quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Poder da palavra vazia

 


 

Tece praça por onde o vento sopra e guia,

cria uma voz que mente e a mente desvanece;

Desce a política, numa paralisia,

Fantasia; vira eco oco, só aborrece.

 

Apodrece o ar, fala fútil parlapatia,

antipatia onde boca exalta e a alma esquece;

Tece vaidade; trono sem categoria

Galhardia nenhuma; manto vil floresce.

 

Favorece a si; nobre ideal; povo esfria,

Seria um lobo voraz, dente que intumesce?

Prece de orador, em moldes patifaria.

 

iguaria; fachada em luz, quase finesse.

Permanece o poder da palavra vazia.

Azia em berço, não se sabe se amanhece.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

é tão desumano

fulano promete e só

depois, o abandono

 

da série: Haikel’s

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Avalia-se o amor só pelo sentimento

 

 

Não se calcula um amor por geometria,

Vazia a medida régua, vão pensamento.

Invento no peito; já diz a poesia.

magia é a soma de cada momento.

 

elemento amor é equação ventania.

via de essências em mistério; um alimento;

Fomento da história. Ponto e reta; arrepia,

potencia a adição: um mais um: sem aumento.

 

Evento e espaço; computar é heresia.

Avalia-se o amor só pelo sentimento;

É incremento de voz vezes a alegria.

 

Simpatia mais abraço; bom comprimento.

movimento ajusta a conta ao dia a dia.

metria: amor é do outro reconhecimento.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Volume da voz

um comprimento que aquece

tem o peso: amor

 

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Cheiro de alma

 

 

Encantar com a flores da alma; transfigura.

Altura: crista do coração; nua e bela.

Revela o ser, na simplicidade; a mais pura.

Lisura, caráter; atenção em sentinela.

 

Cartela das mais lindas cores em pintura;

Soltura, o sentimento, a porta destramela;

Passarela de luz; fogo brando e quentura.

Depura defeitos; e a barreira cancela.

 

Janela dos olhos; profundo de candura;

Releitura do cerne, fragrância na tela;

Gela, esquenta, chove e venta; é sem censura.

 

Textura da alma no olhar; e quase esgoela.

Canela, florais, cítricos, madeira: a cura.

Procura-se alma-flores que a nossa se atrela.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

Sinta cheiro de alma

feitiço, de ser com ser

o cimo do amor

 

da série: Haikel’s

 

 

 

 

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Sua capa, pele rara


 

Tateei a sua capa, é de pele tão rara.

Clara a vontade que pela carne floreia.

Teia que prende, no verbo que atiça e sara.

Escancara em mim um querer, e ele esperneia.

 

Cheia de emoção, lhe desfolho; nada para.

Açucara-me seus versos, e pela veia;

Alheia ao mundo, na linha que me encara;

Dispara um sabor; o frisson se serpenteia.

 

Ceia-me em conteúdo adulto; não enfara,

Desmascara-me; sinto o braile que vagueia.

-Releia-me em teor só seu: só me apara.

 

e prepara o seu avesso; nele me chuleia.

Ateia a palavra, o olho sente toda tara.

Enluara-me a sua página, e chaveia.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

na página aberta

o seu escrito me provoca

reage o arrepio

 

da série: Haikel’s

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

O sentido dos símbolos escritos

 


 

No vão entre as palavras; há um refúgio santo,

canto que traduz do peito toda a emoção,

então, banhar na clareza d’um encanto.

Acalanto é ver a alma em doce expansão.

 

Loção que o vento derrama, com cheiro tanto

Recanto de sutilezas, inspiração;

Sensação de pertencimento, mas no entanto.

Espanto e calmaria, mesma proporção.

 

Direção pavimento, lonjura quebranto.

Manto do saber vendo com pura visão,

pulmão sem breco, de ares na alma adulto-infanto.

 

Enquanto a mente ergue, ávida e sem noção,

Sensação de viagem, com sorriso e pranto,

Levanto os olhos; leio: em mim a contação.

 

Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie

 

 

e quando te leio

No teu veio dentro afora

verbo sentimento

 

da série: Haikel’s