quinta-feira, 12 de março de 2026

Sobre mulher...

 

Mulher: não só mulher, nem adjetivação.

Ação, às vezes com o seu momento flor.

Amor; além de presente; aspira atenção.

Oração que tem fé, se ajoelha em clamor.

 

Calor que abraça; inda simples é elegância.

Fragrância que espalha cor no branco e no preto.

Soneto perfeito, ultrapassa redundância.

Importância: uma só expressão ou um livreto.

 

Carreto de equilíbrio, um trem de segurança.

Confiança no tamanho, também no espiche.

Capriche: extrai-se do seu dentro, uma criança.

 

Avança: tem medos, tem sonhos e fetiche.

e cochiche ao seu ouvido: aceite essa dança?

É lança, sossego ou strike no boliche.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie


Velhinha de sessenta

 

Pensa numa velhinha de sessenta;

Suculenta e todinha turbinada.

Focada, barriga tanquinho; aguenta?

Sedenta de vida; é temperada.

 

Empoderada; com andar pimenta.

Inventa, aprova; roda calibrada.

Alada; livre, leve: voa e venta.

Experimenta, e nada envergonhada.

 

Ultrapassada? - Jeitinho quarenta.

Alimenta-se de humor; despojada.

Obstinada; de amarguras, isenta.

 

Sustenta a imagem; é sempre notada.

Cuidada; em alta; no seu sessenta.

Orienta; e não deixa ser vetada.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Fiquei rosa chiclé

  

Tristinha estava a caneta: chué.

-Ué, que foi que houve com a bichinha?

-Linha alguma pronunciou, muié!

-Pois é, e será o que a desalinha?

 

Quietinha cheguei, pé ante pé.

Fé na ajuda, pena da pobrezinha.

Tinha ar aflito; gemia azul, até.

Café ofereci, e não quis nadinha.

 

Caminha e diz: tô de baixa maré!

Do rodapé, estendeu-me a tampinha:

aninha em minha mão, faço cafuné.

 

Zé, volte! Escreva um verso, uma notinha!

Coitadinha, parecia lelé!

Seu mané, volte a escrever, poetinha!

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Eu falando do amor de novo

  

Tento manter o equilíbrio, falo de flor.

Da cor dos olhinhos da esguia lagartixa.

Espicha e encolhe: emoção e razão, o que for.

Por de sol, de velhinha, até d'uma salsicha.

 

Comicha; então novamente falo do amor.

Calor de dentro que para fora, nos picha.

Ficha completa do sentimento em sabor.

Olor que às vezes, grita e também cochicha.

 

Capricha em sentir, coração bate: tambor.

Licor de deuses; jamais uma coisa micha.

Esguicha para todo lado seu vigor.

 

Amor é essa coisa que a gente sabicha.

Rixa jovem, paixão temperada de dor?

Ou senhor ranzinza, cético com barbicha?

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Sobre partir

 Sobre partir

 

Da nossa parte, vale bastante a atitude;

Amiúde, precisa botar na balança;

Cobrança, piora; um afogar em açude,

Quietude é igual a: sem esperança.

 

Desconfiança é um sinal; então a estude.

Mude a visão, dialogue; de forma mansa.

Sustança do falido, é mal à saúde.

Ajude, se ajude. Soco no vento, cansa.

 

Mudança: caminho; verdade é virtude;

Solitude faz bem; chame-a para dança.

Avança, parta, avessa; isso não é ser rude.

 

Poetude; agarre o estado feliz: se lança.

Destrança, desapegue de tudo que ilude.

Desnude: seja pra si; e bote uma aliança.

 

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

Há quem fica, mas já partiu faz tempo.

Há quem já se foi, e nunca quis ter ido.

Decida-se internamente; e se assume.

O tóxico e o não sentir, não nos obriga a nada.

 

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Quando falta luz


Então corri para a mamãe em abraço.

- O que faço com o medo do escuro?

Procuro me acalmar; mas me embaraço.

Caço coragem, força; e é tão duro.

 

Curo esse temor se estou perto dela.

Janela em vida, aberto coração.

Padrão de alento; de mim, a tutela.

Bela, inexplicável. Meu sol, céu e chão.

 

Tão mágica diz: e faz cafuné:

 É, filha, seja sempre uma oração.

Escuridão: pior que escuro; fé.

 

Pé firme; escuro: é noite do dia.

Arrepia, mas passa. A escuridão:

é vão; escuro da vida, que entedia.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

sábado, 4 de janeiro de 2025

Cale a boca...

O silêncio, em hora nenhuma cala a boca.

Louca me deixa com dedos entre cabelos.

Apelos, conselhos; é de arrancar a touca.

Pouca quietude, de arrepiar os pelos.

 

Em apelo o silêncio me profere horrores;

Rumores absurdos; que descabela a paz,

capaz de tanto barulho; sobre os amores,

dores, poesia; é vasto o seu cartaz.

 

Rapaz! O silêncio causa toda algazarra.

Barra, viu! Mas ele é bem verdadeiro;

certeiro, na mosca! Ele esgarça a minha amarra.

 

Escarra umas flores mortas do meu canteiro;

letreiro em neon, toda minha mente agarra.

e narra colorido o meu ser por inteiro.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Outro tempo; o interno.

 Abro o meu coração; não me envergonho.

Exponho tudo de dentro; me vejo.

Desejo coisa falsa ou algo medonho?

Imponho-me: apenas deixo o que almejo.

 

Marejo; mas desocupo o meu espaço.

Passo firme; desapego, caminho.

Carinho no chão não cato; desenlaço

Pedaço de alguém quero? Nem unzinho!

 

Baixinho, ouço música; o tom eu faço.

Abraço é rico; não sou mesquinho.

Espinho há tantos; não rego fracasso.

 

Compasso: e recito uma poesia,

Ousadia; pra longe esse cansaço!

refaço; a alma perfuma em ventania.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Maria da Penha pra poesia

 Hoje li uma poesia, achei meio triste.

Existem pessoas querendo maltratar.

Calar eu não pude; nunca!  Mas quem insiste?

Coexiste com o coração, com amar.

 

E chorar foi a primeira coisa que me veio.

No meio, uns xingamentos e muito mais.

Capaz mesmo de ferir grave; mas que feio!

Creio que em cartas talvez seriam normais.

 

Aromais tem mais a ver com esse universo.

Verso infeliz cabe; xingos é o cacete!

Lembrete: poema não rima com perverso.

 

Converso com a poesia; meu macete.

Bilhete com carinho, estendo o meu reverso.

Inverso à desfeita, dou a ela um ramalhete.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Renasça a cada respiro

 Em cada respirar há tanta vida;

envolvida de sustos em fragmentos.

Momentos mínimos é dividida;

é atrevida; afrontando seus ventos.

 

Lamentos e loucura; partes dela.

Janela de obstáculo; e o imaginar.

Sonhar é engrenagem, sem tramela.

Vela acesa, em instante a se apagar.

 

Tramar o melhor; e vale ousadia.

Dia após dia em fração hora e segundo.

Mundo real e sutil poesia.

 

Sorria, se refaça do profundo;

fundo é pouco, afunde na estadia.

Recria-se, se de vida fecundo.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

sábado, 21 de dezembro de 2024

A noite nunca vem sozinha

 Outro dia que se vai; em seu tempo e sua hora.

Embora cada um tem a sua rotação.

Estação privada; às vezes ri, ora chora.

Apavora e abranda; coisas do coração.

 

Oração: calmaria dia e noite afora.

Demora o sono; sem nenhuma previsão.

A escuridão reina em absoluto lá fora.

Agora, não deixe que invada a solidão!

 

Confusão na cabeça; a saudade devora.

E mora do lado de dentro uma tensão.

É invasão de um horripilo bom que implora.

 

Cora toda a alma, a noite aviva a inspiração.

Então; ela nunca vem sozinha, é senhora.

Ora, traz junto: estrela, lua, céu e tesão.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Quando em silêncio, toca

 



Mágico, e não é fácil assim descrever.

Ter a alma tocada é tão encantador.

É amor em troca de nada, sem prever.

Viver em estado de graça, aonde for.

 

A cor tem mais cores; o cheiro, o cerne invade.

Diversidade de asas, e os olhos silentes.

Afluentes desaguam; vida, liberdade.

Vontade de todos os voos transcendentes.

 

Imponentes os efeitos; de pura essência.

Permanência divina de perfeito arranjo.

Constranjo, mas gosto; e não é uma sofrência.

 

Existência de momentos em mim; e esbanjo.

Arcanjo talvez que tenha tal influência;

Sapiência: quem toca assim tem muito de anjo.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Ela é f*dástica...

Já falei da saudade; recorrente.

É quente na alma, com tanta ousadia.

Dia e noite; em sonho ela é presente.

Vertente: alguém que se fez poesia.

 

Periferia e centro: coração.

Sensação boa que aporta na mente.

vigente, quase cheira; cor e ação.

Em abstração abraça, literalmente.

 

Inconveniente, ora inspiração.

Declaração do ser; tão irreverente.

Sente e pronto...derrama em emoção.

 

Então: ela é f*da e entorpecente.

Prepotente; não vai com empurrão.

invasão; ninguém tem culpa; e latente.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Seu beijo me desmonta

 

No seu silêncio, seu beijo me faz barulho.

Mergulho com olhos fechados; e renasço.

Me caço; perdida me acho, no abraço embrulho.

Debulho-me toda; é seu todo o meu espaço.

 

Traço sua boca, risco no ar com o dedo.

e cedo; seus lábios movem; em mim derrama.

Inflama, escorrendo para fora, sem medo.

Excedo. No rosto e queixo; o colo então clama.

 

Chama pelo meu nome no meu pensamento;

movimento quase sinto; doce lembrança.

Balança minha alma; me bagunça o seu vento.

 

Nem tento fugir; só sei amar, e amo essa dança.

Mudança em mim; o seu beijo é um evento.

Invento perfeito em gosto, e tão sem cobrança.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie


Por todos os ares, você

 Da janela de mim há dias feiticeiros.

Canteiros cheios de sentimentos incríveis.

Indizíveis; estupidamente em bons cheiros.

Sorrateiros os ventos; quase imperceptíveis.

 

Imorríveis meus sentires; tanta verdade.

saudade que me descabela e me povoa

tão boa; então eu não sei ser pela metade.

Invade minha alma, que para a sua voa.

 

Escoa o meu querer mais íntimo e vontade.

Insanidade perfeita que faz ferver;

Chover eu chovo; numa quase santidade.

 

Prioridade minha; nem dá pra escrever.

Porquê? Sua asa é a minha liberdade.

Sinceridade? Não existe mais: sem você.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

A noite nunca vem sozinha

 

Outro dia que se vai; em seu tempo e sua hora.

Embora cada um tem a sua rotação.

Estação privada; às vezes ri, ora chora.

Apavora e abranda; coisas do coração.

 

Oração: calmaria dia e noite afora.

Demora o sono; sem nenhuma previsão.

A escuridão reina em absoluto lá fora.

Agora, não deixe que invada a solidão!

 

Confusão na cabeça; a saudade devora.

E mora do lado de dentro uma tensão.

É invasão de um horripilo bom que implora.

 

Cora toda a alma, a noite aviva a inspiração.

Então; ela nunca vem sozinha, é senhora.

Ora, traz junto: estrela, lua, céu e tesão.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

sábado, 7 de dezembro de 2024

Corpos que se dão

O lençol agora todo amassado,

marcado por abalos caracol.

O sol pela fissura encabulado:

calado no canto do rouxinol.

 

Arrebol, e a noite não desligou;

sonhou de olhos abertos, movimento.

O vento, o cheiro de amor espalhou,

voou, lavrando a leveza do evento.

 

Invento exato; onde um mais um, dois são.

Coração casal; entre quatro braços;

descompassos; pés, bocas, pernas, mão.

 

Pulmão e ar rimam, veias em compasso.

Espaço privado sem qualquer vão.

Tesão escorrido; sacro e devasso.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie