sábado, 4 de abril de 2026

“Terra a víscera”

  

A terra pede por socorro; e também grita.

Aflita: - salve-me! Me acho toda ferida.

Agredida por essa ganância maldita.

Negrita essa dor; ao poço desferida.

 

Encolhida; peço de joelhos: reflita!

Palpita minha entranha toda denegrida.

Corrida contra o tempo, a quem em mim habita.

Tramita de fértil para uma apodrecida.

 

Florida era sonho, pesadelo milita;

Explicita o abuso; com a vida escorrida.

Tingida do impuro, longe de ser bonita.

 

Delimita ser humano, basta! Exaurida!

Abatida definho, arranca-me a pepita.

Escrita aqui me permito; e peço guarida!

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

A terra em dor berra

Ninguém ouve; o ser é raso

- é, houve um descaso.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Sensual idade


 O rosto não aparentava a real idade.

A quantidade de anos não se imprimiu.

Viu-se jovial. não era tanta a vaidade.

verdade: se cuidou; o mundo não viu.

 

Sorriu; pés de galinha pela metade;

Sanidade em linha, onde se dividiu;

Arrepio que da alma vaza com vontade.

Dualidade: carne anjo e demônio: esfio.

 

Vazio de bobagens; - xô futilidade!

Intimidade com seus eus; curto pavio.

No fio entre ser comportada e a intensidade.

 

Seguridade com decisão e desafio.

Fio dental, sim! Inteira e propriedade.

Sensualidade, caudalosa, igual rio.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

Ser rio é pulsar vida

escorrência

rumo ao mar...

 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Lendo o céu

 

O céu estava uma perfeição; azul semblante.

Impactante, nuvens bailando com o vento.

Firmamento impecável; aquele era “o instante”.

Aconchegante aos meus olhos, um evento.

 

Lento, o ar leva nuvem por nuvem, flutuante.

Distante muitas milhas; mas ornamento.

Sustento com poder divino, tão oscilante.

Estante com poesias em texto bento.

 

Sentimento de choro, mas estonteante;

Exuberante infinitude em movimento.

Fragmento visto dali, já me era o bastante.

 

Marcante, para sempre; em mim, sem cabimento.

Atento olhar da alma, de leitura incessante,

extasiante; e eu aqui sem nenhum argumento.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Na visão da alma se encerra,

se fizéssemos leitura do céu

tudo seria completo na terra.

 


terça-feira, 31 de março de 2026

Coragem amarela diante do amor

 

 A coragem estava num canto, tremendo

Lendo um bilhetinho lotado de fervor.

Calor por dentro; ou seria um frio? Vai vendo.

Prendendo e ora soltando seu respirador.

 

A cor do mundo a cor do sol foi se envolvendo.

Contorcendo pelo arco-íris furta-cor.

Tambor nas veias; uma lágrima correndo.

Descendo rosto abaixo junto ao rubor.

 

-Por favor, meu Zeus! O que está acontecendo?

Lendo novamente o bilhete: - Que torpor!

-Senhor, me perdi! meu céu e terra estremecendo!

 

Ardendo, a coragem conheceu o tal temor.

O amor saltou do bilhete, em riso, dizendo:

-Cedendo ao medo, coragem? Ei, sou eu, o amor!

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

A superficialidade só aceito

se vier em forma de arrepio.

Isso porque ele vem do profundo.

domingo, 29 de março de 2026

Poesia no sinal

 

Paro no sinal, e fico só observando.

Andando por entre carros, o vendedor.

Fervor na cabeça; com o sol estrelando.

Ofertando balas, e de qualquer sabor.

 

Entregador de filipeta se esbarrando

Empurrando e tocando no retrovisor.

Catador de latas fora da faixa andando.

Mancando e mendigando lá vem um senhor.

 

Lavador de para-brisa; vai ensaboando.

Dando outra visão; mas sem dizer o valor.

O ator do circo num fio se equilibrando.

 

Olhando; quis fazer parte e sem fiador.

Amor recitei, em poesia declamando.

Terminando, ganhei palma e atiraram flor.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

A poesia é (ré)médio

mesmo num sol maior.