domingo, 30 de dezembro de 2012

Saudades


Saudades!

A brisa sacode o azul da cortina
Reflete saudade em minha retina
Meus olhos choramingam em mar!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 30/12/12

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Novo ano



Novo ano

Momentos não esperam por mim, nem por ninguém
A carga perante a vida é individual, é intransferível
Você é capacitado para escrever sua história, além
Respeitando os demais, sem julgar,e sendo flexível.

Ame sempre, sem esperar que o dígito do ano mude
A vida é processo contínuo, não faz pausa nesse dia
Olhe a sua volta sempre,em caso de precisão, ajude
Não tenha esperança que o “ano novo” traga alegria

As perspectivas do novo ano podem começar agora
A esperança é sua,está dentro de você não nos dias
Se obrigue a ser feliz,buscando esse feito toda hora.

“Ano novo” é fábula, afinal os algarismos só sobem
É só um “novo ano” que vem para dividir os tempos
Os dígitos dizem: Serão menos os seus momentos!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Quero fugir com as flores



Quero fugir com as flores

Ao passar pelo jardim, que as flores me acompanhasse
Que todas elas sorrissem e que juntas fugissem comigo
Fizessem em volta de mim uma roda, que eu a olhasse
No fundo da pétala onde o perfume se deita em abrigo!

Que todas as flores dançassem ao vento ao meu redor
Que exalassem por toda minha alma a sua fragrância
Fizessem com que eu degustasse um toque de amor
E deliciar-me nesse momento de abissal importância!

Que as flores fujam comigo, quero fugir com as flores
E as borboletas não ficam fora da minha imaginação
E essa imagem está tatuada em cores no meu coração.

Quero flores; do jardim do lado e do jardim da frente
Quero as flores da alma dos seres em nuança de amor
Quero fugir com as flores no outono, inverno e calor!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 27/12/12

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Abismal


Abismal

Há fundura insondável na solidão
Ruína que assola o corpo e a alma
É um habitar sem fim na escuridão
Oceano de aflição que não acalma.

O coração se descobre em alcantil
Há caos, despenhadeiro de tristeza.
Um matiz preto toma conta do anil
Toda fé é trucidada pela incerteza.

Noites contínuas do ser, falta de luz
Estrelas de emoções boas se apagam
É pregar-se transitoriamente na cruz.

Buraco bolado pela fraqueza interior
Há uma precisão de se jogar a pá fora
Agarrar pelas cordas firmes do amor!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 25/12/12

O poder da palavra


O poder da palavra

Feita em poesia a palavra se modifica
Inventa, relata, surpreende, faz sorrir.
Vem e traz agrado que no coração fica.
Verse o verbo na boa palavra a proferir!

O domínio da palavra descreve a carícia
Ouvida ou lida na hora correta traz paz
Pela veia se mistura ao ser; uma delícia.
Pelas profundezas, de tocar ela é capaz.

A palavra cantada aformoseia, até cura
Lida com a alma é parte do nosso mundo
Dita com o cerne para sempre se perdura.

Palavras acariciam, sustentam seu poder
Mas pode ser artilharia que abre a ferida
Algo que dá vida ou algo faz vida fenecer!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 25/12/12

sábado, 22 de dezembro de 2012

Seja Natal


Seja Natal

Enfeite a árvore do seu viver
Mostre que o seu brilho reluz
Deixe o coração transparecer
Acenda seu pisca-pisca Jesus.

Decore o seu olhar com fulgor
Laço branco de paz na alma
Revele na expressão toda cor
Estenda sua mão que acalma.

E desembrulhe o seu coração
Doe presentes a todo mundo
Carinho, bondade e o perdão!

Dê amor, cace a reconciliação.
Use os estoques por toda vida
Vibre em guirlandas de oração!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 22/12/12


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Natal ímpar


Sol e lua chisparão
Em cada canto do sótão
Natal ímpar

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 20/12/12

Sem rumo


Nos olhos a tristeza
Fitam à frente sem rumo
Órfãos nos abrigos!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 20/12/12

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

...e a primavera parte


...e a primavera parte

A primavera se despede e o céu dança
Algumas pétalas continuarão a colorir
É eterna essa estação, jamais se cansa
Os raios de sol permanecerão a sorrir!

O cheiro se exalará por todos os ares
Odorante o verão que agora se inicia
Escrita na alma irá a todos os lugares
Primavera é perene musa da poesia!

Flores nascem e moram nos corações
Era que entra e sai leva e deixa pétala
Graça que é essência, exala emoções.

Nuanças e entretons; ornam ocasiões
Presente que nos toca a profundeza
No imo; viagem. Gosto de inspirações.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 19/12/12


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Céu dos teus olhos


No céu dos teus olhos
vi um mar de lágrimas
O teu chão te asfixia!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 18/12/12

Chove amor


Chove amor em meu coração
Faz-se enxurrada de saudades
As vidraças embaçam!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 18/12/12

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Apenas desculpas


Apenas desculpas

Sentada a porta: espero
Com o olhar a distância
Emoção pura, sem mero
Sentindo tua fragrância.

Sentada a porta: sonho
Com a tua volta, enfim
Cerne quase fica risonho
Vendo-te vir para mim.

Parada à porta da vida
Vejo escusa, nada mais
Desculpas são os sinais

O amor é sem desculpas
Quem ama somente ama
Justificação só engana!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 17/12/12

Violetas na janela


Violetas na janela

Tons lilases eu vejo através da janela
Com um verde se mistura a paisagem
Combinam-se em matizes da aquarela
Vejo borboletas voando nessa imagem.

O ar toca a tez da pétala, voa cortina.
Um sopro de vento que adentra e beija
Encanta e causa o sorriso da menina
Uma delicada fragrância por ali adeja

Violeta em tons violeta me dá bom dia
Enfeita a janela e atinge minh’alma
Vejos-as; delas vêm algo que acalma.

Violetas fazem do meu imo um jardim
Expostas à janela são olhos da casa
Uma admiração que invade e dá asa!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 17/12/12

domingo, 16 de dezembro de 2012

Sou barda


Sou barda

Talvez isso já venha da concepção
Eu não me rememoro muito bem
Sinto que desde lá tive inspiração
E ela desde sempre comigo vem.

Quem sabe deixei alguma prova
Nas paredes do útero rabisquei
Uma palavra, um verso ou trova
Na alma um coração eu gravei?

Sou barda, sou poesia inacabada
Sou a escrevedora da minha vida.
No ato do verbo amar, concebida.

De Deus eu sou fruto exclusivo
Uma pluralidade única... Afinal
Escrevo: em mim é incondicional.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 16/12/12

Ser forte

Ser forte

Ser forte é chorar e a sua lágrima assumir
É manter-se de pé com imo em ventania
É sentir consternação e ainda assim sorrir
É enfrentar um combate e faz dele poesia.

Ser forte é abrir para qualquer um a mão
É dividir com saber aquilo de que possui
Ouvir em silêncio o que vem do coração
É renovar-se e acompanhar o que evolui.

Ser forte é deitar-se a espera do amanhã
No fim da tarde trazer o dever cumprido
Respeitar de cada um o espaço deferido.

Vestir-se de Deus e expor o amor de fato.
Usar menos físico e mais finura é ser forte
Viver feliz ciente do encontro com a morte!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 16/12/12

sábado, 15 de dezembro de 2012

Semear-te-ei amor


Semear-te-ei amor

Em meu coração há uma semente
Que semeada em ti nasce uma flor
É simples, satisfaz-te ter em mente
Que adubes tua terra para o amor!

Arranque do cerne o que te faz mal
Comece a sorrir, sinal de solo bom
Abrace todo carinho incondicional
Apoie em quem avaliares ter dom!

Teu coração tornar-te-á um jardim
Perfumará a essência de tua alma
E tua beleza far-te-á ser de calma!

Em meio às pétalas e a fragrância
Saberá desvencilhar-te de espinhos
E serenará a dor dos teus caminhos!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 15/12/12

Convertendo-me


Convertendo-me

O momento é esse; esse é o tempo certo.
De fazer um novo arranjo em minha vida
Tirar poeiras da minh’alma de imo aberto
Abraçar-me, me tornar mais esclarecida.

Rever conceitos sem perder a identidade
Acomodar os meus princípios ao mundo
Com respeito e acima de tudo a verdade
Não permitindo que me invada o imundo

Limpar os armários e gavetas do meu ser
Coloca-los em disposição mais confortante
O momento é esse, é esse o exato instante.

Deixar em minha bagagem o que preciso
Introduzir o hoje sem jogar o ontem fora
Arrumar-me ao novo no sempre do agora.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 15/12/12

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Amor... Acesso livre


Amor... Acesso livre!

Comecei a escrever um poema
Imaginei que já o havia escrito
Enleei-me; vi-me num dilema
Até que o contexto era bonito.

O poema falava do livre acesso
Do amor, inda resistido instala
Não acata nem aceita processo
Sem regra, grita e também cala.

É força além de nós; é soberano
Tem fragrância, rima com tudo
Tem sorriso largo feito oceano.

Capaz de fazer a tez suar paixão
É capaz de guilhotinar a guerra
Capaz de dividir meado do pão.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG - 12/12/12

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Que saudade da fazenda!


Que saudade da fazenda!


A estrada, a poeira
Os empreiteiros na roça
O burro e a carroça
Sabiá na laranjeira
Na cerca uma parreira
Que saudade da fazenda
A mamãe tecia renda
Os porcos lá no chiqueiro
As galinhas no poleiro
Fim de semana na venda!

De manhã lá no curral
Leite direto na caneca
De sabugo a boneca
Uniformes no varal
Pendurado o avental
Que saudade da fazenda
A mamãe tecia renda
Papai plantava feijão
Dedilhava violão
Fim de semana na venda!

Bem acima um açude
As vacas fazem aguada
O chapéu, a cavalgada
Azul bolinha de gude
Aquele mascate rude
Que saudade da fazenda
A mamãe tecia renda
Cavalo e ferradura
Garapa e rapadura
Fim de semana na venda!

Pela manhã à escola
Ovo cozido e pão
Já feita toda a lição
Cadernos e a sacola
Recreio: jogo de bola
Que saudade da fazenda
A mamãe tecia renda
Fogão de lenha, o rango!
Quiabo, molho de frango
Fim de semana na venda!

Sol descia no horizonte
Luzinhas de vagalumes
As flores e os perfumes
Papai vindo lá na ponte
Trazendo água da fonte
Que saudade da fazenda
A mamãe tecia renda
A lua linda lá no céu
Brincava passando anel
Fim de semana na venda!

Tínhamos todo espaço
O boizinho de abacate
Cachorro que sempre late
Manga corria no braço
No cabelo aquele laço
Que saudade da fazenda
A mamãe tecia renda
Ao deitar a oração
Família é religião
Fim de semana na venda!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG - 11/12/12

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Viver em poesia


Viver em poesia

Posso tentar explicar: viver em poesia é assim
Ter uma vida normal similar à de todo mundo
Estar ciente dos espinhos e apreciar o jasmim
Deixar fluir pela caneta sentimento profundo.

Viver em poesia é fazer de um verbo um verso
Converter esse verso em uma história sem fim
É percorrer com a imaginação todo o universo
Trafegar muito além dos limites visíveis, enfim.

Viver em poesia é mirar com olhos do coração
Mesmo sabendo que existe o mau e ele judia
É possuir alma inquieta em constante euforia.

Viver em poesia é gritar na grafia os segredos
É sentir sua verdade sendo tomada pelo leitor.
É se declarar. É pôr nas palavras todo o calor!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 10/12/12

sábado, 8 de dezembro de 2012

Sossego


Sossego

Não me importa que os raios do sol nasçam um por um
Que as manhãs cheguem taciturnas, bem de mansinho.
Não me implico com o silêncio matinal de jeito nenhum
Não me importa que antes das flores nasça um raminho!

Não me amola o tempo com o andamento que ele tem
Não me apoquenta a sequência tradicional das estações
O vento em seu ritmo manso aborda-me, só me faz bem.
Gosto da assiduidade com que me chegam às emoções!

Nada me influi que a manhã troque de turno com a tarde
Que os anoiteceres declinam singulares logo em seguida
Existe nisso tudo um encantamento, uma razão de vida!

Existe uma quietude que se perdeu no ambiente externo
Que tenta danificar nossa alma por mais que gritemos não
Não há sossego maior do que aquele que jaz no coração!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 08/12/12

Temos tudo


Temos tudo

Viver é benção; é um tanto sem explicação.
Incidências compostas às outras essências
Ainda que seja enodoada pela complicação
Caminho de flores e espinho em coerências.

A vida nos foi concedida ao nosso desenho
Cada ser tem a recomendada configuração
Alguns existem e outros têm desempenho.
O que os diferem tem a ver com fé e oração

O amor é a amostra maior da nossa história
Ele vem tornar mínima nossa dor e tristeza
Choramos com fome com pão a nossa mesa.

Assim somos ingratos a nossa própria sorte
Ela bate a porta; e somos apáticos ao abrir.
Temos tudo, barramos nossa estrela de luzir.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 08/12/12

Réstia de luz


Réstia de luz

Tua pele tem cheiro
Da carne e volúpia.
Dorso macio!

Teu corpo obsecra
Vontade na alma
Réstia de luz!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 08/12/12

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

As sementes


As sementes

Quero arrancar dos meus campos primaveris
As mais saudáveis sementes; quero lançá-las.
Arquitetar os verdes das esperanças em anis
E que germine, jamais deixarei de sonhá-las.

Quero viver cada semente no coração alheio
Quero sentir o desabrochar do enraizamento
A cada olhar sentir a alma; quero ver se a leio
Ver os pingos de luz na pétala do sentimento!

Quero que brote cenários lindos de amizades
Que rebentem paisagens enchidas de amores
E que o vento leve as fragrâncias dessas flores.

E que a cada estação as sementes se renovem.
Que todo coração espalhe o cerne desse parto
Que o orbe de fecundas sementes fique farto.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 03/12/12

domingo, 2 de dezembro de 2012

Haikai


Acolchoa-se sonho colorido
Tece em rubro a renda
A amizade é perene!


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 02/12/12

sábado, 1 de dezembro de 2012

Outros oceanos


Outros oceanos

Outros cantos, outras ilhas
Eu quero do ser conquistar
Quero viajar outras trilhas
Essência da alma alcançar.

Navegar em suas verdades
E aproveitar as ondas boas
E nos navios de felicidades
Contemplar além das proas.

Serenar-me em seus portos
E deitar-me em suas praias
Desviar temporais das raias.

Eu quero do ser conquistar
Todos os mares do coração
Todas as gotas de pulsação.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 01/12/12

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Obstáculo


Obstáculo

Acordei
Senti a falta dos raios do sol;
Não por ele não ter nascido
Mas
Por haver um muro impedindo-os de entrar em minha janela!
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 28/11/12



terça-feira, 27 de novembro de 2012

A canção


A canção

Ouvi uma canção que dançar me fez
Sem saber a letra cantarolei o refrão
Leve rodopiei: uma; duas e outra vez
As notas voaram para o meu coração!

Falava de um afeto não correspondido
Quem sabe uma ausência de confissão
Falava de algo por dentro tão sentido
De um desejo, e de uma louca paixão.

Falava de um encontro em um jardim
Das flores que se tocavam com o vento
Falava de uma marca no pensamento

E uma lágrima se jogou dos meus olhos
Ao final da música; chorei muito mais
Aqueles versos em minh’alma eram reais.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 27/11/12

Haikai


A menina chora
A tristeza pinga no chão
Há flores no túmulo!


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 27/11/12

domingo, 25 de novembro de 2012

Eu me amo


Eu me amo

Minha vontade de amar-me é maior do que eu
Sou um copo; e o meu amor por mim é oceano.
Sou a letra; meu amor é tudo que se escreveu.
Eu me amo muito mais que um simples “te amo”

Minha vontade de amar-me ultrapassa o infinito
Sou estrela; a vontade de amar-me vai além-céu.
Sou o silencio, o amor por mim vai além do grito.
Sou simples fósforo; e o meu amor é um fogaréu.

Minha vontade de amar-me não tem explicação
Sou passo inicial; o meu amor, a estrada da vida.
Sou folha a balançar; e o meu amor um furacão.

A vontade de amar-me vai além das aspirações
Vivo a chover amor por onde quer que eu ande
Oferto a minha vida por mim, abissais oblações.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 25/11/12

Haikai


Lágrimas caem
Os olhos cerram-se
Um poço de dor!


ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 24/11/12

sábado, 24 de novembro de 2012

Haikai


A paixão oscila
Nos marouços da vida
A rosa singra!



ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 24/11/12

Ele rio, eu choro!


Ele rio, eu choro!

Ele é rio em desabalada carreira
Ele é fonte que leva e traz a vida
Veja que situação é só choradeira
O ser humano lhe causou ferida.

Antes contornava o pedregulho
Hoje tem ausência da respiração
No menor espaço, maior entulho
Chacina a chance da navegação!

Ele rio; e eu choro com a agonia
Um fluxo de lama e de matança
Total consciência é a esperança!

Padece um rio aqui e outro acolá
Em cada estada na curva; sonha
E lacrimeja sua imagem visonha.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 24/11/12

Venta-me


Venta-me

O vento sopra o meu vestido
Bailam as flores da estampa
O cheiro sai de jeito atrevido
Só essa saudade não arranca.

Leves borboletas são levadas
Difícil o beija flor sugar o mel
E as nuvens são permutadas
Modificam as imagens no céu!

O vento embaraça meu cabelo
Os fios dançam em desalinho
Rasga a rapidez do passarinho.

O vento aviva, a brecha invade.
Sem regra simplesmente venta
Feito amor: entra, não inventa!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 22/11/12

domingo, 18 de novembro de 2012

Boemia


Boemia

Em tragos gigantes de inspirações
Aparece fumaça que desenha no ar
Mistura-se a perfume e recordações
Na boca o doce gosto do eterno amar.

Em taças cristalinas de um passado
A folha bebe do grafite sincero verso
A poesia faz do meu ser embriagado
Despejando no papel o meu universo

A boemia me consome, e eu assumo.
É um deleite imenso esse meu vicio
Jogo-me na poesia, meu precipício.

Deturpada de poemas sou boêmia
Me pego desperta nas madrugadas
Eu e as escritas somos desregradas!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 18/11/12

Final de império


Final de império

Reinavas pelos quatro cantos do meu ser;
Abdiquei meu coração: teu trono
Já não te via em meu amanhecer
Senti nas minhas noites, abandono.
Observei nos teus dias adultério
Sem lamentos venho dizer-te:
_Hoje em mim finda o teu império!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 18/11/12

sábado, 17 de novembro de 2012

Sabe de onde venho?


Sabe de onde venho?

Eu venho de uma era
Já um pouco distante
Marca-me todo instante
Com cheiro de primavera
E borboletas na hera
Onde rodas e cantigas
Ainda hoje são ligas:
Capelinha de melão
Do limoeiro, limão.
Isso em mim não desliga.

O pau no gato atirei
A ciranda, cirandinha.
De Jesus a Terezinha
Marcha soldado marchei
E na roda eu entrei
Onde rodas e cantigas
Ainda hoje são ligas:
Pirulito que bate bate
O cachorrinho só late
Isso em mim não desliga.

Samba lê lê tem ferida
Peixe vivo; nesta rua.
Cravo e rosa sob lua
Onde está a margarida?
A canoa virou, sem saída.
Onde rodas e cantigas
Ainda hoje são ligas:
Fui à fonte tororó
Vi os escravos de Jó
Isso em mim não desliga.

Tira, tira seu pezinho.
Meu boi da cara preta
Quem tem medo de careta?
Pois sumiu o meu galinho
E a galinha do vizinho?
Onde rodas e cantigas
Ainda hoje são ligas:
Eu vi a arca de Noé
O sapo não lavou o pé
Isso em mim não desliga.

Cantei alecrim dourado
Passa, passa gavião.
Carneirinho, carneirão
O coelhinho levado
Também fui ao mercado
Onde rodas e cantigas
Ainda hoje são ligas:
A barata diz que tem
Serra, serra, serrador vem.
Isso em mim não desliga.

Linda rosa juvenil
Se essa rua fosse minha
E lá vem a carrocinha
Dona aranha quem viu?
Até o hino do Brasil
Onde rodas e cantigas
Ainda hoje são ligas:
Pobre rica de marré
A loja do mestre André
Isso em mim não desliga.

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 17/11/12

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Novo Horizonte


Novo horizonte

Precisa-se de ação; que impere a atitude
Há na alma um universo, espaço sem fim
Feito vento o sentimento traz inquietude
Junto traz cheiro de lavanda e de jasmim!

Ao alcance dos olhos é orbe tão pequeno
Porém a extensão é inenarrável, acredite
Combinação de vendaval e sopro ameno
Só os sonhos abrem a visão, abre apetite!

Cada momento surge um novo horizonte
Cada flor que se abre existe novo perfume
Tudo em uma busca constante se resume!

Maior que esse universo, somente o amor
Atravessa pontes, voeja e fundo mergulha
Dimana pela grade do infinito e borbulha!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 14/11/12

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Quando eu era pequenina


Quando eu era pequenina

Quando eu era pequenina
Trancinhas, de pé no chão
Era uma travessa menina
Que tinha medo do avião!

Quando eu era pequenina
Eu brincava com a boneca
Do cavalo; amava a crina
Corria nos pastos; sapeca!

Quando eu era pequenina
Pela enxurrada caminhava.
Com mamãe sempre rezava!

Quando eu era pequenina
Gravei até hoje no coração
Um sabiá comendo mamão!

ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG 12/11/12