichinha?

-Linha alguma pronunciou, muié!

-Pois é, e será o que a desalinha?

 

Quietinha cheguei, pé ante pé.

Fé na ajuda, pena da pobrezinha.

Tinha ar aflito; gemia azul, até.

Café ofereci, e não quis nadinha.

 

Caminha e diz: tô de baixa maré!

Do rodapé, estendeu-me a tampinha:

aninha em minha mão, faço cafuné.

 

Zé, volte! Escreva um verso, uma notinha!

Coitadinha, parecia lelé!

Seu mané, volte a escrever, poetinha!

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Eu falando do amor de novo

  

Tento manter o equilíbrio, falo de flor.

Da cor dos olhinhos da esguia lagartixa.

Espicha e encolhe: emoção e razão, o que for.

Por de sol, de velhinha, até d'uma salsicha.

 

Comicha; então novamente falo do amor.

Calor de dentro que para fora, nos picha.

Ficha completa do sentimento em sabor.

Olor que às vezes, grita e também cochicha.

 

Capricha em sentir, coração bate: tambor.

Licor de deuses; jamais uma coisa micha.

Esguicha para todo lado seu vigor.

 

Amor é essa coisa que a gente sabicha.

Rixa jovem, paixão temperada de dor?

Ou senhor ranzinza, cético com barbicha?

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Sobre partir

 Sobre partir

 

Da nossa parte, vale bastante a atitude;

Amiúde, precisa botar na balança;

Cobrança, piora; um afogar em açude,

Quietude é igual a: sem esperança.

 

Desconfiança é um sinal; então a estude.

Mude a visão, dialogue; de forma mansa.

Sustança do falido, é mal à saúde.

Ajude, se ajude. Soco no vento, cansa.

 

Mudança: caminho; verdade é virtude;

Solitude faz bem; chame-a para dança.

Avança, parta, avessa; isso não é ser rude.

 

Poetude; agarre o estado feliz: se lança.

Destrança, desapegue de tudo que ilude.

Desnude: seja pra si; e bote uma aliança.

 

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

Há quem fica, mas já partiu faz tempo.

Há quem já se foi, e nunca quis ter ido.

Decida-se internamente; e se assume.

O tóxico e o não sentir, não nos obriga a nada.

 

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Quando falta luz


Então corri para a mamãe em abraço.

- O que faço com o medo do escuro?

Procuro me acalmar; mas me embaraço.

Caço coragem, força; e é tão duro.

 

Curo esse temor se estou perto dela.

Janela em vida, aberto coração.

Padrão de alento; de mim, a tutela.

Bela, inexplicável. Meu sol, céu e chão.

 

Tão mágica diz: e faz cafuné:

 É, filha, seja sempre uma oração.

Escuridão: pior que escuro; fé.

 

Pé firme; escuro: é noite do dia.

Arrepia, mas passa. A escuridão:

é vão; escuro da vida, que entedia.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

sábado, 4 de janeiro de 2025

Cale a boca...

O silêncio, em hora nenhuma cala a boca.

Louca me deixa com dedos entre cabelos.

Apelos, conselhos; é de arrancar a touca.

Pouca quietude, de arrepiar os pelos.

 

Em apelo o silêncio me profere horrores;

Rumores absurdos; que descabela a paz,

capaz de tanto barulho; sobre os amores,

dores, poesia; é vasto o seu cartaz.

 

Rapaz! O silêncio causa toda algazarra.

Barra, viu! Mas ele é bem verdadeiro;

certeiro, na mosca! Ele esgarça a minha amarra.

 

Escarra umas flores mortas do meu canteiro;

letreiro em neon, toda minha mente agarra.

e narra colorido o meu ser por inteiro.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Outro tempo; o interno.

 Abro o meu coração; não me envergonho.

Exponho tudo de dentro; me vejo.

Desejo coisa falsa ou algo medonho?

Imponho-me: apenas deixo o que almejo.

 

Marejo; mas desocupo o meu espaço.

Passo firme; desapego, caminho.

Carinho no chão não cato; desenlaço

Pedaço de alguém quero? Nem unzinho!

 

Baixinho, ouço música; o tom eu faço.

Abraço é rico; não sou mesquinho.

Espinho há tantos; não rego fracasso.

 

Compasso: e recito uma poesia,

Ousadia; pra longe esse cansaço!

refaço; a alma perfuma em ventania.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Maria da Penha pra poesia

 Hoje li uma poesia, achei meio triste.

Existem pessoas querendo maltratar.

Calar eu não pude; nunca!  Mas quem insiste?

Coexiste com o coração, com amar.

 

E chorar foi a primeira coisa que me veio.

No meio, uns xingamentos e muito mais.

Capaz mesmo de ferir grave; mas que feio!

Creio que em cartas talvez seriam normais.

 

Aromais tem mais a ver com esse universo.

Verso infeliz cabe; xingos é o cacete!

Lembrete: poema não rima com perverso.

 

Converso com a poesia; meu macete.

Bilhete com carinho, estendo o meu reverso.

Inverso à desfeita, dou a ela um ramalhete.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Renasça a cada respiro

 Em cada respirar há tanta vida;

envolvida de sustos em fragmentos.

Momentos mínimos é dividida;

é atrevida; afrontando seus ventos.

 

Lamentos e loucura; partes dela.

Janela de obstáculo; e o imaginar.

Sonhar é engrenagem, sem tramela.

Vela acesa, em instante a se apagar.

 

Tramar o melhor; e vale ousadia.

Dia após dia em fração hora e segundo.

Mundo real e sutil poesia.

 

Sorria, se refaça do profundo;

fundo é pouco, afunde na estadia.

Recria-se, se de vida fecundo.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie