segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Tão prima, verá...

Sentada sob a árvore em setembro;

Me lembro: a primavera já na esquina,

Menina de tudo; e se vai em dezembro.

Relembro de outras; e isso me fascina.

 

Ensina transpirar e espalhar cheiro.

No canteiro ou fora; por onde for.

Flor e botão, folha em talo faceiro.

Primeiro é a semente a se expor.

 

Calor soprado pelo vento; e fico.

Dedico o momento para o meu amor.

Cor; giro do girassol é tão rico.

 

Futrico a paisagem em seu rumor.

Primor essa obra; ao céu glorifico.

Fico; a estação sorri e causa estupor.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

 

 

 

 

Arrepio

 Primeiro veio um olhar, aqueceu e fez frio.

Rio de canto de boca; o rosto avermelha.

Centelha de um fogo; num estado de cio,

Calafrio na alma que no corpo se espelha.

 

Esguelha, disfarce; como quem não quer nada.

Alvoroçada a carne, espanca o coração.

Sensação boa; víscera descabelada.

Fascinada; o que mesmo seria razão?

 

Paixão é tão pouco; onde há beijos em florada.

Perfumada da fragrância chamada amor.

Rumor e silêncio e uma paz em disparada.

 

Tocada, dedos leves; sol não quer se por.

Pudor nenhum; em desalinho, arrepiada;

Tomada; em cada um dos poros nasce uma flor.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Brinquedo proteção

E roda, roda, roda nas mãos da menina.

Fascina; gira, gira para um e outro lado.

Fechado e aberto a rodopiar a traquina.

Menina e o guarda-chuva: cenário irado.

 

Criado para impedir chuva, não a elimina.

Imagina; proíbe o cabelo molhado.

Penteado que se mantém em disciplina,

menina vê ao longe tudo ensopado.

 

Ideado guarda-chuva, do sol abriga.

Intriga alguma; ninguém ele mortifica.

E fica um resguardo; além, cada pingo irriga.

 

Coliga a menina; brinquedo que comove.

Promove sorrisos, é invento que a instiga,

Amiga essa invenção, mas há que a desaprove.

 

 Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

A janela do medo

A janela do medo é pequena,

Acena de jeito, nos intimida.

Tremida a alma sua e gela; que pena!

Arena escura; recorte de vida.

 

Decidida, apenas passe por ela.

a mazela se varre do caminho.

De fininho, porém não se amarela.

Cautela; venceremos. Coitadinho!

 

Sozinho, o medo pode ser a presa.

Acesa, a coragem vem e o esfarela.

Cancela o receio, virando a mesa.

 

Defesa é ordem; abra a tramela.

Revela-se grande, uma fortaleza.

Certeza: atravesse ou pule a janela.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Para você se lembrar...

E foi feito um conto, aquele de fada;

Estrada simples; na verdade, rua.

Nua de riqueza, mas encantada;

Estrelada, sol, vento e até a lua.

 

E sua toda a alma; os olhos atraindo;

Lindo nas passadas, jeito elegante.

Fascinante a feição quando florindo.

Seduzindo; era perfeito o semblante.

 

Antes, era uma passagem normal;

Portal agora; prum mundo encantado;

Alado coração; e tão plural.

 

Afinal, era o amor; tão procurado.

encontrado sem busca; natural.

Visceral; você foi me apresentado.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Seu sorriso é poesia

 É tentação se me abre o seu sorriso,

deslizo de mim, vazo sobre o chão.

Coração se encanta: é tão preciso,

improviso perfeito; floração.

 

Então, quando me abre esse seu sorriso,

autorizo minh’alma; sou permissão.

Confissão: eu me rendo e poetizo;

desorganizo e perco na expressão.

 

Oração é seu sorriso; homilia.

Poesia que me atravessa além.

Bem maior; o sustento do meu dia.

 

Euforia; seu sorriso: um agito.

Repito em mente e me causa alegria.

Poesia; seu sorriso recito.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

A fruta que partiu...

O vento chega, foi abrindo as porteiras;

Palmeiras se descabelam de jeito.

Estreito se alarga; dançam as leiras.

Videiras arrastam as bagas no eito.

 

Espreito a vidraça, afasto a cortina.

Bailarina num lilás que balança.

Trança no nada, então foge a rotina,

na retina vídeo clipe mudança.

 

Avança em redemoinho que assovia,

Mania desordem; sem rivotril.

E surgiu; mas agora chovia.

 

Rodopia a flor, e quase caiu;

saiu o dente pétala que escorria.

Ouvia o baque; a fruta que partiu.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

Quando nasci

Quando nasci, tudo se mostrou igual,

O roseiral não enflorou mais por isso.

Disso sei; compreendi, achei normal,

Afinal; só mamãe entende o feitiço.

 

É compromisso de um ser maternal;

varal: brancos panos; tanto pedaço,

abraço abrigo, afeto vendaval.

Temporal força; intimida embaraço.

 

O palhaço não foi mais ‘pilhério’;

impropério não deixou de ser dito;

bonito! Mamãe, eu e a vida: um mistério.

 

Império do ser, e nisso eu acredito.

É bendito ventre; além puerpério.

Sério; pra mamãe foi um dia negrito.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

De tudo que já escrevi...

Meu primeiro poema, era uma redação.

noção nenhuma, no meu texto botei rima.

Clima louco pintou, jorrei a imaginação.

Então, um jornal o denominou: obra prima.

 

Estima ao feito; me taxaram: poeta.

e meta alguma; sem nenhuma pretensão.

São só uns rabisquinhos de mente inquieta.

Atleta de letras; sentir, degustação.

 

Conclusão: a minha ideia surge e borbota.

Cambalhota por todo lado e sem receio.

Leio; às vezes tem coisa bem idiota.

 

Nota? Às vezes há coisas legais no meio.

Veio da alma, da poesia é devota.

Tricota letras em verso bonito e feio.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie